COSSA, Lourenço
Moçambique está sobtensão política e uma guerra civil declarada
eminente.
Dois dias depois do Delegado político da Renamo, o
Brigadeiro Malagueta ter anunciado que a Renamo iria ampliar a sua zona de
atuação na região de Gorongosa, província de Sofala onde está aquartelado seu líder,
Afonso Dlakama, na madrugada do dia 21 de junho foi atacado viaturas civis. Este
ataque saldou na morte de dois civis.
Tais pronunciamentos são justificados hipoteticamente
ao fato de se observar a movimentação do material bélico e de militares
governamentais às cercanias do local onde está aquele líder e que suspeita,
segundo a fonte, estar-se a preparar um assalto o local onde está o presidente
do partido da oposição, Renamo com seus seguranças.
No mesmo dia, 21 de junho, o Delegado da Renamo
incumbido a informar a posição do partido Renamo foi preso pela Polícia da
República de Moçambique/Frelimo.
Hoje dia 22 de junho, o governo da Frelimo organizou
manifestações em todo país sob o lema queremos a paz. Estas manifestações surgem
um depois que guerrilheiros supostamente da Renamo terem atacados carros, autocarros
que se faziam na estada nacional número 1 na zona do Distrito de Muxungué na
província de Sofala.
Nestas manifestações a sociedade civil apela ao
governo da Frelimo e a Renamo a dialogarem e estabelecerem consenso de modo a
evitar-se a paz. Paralelamente viu-se dirigentes governamentais da Frelimo,
partido no poder a proferirem discursos que “apelam” a paz e a vincarem termos
como sanguinário, discursos que “apelam” e acusam o seu adversário político, a
Renamo a parar com as atrocidades e abnegar-se do sangue. Tais dirigentes
referiam repetidamente que estão abertos ao diálogo, mas o diálogo não
implicava consenso e mais, não aceitava imposições da oposição.
Mas que imposições são estas que a oposição coloca ao
governo do dia?
A oposição repudia e reclama a partidarização das
instituições do Estado que é generalizada em todo território nacional. Esta
partidarização exclui moçambicanos com opiniões diferentes da dos discursos
governamentais da Frelimo. Querem que a paridade entre os membros que compõem a
comissão nacional das eleições depois de passarem quatro eleições gerais
caracterizadas pela pouca transparência no processo que vai da preparação ao
ato eleitoral. Querem que haja equidade na partilha de bens que o país tem em
detrimento da exclusão política e social. Querem que seus militares desmobilizados
coercivamente nos últimos anos sejam reintegrados. Lembra-se que estes
militares que faziam parte da guerrilha da Renamo estavam integrados no
exercito único, as Forças Armadas de Moçambique depois dos acordos de Roma que
pus fim a guerra civil dos 16 anos que terminou em 1992.
São essencialmente estas reivindicações que a
oposição, ou seja, o maior partido da oposição reclama.
Nas repartições estatais ser desconfiado com sendo da
oposição é sinônimo de isolamento, cancelamento do contrato de trabalho e muito
mais humilhações. Nas zonas rurais, pessoas pertencentes aos partidos da
oposição são marginalizadas, perseguidas, usurpada seus haveres, espancadas. As
sedes partidárias dos partidos da oposição são vandalizadas, seus membros são
presos pela polícia aleatoriamente e sem culpa formada.
“A polícia se comporta como se Moçambique fosse ainda
governado pelo partido único” e sem democracia (Mussanhane, Diretor das prisões
de Moçambique, maio de 2013).
Portanto, há que referir que estas reivindicações não são
somente do partido Renamo, mas de todos moçambicanos comprometidos com um
Moçambique se exclusão política social. São estes atos que mina os esforços de
desenvolvimento dos moçambicanos.
Vimos nos écrans televisivos membros do partido no
poder, a Frelimo a referir que sempre pautaram pelo diálogo e que não aceitam todas
as imposições do partido da oposição, a Renamo, mas os moçambicanos não se
lembram sequer de pelo menos um ponto reivindicativo da oposição que já foi
ouvida e aceita pelo governo e pela bancada maioritária governamental na Assembleia
da República. O que se vê é a arrogância acima da arrogância dos governantes. O
que se assiste é a marginalização, perseguição de todas as pessoas que
usufruindo da aparente liberdade de expressão questionam a corrupção, a má
governação, a não transparência nos projetos de desenvolvimento.
A estas pessoas que se manifestam via imprensa são cunhados
pelos termos como: tagarelas, apóstolos da desgraça, agitadores profissionais e
outros nomes.
Moçambique como Estado de Direito, as manifestações
são legais perante a constituição, desde momento que se informar as autoridades
governamentais. São as autoridades que disponibiliza aparato policial para
acompanhar/proteger os manifestantes em greve pacífica.
Entretanto, na realidade, as entidades que informam
uma determinada manifestação pacífica são proibidas e perseguidas pela polícia
a mando das autoridades governamentais. Trabalhadores indefeso em greve
pacífica são espancados barbaramente pela polícia das Forças de Intervenção
Rápida (FIR).
Partidos da oposição são proibidos de se manifestar,
inclusive de participar em desfiles gerais como, por exemplo, Dia do Trabalhador,
1 de maio.
A arrogância dos membros do governo do dia é tanta que
as esperanças de certos grupos da oposição se esgotaram perante uma justiça
parcial/partidária, polícia partidária, projetos de desenvolvimento
partidários, empregos partidários, hospedagens partidárias (lideranças da
oposição são impedidos até de se hospedarem em hotéis nas zonas rurais – donos dos
hotéis são coagidos pelo partido governamental a não abrirem as porta às
lideranças dos partidos da oposição), pois veem seus desejos, sonhos distantes
devido à intolerância política que se resvala no social.
São sonhos e desejos que na realidade são da maioria
dos moçambicanos que apenas querem usufruir o que é de todos.
Juntamo-nos ao coro de todos moçambicanos
comprometidos com a paz na realidade. Moçambicanos que sabem que qualquer tipo
de exclusão social entre moçambicanos tem consequências catastróficas.
Não a exclusão política e social;
Não queremos a guerra;
Não à arrogância dos governantes da Frelimo;
Sim a paz e ao consenso.
Cada uma das partes deve ceder.
Todos cedendo, ganha Moçambique.
Ganha a paz.