Cossa, Lourenço
Já
ouvi por várias vezes a existência da sociedade civil em República de
Moçambique. Na realidade existe e é composta por grupos isolados de acadêmicos,
empresários “independentes”, estudantes e jovens conectadas à rede mundial de
computadores, internet.
A
presença na sociedade moçambicana destes grupos é de extrema importância na
medida em que propicia a circularidade discursiva de pontos de vistas
diversificados, situação que possibilita o espelhamento dos discursos, ideias
de vários sujeitos que compõem a moçambicanidade. Não podemos deixar de congratular
o papel da comunicação social e das tecnologias de informação na promoção da
circulação das várias posições e ideias na construção do país.
Assim,
as aparições destes grupos na sociedade servem como termômetro dos fenômenos e
acontecimentos sociais, políticos, fato que demostra de certa maneira o
exercício da cidadania e da democracia.
Mas,
no tocante às aparições destes grupos da sociedade moçambicana é caracterizada
pelas zonas de penumbra. Sucedem acontecimentos de grande relevância e que são
marcos dos destinos do país sem, no entanto, as mesmas sociedades se pronunciarem
com posições valorais pró-cidadania e democracia.
São
notórios, nas exibições midiáticas televisivas, discursos de algumas figuras públicas,
gestores de algumas instituições escolares, lideranças empresariais,
jornalistas, políticos e outras individualidades que sinalizam a existência de
uma sociedade civil forte e crítica.
Mas
em outras ocasiões referentes à animosidade política, alguns partidos da
oposição têm desconfiado das reais posições políticas da referida sociedade
civil que se afirma existir em Moçambique. Alguns segmentos da sociedade
isoladamente têm acusado que na verdade a sociedade civil em Moçambique é constituída
por membros devotos do partido governamental, portanto, um dizer ou acusação
que prontamente é sempre encarada com repúdio.
As
vozes que usualmente mais têm se posicionado publicamente desfavoráveis aos
acontecimentos sociais políticos que provavelmente podem ofuscar e perigar a
cidadania e democracia em Moçambique são as dos líderes religioso, os Arcebispos
da Beira e Maputo D. Jaime Pedro Gonçalves Alexandre, D. Francisco Chimoio e o D.
Dinis Singulane, o Bispo da Igreja Anglicana, a voz de acadêmicos como Lourenço do Rosário, as vozes de alguns editores de
jornais independentes entre outras. O grosso das chamadas sociedades civis que
aparecem na mídia oficial como encenar a cidadania e ser democrática ficam
ausentes por vezes.
Estes
posicionamentos isolados e por vezes contraditórios dos vários segmentos das
sociedades moçambicanas potencializam políticas de instabilidades e
açambarcamento dos recursos naturais e financeiros do país por um grupinho da
elite política que pelas suas ações e discursos se considera dono do país e dos
moçambicanos.
Em
um país com uma sociedade civil desorganizada, sem sindicatos apartidários e
desgarrados ao poder do partido governamental, o exercício da cidadania e
democracia ficam minados. As populações e os trabalhadores ficam desprotegidos
e qualquer ação governamental apresenta-se como um favor e não obrigação.
É
obrigação do Estado proteger seus cidadãos contra todas as formas de violência
física, moral e psicológica. Isso não é favor.
Atualmente,
as notícias vindas da mídia independente chocam-nos com notícias que apontam as
arruaças perpetradas pelos partidários da Frelimo, partido governamental. Estas
arruaças são catalisadas inclusive pelos policiais comprometidos com as agendas
partidárias, alguns presidentes de municípios governados pela Frelimo como são
os casos de Chimoio, Tete, jovens associado a grupos pró-governamental entre
outros. Estes líderes municipais, autoridades e partidários pró-governamentais destroem
bandeiras de outros partidos políticos dentro das casas e sedes dos partidos
políticos como, por exemplo, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM). Agridem
fisicamente e sob qualquer acusação sem fundamento e sem julgamento justo. A
polícia prende membros de partidos da oposição num olhar impávido dos órgãos da
justiça.
Entretanto,
a chamada sociedade civil que reclama ser e velar pela democracia não se manifesta
e muito menos se pronuncia contra as arruaças comandadas por membros do partido
governamental que se sentem com autoridade de praticas a impunidade. No entanto,
quando relatórios internacionais colocam o país em posição disfórica e distante
no estar positivo ou eufórico, comumente vimos desfiles de dirigentes
governamentais a proferir discursos de vitimização e discordantes da
classificação.
Afinal
aonde anda esta mesma sociedade civil coerente e atento aos problemas do país?
Por
que estes grupos da sociedade não se organizam para em viva voz questionar as
autoridades judiciárias, policiais, para se mexerem e coagir dirigentes do
partido FRELIMO a respeitarem a constituição de Moçambique e cessar com as
intimidações perpetradas por seus membros a outros partidos?
Que
democracia é esta que está se construindo em Moçambique?
Da
exclusão de moçambicanos pelas cores partidárias, condição social ou da
integração de todos?
Uma
sociedade civil organizada e ativa é capaz de se fazer junto às sociedades
moçambicanas na promoção da cidadania e participação social. A sua presença na
sociedade através da educação cívica desvinculada à partidos políticos pode,
certamente obrigar aos políticos a respeitarem o povo moçambicano e a Constituição
da República e assim proporcionar-se a construção de uma sociedade mais justa e
fraterna.
Somos
diferentes, mas somos moçambicanos e nalgum momento temos que ultrapassar as
nossas diferenças, as práticas nefastas à estabilidade e integridade humana.
Respeito à pessoa humana já.

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