COSSA, Lourenço
A exclusão social-política e o seu resquício que se
resvala na exclusão econômica e social não se diferencia ao apartheid. Tal como
Apartheid, a exclusão mata, isola, silencia, apaga o Outro; um Outro que aos
olhos de quem exclui constitui entrave para seus interesses pessoais, sua
alegria, satisfação e realização plena.
Dentro de uma sociedade caracterizada pela
intolerância política, social, racial, econômica, se produz entre os seus
membros exercito de descontentes, pessoas que pelo sofrimento por que passam já
não têm nada a perder. Estas pessoas alcançam estágios comportamentais, coragem
e capacidades de poder ser e fazer tudo ao seu alcance para poderem sobreviver
perante as adversidades que lhes interpelam, inclusive a violência.
É por esta lógica que se diz que a violência gera violência.
O apartheid e a exclusão social, política ou econômica
tem as mesmas consequências; cria uma sociedade problemática que se mostra pela
violência, intolerância, acusações, assassinatos/mortes. Exemplos desses tipos
de sociedades/país não faltam. Temos o país vizinho, a África do Sul, Estados
Unidos da América, a República Federativa do Brasil entre outros.
Estamos a abordar esta questão com intuito de promover
a reflexão e se estabelecer a relação deste assunto para com a situação atual
que Moçambique vinha/vem atravessando. Na atualidade, a situação política de
Moçambique está se caracterizando pela pura violência armada sem necessidade.
Uma cena que começou como “simples desmobilização das pessoas/moçambicanos”
vindo de Outras fileiras políticas que constitui a oposição política que
outrora fora oposição militar naquilo que pode ser considerada como briga entre
moçambicanos, entre os membros da mesma sociedade.
Pessoas da oposição ou que pensam diferente das
pessoas que fazem o governo ou o partido Frelimo, perdem seus postos de
trabalho, cargos de chefias, prisões arbitrárias, arranque de suas terras ou
queima dos seus bens. Há violência de todos os tipos para a oposição e as
pessoas que pensam diferente.
No permeio disso está crescendo sentimento
generalizado de crítica da forma com o governo e partido governamental dirige
os destinos do país. Por outro lado encontramos o Presidente da República a descarregar
critica contra todos os segmentos da sociedade civil que critica sua governação.
Da sua contraofensiva à critica chama a sociedade moçambicana de “tagarela, distraídos,
pessoas que quando o governo faz bem dizem que não está bem e quando faz bem
ainda insistem em critica-lo”.
No campo político, a Renamo vinha tentando fazer com que
junto com o governo se estabeleça a paridade nos órgãos eleitorais, a despartidarização
do aparelho do Estado e a transparência nos negócio público estatais, cenário,
portanto, negado pelo governo.
Numa visão geral este esforço da Renamo constitui a
ansiedade e o querer dos diferentes segmentos da população ou sociedade civil.
Entretanto, o governo enxerga no meio de tudo isso, um
inimigo a abater e esse indesejado é a Renamo.
Sem consenso, o governo através das forças
governamentais encurralou o maior partido da oposição hoje dia 21 de outubro de
2013 atacou o local em que vivia o líder da Renamo em Santunjira, mas o
presidente da oposição já havia se retirado. As últimas notícias indicam que
está em lugar incerto.
Em consequência disso, o país está em suspense, mergulhado
no conflito armado, a guerra declarada pelo governo liderado pela Frelimo. A
insegurança já está instalada.
Todo este cenário indesejado foi semeado pela exclusão
e intolerância política. Algo que parece não ser nada importante, para o
excluidor, mas dolorido para o excluído. As consequências dessa incursão são imprevisíveis.
Uma coisa é certa, não há mais segurança em Moçambique. A Democracia está em
perigo. Está minado pela cobiça de um poder perpetuado de uns que se consideram
com mais direitos sobre os Outros que constituem entrave para as liberdades de
fazer desfazer sem prestarem contas a ninguém. Parece que Moçambiqe tem dono.
Um Zedú moçambicano.
Moçambique a sua própria sorte.
21/10/2013
