COSSA,
Lourenço
É, segundo os acontecimentos dos últimos
dias esta expressão se revela real e concisa.
Estão em prisão decretada pela justiça
Gaúcha – Brasil dois dos proprietários sócios de boate e dois dos integrantes da
banda Gurizada Fandangueira, o grupo musical que atuava durante a tragédia que
vitimou mortalmente, cerca de 236 jovens estudantes e mais um número
considerável de outros estudantes que ainda permanecem nos hospitais do Estado
do Rio Grande do Sul em tratamento. Era característica da banda durante os
shows incendiarem sinalizadores e com isso colocarem os espectadores ao delírio,
aliás, este momento era sempre aguardado com expectativa pelos jovens que
presenciavam seus espetáculos.
Estes cidadãos são responsabilizados por
esta tragédia que comoveu todos brasileiros e o mundo.
Contudo, neste cenário importa-nos destacar
alguns fatores contraditórios. É que os proprietários da boate foram
autorizados a instalarem aquele empreendimento cultural pelos órgãos municipais
e que para isso acontecer houve vistorias envolvendo bombeiros e além do mais
este empreendimento era taxado pelo município local, o que de certa forma
faz-nos supor que seu funcionamento acomodava as contas municipais e, no
entanto, estes órgãos não são responsabilizados.
O prefeito local, de Santa Maria chegou a
afirmar sob “choros” e mediante as câmeras televisivas que não tinha nenhuma
culpa pelo sucedido, pois desempenhou adequadamente seu papel de gestor
municipal e, que qualquer intenção de responsabilizá-lo tinha tendência
políticas. Os donos da boate sim e os integrantes da banda que acenderam os
sinalizadores, estes sim são os responsáveis pelo sucedido. Paralelamente, a
justiça gaúcha (Rio Grande do Sul), mandou prender os integrantes sobreviventes
do incêndio, culpando-os pelo homicídio qualificado onde a prática que
desencadeio a tragédia é tida como consciente.
Todas as autoridades sejam estaduais,
municipais, corpo de bombeiros que fiscalizam estes tipos de espaços públicos
com vista a detectarem saídas de emergência, extintores, a mobilidade dos
frequentadores, saíram ilesos, limpinhos de qualquer responsabilidade. Na era
planetária, caracterizada pela emergência das informações diversificadas, somos
correntemente acostumados pelas práticas políticas-administrativas sérios cujo
em situação de tragédias como a que aconteceu em Santa Maria são os primeiros a
assumirem a culpa e a se colocarem em disposição da justiça ou deixarem seus
cargos.
E que acontece com as autoridades políticas-administrativas
dos países do terceiro mundo/em desenvolvimentos em situações deste gênero?
Nada. Nada, pois o poder, os sistemas de
justiças e políticos os protege. Nada, pois os comportamentos sociais dos povos
desses países se constituíram/se constitui dentro de valores da veneração do
rei, do mais velho, da majestade. A lei funciona a favor de quem a aplica, as autoridades
políticas-administrativas no poder, os órgãos de justiça, polícias.
Para que estas instituições públicas e de
autoridades mostrem a existência de “seriedade”, mostrar que estão a trabalhar
perante aos olhos da população e dos familiares das vítimas mandaram apreender
aqueles cidadãos.
