Cossa, Lourenço
Dada a importância da agricultura na produção alimentar e na possibilidade de se eliminar as carências alimentares no continente africano e sobretudo no concernente ao comprometimento da produção e aumento dos alimentos no mundo até 2020, o grupo de países industrializados que fazem o bloco do "G8 lança o projeto de produção agrícola em Moçambique" - In: Jornal o País, 01/10/2012.
De facto o sector agrícola mercê muita atenção de todos os intervenientes da sociedade moçambicana e é necessário que haja estruturação organizada e eficiente do sector acompanhada pela sensibilização destes intervenientes ao comprometimento com a produção dos alimentos de modo a se orientar os produtores, camponeses para a produção em quantidade e qualidade.
Existe a necessidade de se produzir, encaminhar e estimular extensionistas devidamente formados às zonas rurais e, sobretudo, extensionistas comprometidos com a produção e produtividade no campo. A permanência destes profissionais nas zonas rurais não deve se fazer como simples visitação aos camponeses ou se fazer por meio de relações verticais sujeitos com conhecimentos versus camponeses sem nenhum saber e assim pessoas susceptíveis a ouvirem simplesmente. Deve sim permitir que o campo seja ou se transforme em moradia e lugar de pertencimento.
A permanência destes profissionais
no campo não deve ser uma ação isolada. Deve ser acompanhada pela formação
continuada e permanente dos produtores em tecnologias que melhore a produção
rural dos diversos produtos. Na atualidade as tecnologias para a produção agrícola
estão avançadas que em um hectare de milho, por exemplo, um agricultor é capaz
de produzir mais de nove (9) toneladas. É possível se produzir mais em uma área
pequena utilizando tecnologias de irrigação que evite desperdícios de água ou
se produzir mais em uma área com pouca água.
Moçambique possui terras férteis
e, no entanto produz menos e não consegue responder as suas populações em
termos de alimentação e para piorar enfrenta uma série de dificuldades no
escoamento e comercialização da pouca produção dos camponeses.
Por outro lado temos países
como Israel com poucas terras produtivas e sem água em abundância, mas que em
contrapartida produz mais e exporta mais alimentos para muitos países. É nesta
ordem de ideias que urge se estabelecer instituições de formação e orientação
permanente dos camponeses nas zonas rurais para além de se disponibilizar insumos
agrícolas seguidas pelo acompanhamento e assistência na comercialização. Só
assim é que o camponês e alguns segmentos que populam as zonas urbanas vindos
do campo se sentirão estimulados a permanecer nas zonas rurais e ao trabalho
árduo.
Há necessidade de sabermos
que não são as instituições ou entidades estrangeiras que trabalharão ou que produzirão
alimentos por nós em Moçambique. Eles podem sim financiar. Mas cabe a nós como
povo e nação soberana definirmos políticas concretas de como e para que
produzir alimentos no país.
Pedra pedra construindo
novo dia. Milhões de braços uma só força. Vamos vencer.

Obrigado Cossa por este comentario importantissimo. Eu acho que temos muito boas politicas para alavancar o sector agrario mas temos muito defice na implementacao e no comprometimento politico para a implementacao das estrategias. Por exemplo, sabemos ja ha muito tempo que apenas 5% de camponeses usam insumos melhorados e sem insumos melhodados nao podemos aumentar a produtividade. Tambem sabemos que a distancia para uma loja de insumos e cerca de 70 km em Mocambique contra 3 km no Kenya. O que estamos a fazer para o estabelecimento de pequenas lojas de insumos nas zonas rurais? Que servicos de apoio a esta dinamica estamos a colocar ao nivel dos distritos? Por outro lado, alguns camponeses devido ao limitado acesso ao mercado nao tem incentivo para comprarem insumos. Jaquelino Massingue
ResponderExcluirO comentário do Massingue enriquece muito esta temática. Trás dados importantíssimos para a reflexão concreta sobre as políticas agrícolas adotadas em Moçambique. Conforme explana, Acredito que em termos discursivos pode ser que tenhamos escritos, projetos que de facto podem alavancar a agricultura. Provavelmente pode faltar o comprometimento, e instituições responsáveis pela execução dos projetos agrícola por parte das lideranças internamente. As populações das zonas rurais são essencialmente agricultores e certamente projetos que possam proporcionar a produção podem surtir efeitos desejados.
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