Xikhosa
Que história é essa em
um contexto onde a cada dia que passa se assiste na cidade capital Maputo um
crescimento vertical de infra-estruturas públicas e privadas de topo em termos
da beleza arquitetônica bem como a proliferação de veículos super modernos, ou
seja, meios circulantes sofisticados?
Essa pode ser a
indignação de um sujeito que se sente incluído nesse sistema de acumulação
desenfreada do capital cujo na maioria das vezes se faz de forma fraudulenta,
ilícita e violenta entre os gestores públicos e privados na esfera sócio-econômico-político.
Lembra-se que este
sistema se constitui no permeio da corrupção, clientelismo e exclusão político,
econômico caracterizado pela adjudicação fraudulenta e superfaturada em
concursos públicos, prestação de serviços ao/do Estado, favorecimento sócio-econômico
por meio da filiação partidária no poder desde a independência e a expropriação
das populações de suas terras para acomodar interesses das elites políticas
governativas e de grande capital. A maioria das infra-estruturas luxuosas que
estão sendo erguidas nas cidades capitais não beneficiam as classes trabalhadoras
pertencentes a maioria dos moçambicanos a não ser estrangeiros e a classe
política e econômica abastada.
Em uma rua de bairro periférico na cidade capital - Maputo
Outro ponto que merece
a nossa abordagem é o aumento cada vez mais dos impostos em artigos que
amenizam o impacto da pobreza presente na vida da maioria dos moçambicanos. Em
contrapartida, o sistema governativo promove a descida dos impostos, tarifas de
importação em sectores abastadas, ou seja, com poder aquisitivo acentuado,
geralmente constituído pelo capital estrangeiro, dos mega projectos,
instituições onde a classe política no poder possui ações na maioria dos casos.
A tendência de todo
este sistema é produzir cada vez mais o fosso entre os ricos e pobres, lesando
substancialmente a maioria da população moçambicana. O governo protege o grande
capital com incentivos fiscais, impostos reduzidos e em contrapartida agrava os
impostos em produtos que constitui as necessidades básicas da maioria dos
moçambicanos.
Já é pobre e carente em
bens de consumo essenciais para sua sobrevivência e o sistema governativo cobra
impostos pesados na importação de carro usado, roupa usada, aumentam se a
tarifa de transporte, energia, água, alimentos.
É de frisar que em quase
todas as áreas econômicas e sociais que sofreram aumento de imposto e taxas de
importação, esses estão na ordem média de mais de 50%. Em detrimento desta
situação, os aumentos salariais em sectores que abrangem a maioria do
trabalhador moçambicano oscilaram entre 1% a 11%.
Como justificação do sobrepeso na vida da população
é de que se procede desta maneira para proteger o mercado local. Mas qual, se
em Moçambique não existe uma indústria competitiva e diversificada?
Quase não existe indústria
automobilística, têxteis. O País ainda não atingiu a suficiência alimentar, ou
seja, Importa mais que produz.
A questão é: a quem
pretende se beneficiar com a austeridade nas políticas sociais, prejudicando a
maioria da população?
Certamente a eles
mesmos, a oligarquia local partidária no poder que está filiada ao grande capital.
O efeito desta
conjuntura é que nos últimos 17 anos a vida sócio-econômico e político dos
moçambicanos têm se caracterizada pela descida acentuada da qualidade de vida e
violência social e política. A pobreza extrema esta ganhando mais terreno e
este terreno se mostra através do baixíssimo poder aquisitivo, a ausência do
sistema de transporte condigno e organizado, a falta de resposta eficaz do
sistema de saúde, segurança para não falar do lazer.
Pedra,
pedra construindo novo dia
22/09/2017
