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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

GRITO DE SOCORRO - SOCIEDADE CIVIL EM MOÇAMBIQUE: Aonde anda?

Cossa, Lourenço
Já ouvi por várias vezes a existência da sociedade civil em República de Moçambique. Na realidade existe e é composta por grupos isolados de acadêmicos, empresários “independentes”, estudantes e jovens conectadas à rede mundial de computadores, internet.
A presença na sociedade moçambicana destes grupos é de extrema importância na medida em que propicia a circularidade discursiva de pontos de vistas diversificados, situação que possibilita o espelhamento dos discursos, ideias de vários sujeitos que compõem a moçambicanidade. Não podemos deixar de congratular o papel da comunicação social e das tecnologias de informação na promoção da circulação das várias posições e ideias na construção do país.
Assim, as aparições destes grupos na sociedade servem como termômetro dos fenômenos e acontecimentos sociais, políticos, fato que demostra de certa maneira o exercício da cidadania e da democracia.
Mas, no tocante às aparições destes grupos da sociedade moçambicana é caracterizada pelas zonas de penumbra. Sucedem acontecimentos de grande relevância e que são marcos dos destinos do país sem, no entanto, as mesmas sociedades se pronunciarem com posições valorais pró-cidadania e democracia.
São notórios, nas exibições midiáticas televisivas, discursos de algumas figuras públicas, gestores de algumas instituições escolares, lideranças empresariais, jornalistas, políticos e outras individualidades que sinalizam a existência de uma sociedade civil forte e crítica.
Mas em outras ocasiões referentes à animosidade política, alguns partidos da oposição têm desconfiado das reais posições políticas da referida sociedade civil que se afirma existir em Moçambique. Alguns segmentos da sociedade isoladamente têm acusado que na verdade a sociedade civil em Moçambique é constituída por membros devotos do partido governamental, portanto, um dizer ou acusação que prontamente é sempre encarada com repúdio.
As vozes que usualmente mais têm se posicionado publicamente desfavoráveis aos acontecimentos sociais políticos que provavelmente podem ofuscar e perigar a cidadania e democracia em Moçambique são as dos líderes religioso, os Arcebispos da Beira e Maputo D. Jaime Pedro Gonçalves Alexandre, D. Francisco Chimoio e o D. Dinis Singulane, o Bispo da Igreja Anglicana, a voz de acadêmicos como Lourenço do Rosário, as vozes de alguns editores de jornais independentes entre outras. O grosso das chamadas sociedades civis que aparecem na mídia oficial como encenar a cidadania e ser democrática ficam ausentes por vezes.
Estes posicionamentos isolados e por vezes contraditórios dos vários segmentos das sociedades moçambicanas potencializam políticas de instabilidades e açambarcamento dos recursos naturais e financeiros do país por um grupinho da elite política que pelas suas ações e discursos se considera dono do país e dos moçambicanos.
Em um país com uma sociedade civil desorganizada, sem sindicatos apartidários e desgarrados ao poder do partido governamental, o exercício da cidadania e democracia ficam minados. As populações e os trabalhadores ficam desprotegidos e qualquer ação governamental apresenta-se como um favor e não obrigação.
É obrigação do Estado proteger seus cidadãos contra todas as formas de violência física, moral e psicológica. Isso não é favor.
Atualmente, as notícias vindas da mídia independente chocam-nos com notícias que apontam as arruaças perpetradas pelos partidários da Frelimo, partido governamental. Estas arruaças são catalisadas inclusive pelos policiais comprometidos com as agendas partidárias, alguns presidentes de municípios governados pela Frelimo como são os casos de Chimoio, Tete, jovens associado a grupos pró-governamental entre outros. Estes líderes municipais, autoridades e partidários pró-governamentais destroem bandeiras de outros partidos políticos dentro das casas e sedes dos partidos políticos como, por exemplo, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM). Agridem fisicamente e sob qualquer acusação sem fundamento e sem julgamento justo. A polícia prende membros de partidos da oposição num olhar impávido dos órgãos da justiça.  
Entretanto, a chamada sociedade civil que reclama ser e velar pela democracia não se manifesta e muito menos se pronuncia contra as arruaças comandadas por membros do partido governamental que se sentem com autoridade de praticas a impunidade. No entanto, quando relatórios internacionais colocam o país em posição disfórica e distante no estar positivo ou eufórico, comumente vimos desfiles de dirigentes governamentais a proferir discursos de vitimização e discordantes da classificação.
Afinal aonde anda esta mesma sociedade civil coerente e atento aos problemas do país?
Por que estes grupos da sociedade não se organizam para em viva voz questionar as autoridades judiciárias, policiais, para se mexerem e coagir dirigentes do partido FRELIMO a respeitarem a constituição de Moçambique e cessar com as intimidações perpetradas por seus membros a outros partidos?
Que democracia é esta que está se construindo em Moçambique?
Da exclusão de moçambicanos pelas cores partidárias, condição social ou da integração de todos?
Uma sociedade civil organizada e ativa é capaz de se fazer junto às sociedades moçambicanas na promoção da cidadania e participação social. A sua presença na sociedade através da educação cívica desvinculada à partidos políticos pode, certamente obrigar aos políticos a respeitarem o povo moçambicano e a Constituição da República e assim proporcionar-se a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
Somos diferentes, mas somos moçambicanos e nalgum momento temos que ultrapassar as nossas diferenças, as práticas nefastas à estabilidade e integridade humana. Respeito à pessoa humana já.

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