COSSA, Lourenço
Em muitas das minhas intervenções apelei o despertar
da sociedade civil em Moçambique, pois a considerava instrumento do partido no
poder. Os factos mostrava este estar, alias, a mesma sociedade civil que se
fazia através das várias associações penetrava, por exemplo, nas Comissão Nacional
das Eleições, Organização Nacional dos Professores (ONP) e em outras “organizações
da sociedade civil”, mas com as ambições voltadas para os interesses do
partido o poder e em cargos
governamentais. São muitos os exemplos
de individualidades cuja sua inserção partiu da capa da sociedade civil, mas
que ao fim ao cabo se colocaram alheios aos interesses das sociedades civis de
facto.
Esta situação parece se mostrar contrário. Vimos neste
ano a líder da ONP a refutar a candidatura do então Presidente da Comissão
Nacional de Eleições, o Leopoldo da Costa em nome desta organização dos
professores.
Mas uma das mais expressivas demonstrações da tomada
da palavra e atitude da sociedade civil se viu com as manifestações pacíficas
organizadas e coordenadas pela Liga dos Direitos Humanos no dia 31 de outubro
de 2013.
A sociedade civil se mostrou em massa e deu sinais
claras que tem ou pode ter uma palavra a dar neste cenário político que se
mostra desfavorável para o gozo da integridade humana dos moçambicanos.
Juntou-se para dar recado ao governo-Estado da Frelimo que não está a gostar e
muito menos conformado com o rumo com que as coisas estão tomando. Compreendeu
que a crise político-militar que está a crescer sob a direção do partido o poder dizimará seus filhos enquanto os
filhos das elites no poder, do partido Frelimo permanecerá como de costume nas
suas mansões, estudos e vida no exterior intocáveis.
A mesma sociedade civil se apercebeu de que apoiar
discursos inflamados e de tendência a cultuar a intolerância política,
econômica (já que ser do partido da oposição é sinônimo da exclusão nos postos
de chefias e mesmo no emprego condigno) conduz a violência.
Finalmente saiu do armário e se fez à rua manifestando
pacificamente, o que foi muito positivo na construção da Democracia de que
tanto costumamos a pronunciar. Espera-se que está atitude seja o início de uma
visão tendente a olhar para seus interesses e não para os interesses de meia
dúzia de moçambicanos que pensam que por ter lutado para a independência tem
por direito de pilharem todas as riquezas do país e empurrar seus
povos/moçambicanos para a pobreza e mendicidade. Sim, mendicidade porque todas
as formas de exclusão colocam os elementos marginalizados na mendicidade,
descrédito, perda da dignidade e como consequência a sua luta pela sobrevivência;
sobrevivência essa que em muitos dos casos têm resultados imprevisíveis.
Podemos afirmar com toda certeza que o cenário que se
vive na atualidade da guerra no centro do país é o culminar desta exclusão,
afinal os membros da oposição perderam a sua dignidade perante o olhar impávido
da mesma sociedade civil. Todos nós sabemos/sabíamos que em Moçambique ser
conotados como membro da oposição é sinônimo da violência psicológica e em
certos casos física nas instituições públicas e em sectores privados nas zonas urbanas
e rurais e, sempre ficamos indiferente mediante a esta situação.
A última gota de agua no copo foi ao rubro e o líquido
derramou na mesa. A guerra já se faz sentir e Moçambique. Apesar do governo
estar a gerir esta guerra através do abafamento da informação, hipoteticamente
para não criar grande impacto e repúdio generalizado ou abrir grande fissuras
na mesma sociedade civil, no terreno das operações da guerra está-se a morrer.
Militares, filhos dos moçambicanos que não estudam no
exterior e não moram nas mansões estão a morrer em Gorongosa/Maringué - Sofala.
O governo, em cada incursão das forças armadas governamentais
(Frelimo) informa através dos órgãos da informação que não houve feridos nem
mortos em ambos os lados (Homens da Renamo e forças governamentais/Frelimo).
Esta informação tem propósito, na nossa óptica, de abafamento do impacto da
guerra e vedar a percepção das sociedades civis e com isso evitar grande
pressão para o fim rápido desta violência armada.
Contudo, as informações paralelas dão conta de mortes
em dezenas (mais de 3 dezenas). Isso mostra que ao governo interessa guerra em
detrimento da paz. Fala da disposição de dialogar, mas promove paralelamente a
carnificina de nossos filhos, irmãos, tios, pais.
Assim, é chegada a hora desta mesma sociedade civil mostrar
o quão grande é e atenta, manifestando pacificamente até que a paz volte a
sorrir em nosso país, Moçambique. É a mesma sociedade civil que deve fazer
campanhas de educação cívica, mostrando ao eleitorado que deve votar consciente,
elegendo em quem promoverá a sua dignidade humana, respeitar valores da moral.
Deve sensibilizar o eleitorado a abster-se de votar em candidatos que se filiam
nos discursos assentes na intolerância política, em atitudes que se mostram pró-atos
da corrupção e vícios que denigre as sociedades moçambicanas.
Pedra pedra construindo novo dia
Milhões de braços, uma só força
Ó pátria amada vamos vencer

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