O NEOCOLONIALISMO VINDO COM
AVAL DE GOVERNOS DESCOMPROMISSADOS COM O BEM ESTAR DE POVOS DE SEUS PAISES
COSSA,
Lourenço
Brics rejeitam acusações de serem "novos imperialistas" na África.
"Brics, não dividam a África"
diz um cartaz no salão de uma igreja no centro de Durban, onde ativistas da
sociedade civil juntaram-se para lançar um olhar crítico sobre a cúpula dos
cinco poderes globais emergentes. Ativistas anti-pobreza afirmam que as grandes empresas dos Brics que atuam na
África buscam o lucro, assim como as empresas do mundo rico. Os chineses e
outros líderes dos Brics rejeitam indignados às críticas de que o grupo
representa um tipo de "sub-imperialismo". A gigante brasileira da
mineração Vale, nomeada em 2012 pelo
grupo suíço sem fins lucrativos Public Eye como a empresa com o maior "desprezo para o meio ambiente e os direitos
humanos" no mundo. O presidente da Associação Mato-Grossence dos
Produtores de Algodão (Ampa) afirmou que “Moçambique é um Mato Grosso no meio
da África, com terra de graça, sem tanto
impedimento ambiental e frete mais barato para a China”. O ProSavana,
projecto para a produção de soja e outros alimentos para a exportação pelas
empresas brasileiras abrangerá uma área estimada em 14,5 milhões de hectares
nas províncias de Nampula, Niassa e Zambézia, onde cerca de 5 milhões de camponeses vivem e produzem alimentos
para o abastecimento local e regional.
Jornais: CanalMoz
e A Verdade – 25/03/2013 e 27/03/2013.
É
com estas palavras tiradas dos Jornais CanalMOz e A Verdade que inicio a minha
explanação para reforçar a chamada de atenção que muitas organizações da
sociedade civil e políticos vêm fazendo contra os chamados “investimentos” dos
Brics entre outros e, de certa forma colocar a minha contestação ao modelo de “desenvolvimento”
que o governo de Moçambique insiste em impor ou trazer, desalojando os agricultores
de suas terras em favor da neocolonização.
Várias
vozes alertam para o neocolonialismo dos países dos BRICS e não é para menos.
Em Moçambique, em pouco tempo, a empresa brasileira já deu sinais claros de
suas pretensões colonizadoras e escravocrata que sempre privilegiou em seu
país, Brasil. As empresas chinesas em conluio com as elites políticas governamentais
abatem desenfreadamente florestas, animais como elefantes e rinocerontes para
extrair seus chifres rumo ao seu país. A África do sul retém água dos rios e
Moçambique fica castigado com as secas, mas quando chove muito por lá abre as
comportas, matando moçambicanos quase anualmente, além de pagar preço barato
pelo gás e eletricidade. Gasodutos saem dos poços indo direto para África do
Sul, onde lá é beneficiado e depois volta engarrafado e caro para Moçambique e
para os moçambicanos.
No
tocante a agricultura, vozes descontextualizadas com o cenário de
desenvolvimento dos agronegócios defendem que o ProSavana com as suas grandes
empresas agrícolas vem para desenvolver a agricultura em Moçambique. Defendem
que a produção em grande escala visa/dará emprego aos moçambicanos.
Ilusão
pura. A monocultura, tal como fez e continua a fazer no Brasil é o desgaste para
a terra, contaminação dos solos, lençóis freáticos, a poluição do meio ambiente
e nada de emprego aos moçambicanos. Os poucos que poderão serem empregues
viverão apenas pouquíssimos anos, pois estarão contaminados pelas pesticidas,
fungicidas, os venenos diversificados e pior, sem proteção do Estado
moçambicano. É claro que quem ganhará é a pequena elite política, afinal este
não tem nenhum compromisso com o desenvolvimento do país efetivamente.
Entenda-se
que desenvolvimento de Moçambique não implica que a terra chamada Moçambique tenha
prédios sofisticados, grandes extensões de terras com monoculturas de soja, mas
sim que o povo moçambicano produza seus bens e comercialize ganhando. Implica
que o povo moçambicano tenha seus bens/propriedades preservadas. Significa viver
em suas casas, prédios sofisticados em detrimento de assistir e ver que se
constróem prédios com arquitetura arrojada e lá vivem brancos/estrangeiros e
elites da Frelimo. Isso não é desenvolvimento. Isso é exploração de nossos
recursos e nosso país. Isso é exclusão social, racial e econômica.
Aliás,
falando em exclusão racial e econômica, não há como ficar indiferente. Em
Moçambique os brancos recebem mais que os negros, donos do país nas empresas,
mesmo que desempenhem as mesmas funções e tenham habilitações similares.
Empresas oferecem aos portugueses, por exemplo, salários acima dos 50% da média
de Portugal em Moçambique, diz econômico.sapo.pt/noticiais.
Nenhum
país já cresceu a partir da exploração de seus recursos por entidades
estrangeiras e vendo-os enriquecendo às custas de seu suor e sangue derramados
de suas populações. A terra em Moçambique se conquistou. São nossos pais,
irmãos, avós que conquistaram a nossa terra e, as consultas que os governantes
dizem fazerem, desalojando as populações e depois oferecer gratuitamente aos
Brasileiros, Japoneses ou seja quem quer que seja é aleatória e agride a
integridade dos moçambicanos. Agride o sangue derramado dos moçambicanos. Isso
chama-se tirania e merece repulsa e se for preciso uso da força (António
Muchanga, 2013).
Afugenta
investidores, sim, mas voltam depois.
Os
moçambicanos, as populações da Zambézia, Nampula, Niassa não devem se iludir.
Os fazendeiros brasileiros têm a fama de semear intrigas entre as populações.
Formam matadores/pistoleiros para silenciar quem se opõe a seus interesses.
Aliás, a este respeito já demonstraram na gestão dos conflitos em Tete que os
opõem com as populações de Cateme. Para o cúmulo do absurdo, exemplos ou sinais
de neocolonialismo já mostraram quando o governo brasileiro tentou inviabilizar
a participação do ativista moçambicano do meio ambiente ao RIO + 20. O
ProSavana não trará desenvolvimento nenhum às populações das províncias
nortenha da Zambézia, Nampula e Niassa. Não será desenvolvimento dos
moçambicanos ver-se grandes áreas (14,5 milhões de hectares com culturas de
soja), mas sim utopia do desenvolvimento. As populações verão as suas antigas
terras usurpadas pelo governo em conluio com empresas estrangeiras a produzirem
culturas que nunca havia visto na vida. Não há diferença entre estas e as
companhias que funcionaram no tempo colonial. A diferença é que estas foram
impostas por governantes que acham que o povo não pensa e que é sua
propriedade.
Para
haver desenvolvimento não precisa que o povo seja desalojado das suas terras e
sim que se canalizem conhecimentos, esforços materiais e tecnológicos no
sentido de potencializar as mesmas populações em tecnologias agrícolas de
produção precisa dentro do sistema familiar. A preparação dessas mesmas
populações em saberes tecnológicos ao ponto de verem suas terras como
susceptíveis de constituírem empresas agrícolas dentro do espírito empreendedor
é o que deve nortear as políticas de desenvolvimento do meio rural. E por fim cabe
a responsabilidade do mesmo governo criar políticas de proteção dos
agricultores e de suas produções de modo a obter-se vantagens na
comercialização. Entrar dinheiro no bolso dos agricultores moçambicanos.
Facilitar
a vida dos brasileiros, japoneses ou chineses não é desenvolver os
moçambicanos, mas sim cavilhar/prejudicar os nativos.
Cabe
ao governos criar agências de promoção de gestão e agronegócio, disponibilizar
técnicos para assistir os camponeses periodicamente, além de estimular a
formação continuada em matéria de novas tecnologias de produção, comercialização
e novos hábitos de consumo. Não há nenhum país cujo seu desenvolvimento
agrícola nasceu naturalmente. Todos submeteram seus povos à formação,
assistências agrícola e comercialização. Experiências do gênero são a razão de
desenvolvimento do agronegócio e da eliminação da miséria no meio rural
brasileiro e não no latifúndio. Se se quer desenvolver os agricultores e a
agricultura no meio rural por que não se canalizam experiências, por exemplo,
da Emater, Senar, organismos que formam e acompanham o desenvolvimento dos
agricultores brasileiros?
Pedra
Pedra Construindo novo dia, Milhões de Braços, Uma só força, Oh, Pátria amada
Vamos vencer.
