Cossa, Lourenço
A Assembleia da
República de Moçambique está a efetuar a revisão do código penal de modo a
adequar as leis à realidade moçambicana. Sabe-se que as leis até então vigentes
foram concebidas pelos colonizadores portugueses e assim, todas são baseadas na
cultura, costumes e práticas europeias e, quando muito, leis rígidas contra as
práticas africanas consideradas não civilizadas e nefastas a civilização
ocidental e à cristandade. Foi neste contexto que culturas, costumes africanos
foram perseguidos durante toda colonização efetiva até aos momentos atuais de
Moçambique independente. A partir destas leis lutou-se contra a medicina
africana, contra as formas de casamento, de nascer e de morrer dos africanos e
em particular das sociedades moçambicanas.
É nesta situação que
o Estado moçambicano está a desencadear a Revisão do Código Penal como forma de
adequar as leis à realidade dos moçambicanos e de outro contextualizar as outras
ao contexto global. Como qualquer lei existente em um país é susceptível a
falhas, mas também não se pode tirar o mérito do trabalho que está sendo
efetuado. Outra coisa é que não é possível satisfazer os interesses de todos os
grupos sociais, mas uma coisa que é de desejar é que as leis regularizem,
defenda e abarcam a maioria dos moçambicanos.
Assim, pelo que se
visualiza, os deputados incumbidos nesta tarefa estão a dar vazão aos
interesses mais amplos dos moçambicanos e não interesses localizados. Estamos
presenciando o aparecimento de vozes a se oporem a revisão de algumas leis. É
nestes moldes que escrevo este texto para manifestar o meu não perceber o porquê
deste alarme.
Os pontos que o
relator apresentou ao público estão adequados à realidade moçambicana e veem à
boa altura e é de louvar o trabalho dos parlamentares. Moçambique é Moçambique
e não é para uma meia dúzia de gente que tem acesso à informação de outros
quadrantes e que se constituíram culturalmente dentro da escolaridade ocidental
com a ideologia cristã ocidental sem contextualização com a realidade africana.
As leis de
Moçambique devem albergar interesses mais amplos, exceto interesses que atentam
a integridade humana de fato e não ideológica de outros povos. Um dos aspectos
que necessita de melhoria e clarificação na revisão penal vigente é no
concernente as leis informáticas. É necessário haver debates profundos que se
insiram nos pressupostos da “liberdade” e democracia para não se cair nas
perseguições políticas, afinal sinais que encetam a esta tendência estão em
amostra. Há muita preocupação de certos políticos quanto a internet em especial
ao facebook por permitir a circularidade dos sentidos que mostram visões críticas
contra a forma de gestão da coisa pública. Quanto à revisão das leis da era colonial portuguesa cristã, as correções
estão em um bom caminho e é de encorajar o parlamento moçambicano.
http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/1507930/20120918
Algumas leis que suscitam alaridos de certos segmentos grupais da sociedade moçambicana.
http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/1507930/20120918
Algumas leis que suscitam alaridos de certos segmentos grupais da sociedade moçambicana.

esperemos que o CP "Mocambicano"espelhe a verdadeira realidade do pais: nao se esquecao que a maioria dos juristas na praca estudaram livros europeus e as politicas é que pssam a serem emplementadas sao dos poderosos!
ResponderExcluirEsperamos que isso aconteça. Pelo que o relator deu a conhecer parece que tudo está virado para este propósito. Contudo, esperamos mais divulgação e revisão de alguns pequenos detalhes.
ExcluirObrigado pela sua contribuição Bob.