COSSA, Lourenço
O que podemos dizer acerca do governo de Moçambique em
torno das questões sensíveis na vida humana?
Estamos em meio de duas semanas, período que surgiram
acontecimentos de realce. Primeiro o despenhamento do avião da companhia aérea
moçambicana – Estatal, as Linhas Aéreas de Moçambique, primeiro acidente do
gênero depois da independência nacional.
O segundo acontecimento é referente à morte do
primeiro presidente negro da República da África do Sul – pós-Apartheid, o
líder carismático símbolo da liberdade, da inclusão e humildade do ser humano
estamos a nos referir do Madiba, ou seja, Nelson Kholihlahla Mandela.
Os dois acontecimentos são dignos de realce no nosso
blog, pois suscita a emergência de sentimentos de consternação, perda de um ser
humano. Vimos consternação de sociedades de vários países perante estes
sucedidos, tanto no que toca as perdas humanas no despenhamento do avião
moçambicano onde pereceram vidas de nacionais e de nacionalidades de países
como Angola, China, Portugal, Brasil como na morte do símbolo da liberdade na
África do Sul e no mundo, o líder Nelson Madela.
Fato curioso e para bem dizer, humano, sociedades de
outros países mostraram sua sensibilidade homenageando tanto o caso do
despenhamento do avião da companhia moçambicana e a perda irreparável do líder
histórico da África do Sul e do mundo. Países como os Estados Unidos da América
(EUA), Venezuela e muitos outros hastearam suas bandeiras a meio mastro.
Um fato curioso/humano é que em Moçambique vê-se as
embaixadas acreditadas no país com as suas bandeiras a meio mastro e, no
entanto, Moçambique, o Estado moçambicano se mostrando completamente
indiferente perante a estes sucedidos. Nada de bandeira moçambicana a meio
mastro, nem em referência ao despenhamento do avião moçambicano cujo se ceifou
vidas humanas nem em reconhecimento do homem “que tanto ajudou Moçambique do
que Venezuela ou EUA” Salomão Moiane (STV – Pontos de Vista).
No dia que se seguiu à quinta feira, dia 6 de dezembro
de 2013, assistiu se figuras do Estado moçambicano nos écrans televisivos a
proferirem dizeres que apontam a pessoa de Nelson Mandela como sinônimo da
Liberdade, Paz, Inclusão. Vimos estes dirigentes a reforçarem seus discursos
referindo que o legado daquele líder era inspirador para eles e para o mundo. A
questão é: se é inspirador porque estes governantes de Moçambique, em
particular continuam a alimentar/estimular a exclusão e ódio entre os
moçambicanos, partidarizando a função pública/Estado e descriminando Outros
nacionais? Porque não acabam com a guerra desnecessária que está a dizimar e
deslocando das suas terras e casas seres humanos (soldados, homens da Renamo e
civis) em Sofala-Gorongosa e em outros pontos deste vasto Moçambique?
Até quando prevalecerá a arrogância em detrimento da
humildade e um olhar para o povo moçambicano?
Ainda no tocante as questões da sensibilidade, vimos ha
um mês atrás moçambicanos organizados pela Liga dos Direitos Humanos a
manifestarem pacificamente em repúdio à guerra civil que já é realidade no
centro do país, província de Sofala e Nampula e, em contrapartida viu-se membros
do governo a tentarem em vão lançar a contrainformação, persuadindo a sociedade
civil a não aderir às referidas manifestações de repúdio à guerra civil e ao
agudizar dos raptos que a cada dia crescem no país.
Urge se indagar de que mundo são estes governantes de
Moçambique? Aonde e de que nasceram e é de uma mãe? Será que em algum dia na
vida já choram? Se é que já, isso aconteceu porque haviam perdido algo material
ou humano?
8/12/2013