COSSA, Lourenço
De
novo somos acordados com a notícia de espancamento de moçambicano dentro de
território nacional, Moçambique por estrangeiros chineses. Desta vez esta desgraça
consequente caiu mais uma vez sobre um polícia, portanto, um membro que vela
pela segurança do Estado e dos moçambicanos. Provavelmente, depois deste
polícia será o deputado, depois ministro e por fim o Presidente do país.
O
Inspetor e Porta-voz da Polícia da República de Moçambique na cidade de Maputo,
Arnaldo Chefo desabafa:
-
“Os Chineses têm abuso” – Jornal CanalMoz - terça-feira, 04 de Setembro de
2012.
Podemo-nos
questionar, até quando estes desmandos irão cessar e, a resposta é,
provavelmente não para já. Isso irá acontecer mais. É ser negativo, não é?
Pois
não é. Este comportamento de estrangeiros é resultado da desorganização do
Estado e Governo moçambicano e da sua Sociedade Civil.
Quase
todo estrangeiro da raça branca e amarela estão cientes que moçambicano é
desavisado, distraído por natureza colonizadora e culturalmente ingênua em
certas ocasiões. Sabe que esta distração provém do que se chama “respeito” e
admiração por grupos étnicos fora da África subsaariana. Este “respeito” emerge
perante a cor do Outro, este Outro que para o colonizado psicologicamente é motivo
de desejo, catalisa comportamentos deslocados e prejudiciais a ele mesmo.
Um
dos comportamentos demonstrativos deste “respeito e consideração” do
estrangeiro não africano-preto consiste no fato de que a interpelação desse Outro
não negro por um polícia ou um determinado cidadão civil é caracterizada por
atitudes que trazem sentidos de submissão e inferioridade deste, situação que
coloca o outro, o estrangeiro não preto se sentir superior e acima de tudo, num
território que não é seu, portanto, algo que não sucede com o africano-preto em
país deste estrangeiro.
Para
piorar é que este estrangeiro conhece e sabe das fragilidades do Estado deste
dono do país.
Qualquer
desentendimento com o nacional nativo e preto, o estrangeiro sai com vantagens
junto das autoridades policiais. O policial ou um nacional preto ao lado de um
estrangeiro não-africano não-preto se sente superior em relação a um outro
moçambicano e, em contrapartida se sente inferior perante aquele não africano e
não preto ao seu lado. Este estar se mostra pela busca incessante de agradar o
não africano não preto; muda seu ser, apaga a sua identidade e nessa altura
quererá falar a língua de seu “hóspede” invertendo os papeis cuja normalidade é
o hospede procurar ser compreendido pelo dono da casa.
Logicamente,
esta situação fará com que o estrangeiro se sinta em casa e com ousadia de até
ir ver o quarto do dono da casa e quiçá sentar ou dormir sem ser convidado.
Espancará, subornará, promoverá rixa entre os nacionais segundo seus
interesses.
Para
piorar a situação, este estrangeiro, sabendo que o Estado moçambicano não
defende com veemência a integridade dos nacionais, quando houver intriga entre
um nacional com estrangeiro correrá primeiramente para socorrer o estrangeiro
não preto e, sem procurar querer saber o que é que houve, reprimirá o nacional.
Estamos perante um povo sem autoestima, que não se conhece, mas em
contrapartida quer e procura conhecer o Outro – este estrangeiro não preto.
Um
povo colonizado na mente comporta-se deste modo, apesar de se visualizar a
independência política e administrativa.
Os
ingredientes da arrogância dos estrangeiros não pretos em Moçambique comungam
para se sentirem acima das leis, línguas, religiosidade e culturas dos
moçambicanos, pois tem ciência da sua “superioridade” e proteção do Estado
moçambicano em relação ao cidadão moçambicano preto.
Vejamos
que o mesmo grupo étnico que espanca moçambicanos sob a proteção do Estado e da
cultura moçambicana que em nome do respeito ao estrangeiro camufla atitudes que
podemos nomear como inferioridade, na Europa, América, Oceania e em países
mesmo asiáticos eles nem ousariam praticar estas artes marciais contra os
cidadãos destes países ou continente.
Em
Moçambique praticam desmandos, pois sabem que mesmo um policial que é a
autoridade do Estado, quando os aborda em via pública, usualmente o faz dentro
de certo comportamento de “respeito”, “timidez” e, para piorar alguns policiais
os tratam por PATRÃO!
Como
é que um povo poderá se afirmar como nação com identidade própria e integridade
se fará respeitar dentro da verticalidade ou horizontal formal com outros povos,
se a priori entrega sua autoridade perante um estrangeiro branco, chinês,
americano, brasileiro etc.?
Quantos
moçambicanos já foram espancados por chineses nas obras estatais e que o Estado
manifestou-se dentro do relativismo e muito menos expulsá-los do território
nacional?
Muitos
e muitos.
Quantas
vezes cidadãos estrangeiros sul-africanos, Suazis entraram no território
nacional perseguindo ou para matar um moçambicano e o governo não se manifestou
com firmeza?
Quantas
vezes nacionais foram humilhados e presos devido às queixas não investigadas
dos estrangeiros não-pretos nas repartições empregatícias privadas?
Os
absurdos envolvendo estrangeiros contra os nacionais têm uma lista enorme no
território nacional. A mídia tem reportado estes absurdos. Um estrangeiro,
chinês, europeu, paquistanês chegam a Moçambique e noutro dia já têm o bilhete
de identidade moçambicana e passaporte. No dia seguinte já têm Bilhete de
identidade e com naturalidade, por exemplo, de Gaza, Distrito de Makeze no
interior, nas zonas rurais e nem sabe que língua se fala lá. Não será isso
sinal de fraqueza do Estado?
Certamente
que muitos dirão não, não, o nosso Estado não é frágil. Evidentemente não é
frágil, pois sabe muito bem castigar, espezinhar um moçambicano, seu cidadão
cujo na altura de coçar, da crise, o coagirá a pegar em arma para combater em
nome da “integridade” e soberania territorial que o mesmo Estado permite que
seja brinquedo dos estrangeiros, ou seja, alguns muitos chineses, europeus e
americanos.
O
Estado moçambicano e os moçambicanos necessitam de mudar a postura de
inferioridade quando interagem com outros povos. Não se devem esconder nos
discursos como – Hah, não! Temos que respeitar os estrangeiros para visitarem
nosso país; os estrangeiros são nossos parceiros; são fonte de divisa; etc. etc.,
pois estes discursos constituem papo furado. Todos estrangeiros vêm à
Moçambique porque têm interesses financeiros e querem status econômicos e mais
nada. Se nosso país não fosse oportunidade visível nos ∕ dos negócios deles
nenhum deles se faria por aqui em Moçambique.
Ademais,
eles não são nossos parceiros. São sim, concorrentes nas oportunidades que se
fazem em Moçambique. Disputamos com eles os nossos recursos e eles não estão
para nos ajudar a construir o nosso país. Eles querem mais é, fazer a vida
deles mais nada.
É
nestes moldes que devemos mostra-los como é que deve ser o convívio para conosco
e eles devem se sentir estrangeiros, pois são e, não estão em casa deles. Se
nós vamos à seus países nos comportamos eticamente e é exatamente nestes moldes
que devem viver em Moçambique. Para isso, como sociedade devemos reagir
incisivamente e o Estado deve puni-los exemplarmente com pena de reclusão,
cadeia e depois da saída expulsar de nosso país.

Olá, Lourenço!
ResponderExcluirTdo bem?
Nossa, impressionante a ressonância dessas teorias raciais... e ainda temos que ouvir de alguns que o racismo não existe. Se for pra mudar o nome, acho que colonialismo fica bem, pq ele sim existe e muito.
Este caso horrível é um dado interessante para olhar essas tensões raciais atuais.
E me diz uma coisa: como vai a mobilização para pressionar a promoção de leis e educativas contra esses atos raciais violentos?
Um abraço,
Luanda.
Oi Luanda! Ca tudo bem.
ExcluirOlha! Práticas deste Gênero em Moçambique são ignorada da classificação racista, provavelmente porque a maioria esmagadora é mesmo africano, Bantu e, aos olhos governamentais soa como se tratasse de simples violência. Apenas os tais chineses foram presos e não se sabe mais nada. Práticas racistas reconhecidas sucediam nas estâncias turísticas e perduraram por muito tempo até que os donos que por sinal eram boers/africanners praticassem em um dirigentes. A partir dai a coisa mudou de figura. Houve o castigo merecido e nunca se ouviu falar mais de descriminação. A coisa é ainda assim em Moçambique. Pode ferir, mas desde o momento em que ferirá um poderoso, pagará. Quanto a população, a sua vulnerabilidade é natural.
Tudo isso, quero dizer que continuamos na colonização, só que desta vez, pelos não africanos, ocidentais, asiático e americanos em conluio ou com a cumplicidade de negros com poder de decisão, os políticos.