Cossa, Lourenço
Em meio das informações que apontam
a volta do líder do maior partido da oposição Resistência Nacional de
Moçambique (Renamo), Afonso M. Dlhakama, às matas da antiga base militar em
Gorongosa, distrito da província de Sofala adicionado às informações postas em
circulação referindo a contratação de mercenários estrangeiros, zimbabweanos e
sul-africanos para assassinar aquele líder, o governo veio à público desmentir
O Governo, através do porta-voz do partido governamental acusa a notícia da
contratação de mercenários como infundada e adianta referindo que o governo
pauta pelo diálogo e está aberto ao diálogo.
Contudo, jornais independentes
confirmam a instalação de mais ou menos três bases militares comandadas pelas
Polícias de Intervenção Rápida (FIR), Grupo de Operações especiais (GOE) e Serviços
da Inteligência e Segurança do Estado (SISE) nas redondezas do Distrito de
Gorongosa e confirma-se o clima tenso instalada na região pelas movimentações
de policiais e pessoas a paisana nunca vistas pelas populações locais, situação
que está a mudar o curso normal de vida das populações lá existentes. É difícil
ir e vir nos distritos de Gorongosa e nas zonas circunvizinhas.
O jornal Savana do dia 2 de
novembro reporta prisões das populações locais que se fazem à rua a noite sem o
Bilhete de identidade (BI), prisão e estupros das mulheres que desenvolvem atividades
sexuais nas localidades de Inchope em Manica, onde foram instaladas as bases
militares nos últimos dias.
Uma cidadã de nome Mery Jeremias, entrevistada
pelos jornalistas do Savana reportou que “às
mulheres, a FIR exige Bilhete de Identidade (BI)e/ou ‘receita’. Em caso de não
ter ‘faturada’, as trabalhadoras do sexo são obrigadas a passar uma ‘noite
grátis’ na cela do posto policial local. Aos homens exige-se BI e se não
apresentarem terão ‘direito’ à chicotadas/porrada”. Savana, 02/11/2012.
No permeio desta questão algumas
poucas vozes da sociedade civil influente aponta a necessidade do governo
estabelecer diálogo. Lembra-se que esta prática se mostrou pouco visível dentro
do governo moçambicano liderado pelo partido Frelimo, situação que coloca
alguns setores reticentes quando a persistência da paz aparente que se
verificava desde 1992 em Moçambique.
Entre disse e não disse, cidadãos
moçambicanos se dividem entre discursos pró-dizer governamental e outros a
apelarem a necessidade da paz douradora dentro da interação equilibrada entre
os atores políticos e sociais.
Uma coisa que merece ser anotado é
referente às posições díspares entre cidadãos comuns, uma vez que se houvem
vozes a ignorarem as preocupações do líder da Renamo embora estas constituírem parte das preocupações de muitos cidadãos que se sentem inseguros e
injustiçados com o sistema de interferência negativa partidária governamental
na vida social do país.
Lembra-se que aquele líder
manifesta-se contrário com as perseguições e exclusão política em todas as
instâncias do Estado, a proliferação das células do partido no poder em todas
as repartições pública, acarretando nas intimidações, descontos coercivos nos
ordenados dos trabalhadores, na usurpação dos recursos naturais e finaceiros de
estado por um grupinho político no poder em detrimento da distribuição de renda
equitativa, na inviabilização das ações partidárias dos partidos da oposição entre
outros problemas que preocupam a estabilidade e democracia, além do cumprimento
das cláusulas do acordo geral de Roma que pôs fim a guerra civil em 1992.
Perante a total banalização da sua
imagem somada com as perseguições políticas e sociais de militantes de partidos
da oposição ou qualquer moçambicano que contestem a forma de governação e,
ainda agravada pelo fato de não existir abertura para diálogo por parte do
governo este líder da oposição resolveu sair da cidade de Nampula onde morava
nos últimos anos e voltar para antiga base militar nas matas de Sofala.
As reclamações deste líder, em
muitos casos caem no deslocamento perante a mídia e em diferentes cidadãos, mas
no geral constituem preocupação da maioria dos moçambicanos, afinal todos
querem se sentir parte na construção de Moçambique e usufruir dos recursos que
o país possui.
Entre os discursos que preocupa
trazemos um recorte discursivo de internautas do jornal eletrônico O País em
que no meio desta questão manifesta da seguinte forma:
- Em Moçambique só existe povo moçambicano qual esse povo que quer a
guerra? O povo sabe o que quer. É a harmonia e o desenvolvimento pelo esforço
próprio. Por mais que se mude para outro governo, não irá satisfazer por
completo todas as necessidades individuais. O Sr. Dlakama deve se convencer nisso. MC;
- Esses sururus todos em que a Renamo tem criado só servem para criar
instabilidade no país. MT;
- A Frelimo dialogante? A mesma que faz tudo por tudo para empurrar o MDM à
guerra? AAK;
- Eu estou contra as mortes, mas este senhor, sinceramente Moçambique não
perderia nada. Então cada vez que um moçambicano não está de acordo com a governação do País tem que recorrer as armas? JFN;
Como se visualiza, dentro do
discurso de alguns cidadãos, somos interpelados e confrontados pelos dizeres
que tendem a convencer os moçambicanos de que não adianta a democracia, pois
mesmo que entre outro governo as coisas permanecerão na mesma.
Uns encorajam agentes
governamentais a assassinar aquele líder e outros mostram a dúvida quanto ao
dizer que apontam a abertura do diálogo do governo ∕ partido.
Visualiza-se a ausência do diálogo
e coesão social em Moçambique, situação que faz emergir sinais da intolerância
e discursos belicistas. Este estar não se verifica apenas em alguns segmentos
da população, mas em grande parte dos partidários governamentais. Relega-se o
diálogo em favor da instabilidade.
Desde a independência nacional em
1975, o país esta a ser governado pelo mesmo partido, a Frelimo e como é que as
coisas podem ser as mesmas se houver alternância do poder em Moçambique se
moçambicanos nunca experimentaram outras possibilidades governativas?
Discursos como estes são os que perpetuam sistemas de poder mesmo que se mostrem em desconexão com interesses mais amplos
do povo. São discursos que teimam em lutar contra o desenvolvimento,
democracia, implantando sistemas de ditaduras e tirania. Discursos como essas
servem para perpetuar a ideologização das pessoas.
Um recorte do hino nacional refere - pedra pedra construindo novo dia, Milhões de braços uma só força, Ó pátria amada vamos vencer. São milhões de moçambicanos que podem desenvolver Moçambique e não um punhado de gente.
Entre o dito não dito da parte da oposição e do governo, ninguém sabe ao certo o que está acontecer no terreno. O que todo mundo sabe é que as revindicações daquele opositor são legítimas, pois constituem preocupação da maioria dos moçambicanos que se sentem prejudicados com o direito exclusivo de militantes pró-governamentais na partilha dos recursos de que o país possui. A maioria dos moçambicanos está ciente que não querem guerra, mas também não coabitam com as perseguições políticas e a exclusão social e política.
Um recorte do hino nacional refere - pedra pedra construindo novo dia, Milhões de braços uma só força, Ó pátria amada vamos vencer. São milhões de moçambicanos que podem desenvolver Moçambique e não um punhado de gente.
Entre o dito não dito da parte da oposição e do governo, ninguém sabe ao certo o que está acontecer no terreno. O que todo mundo sabe é que as revindicações daquele opositor são legítimas, pois constituem preocupação da maioria dos moçambicanos que se sentem prejudicados com o direito exclusivo de militantes pró-governamentais na partilha dos recursos de que o país possui. A maioria dos moçambicanos está ciente que não querem guerra, mas também não coabitam com as perseguições políticas e a exclusão social e política.
Lembra-se que em Moçambique ter um
cartão do partido no poder define em grande medida o sucesso e a
empregabilidade nas instituições do Estado e de participação do Estado. Daí
haver necessidade de uma ação consertada e vigorosa das pessoas comprometidas
com o bem comum de modo a pressionar o governo a dialogar e evitar uma guerra
desnecessária. Um conflito armado não é benéfico para democracia, para
moçambicanos que estão ávidos em investir e desenvolver no seu país.
Se houvesse diálogo nas estâncias governamentais, ter-se-ia deixado a transmissão em direto na mídia televisiva a apelação do ideólogo da Frelimo em favor do diálogo no seu do partido. Pelo contrário, quando este político criticava algumas anomalias no seio do coletivo partidário houve interrupção forçada a todos os jornalistas que cobriam o evento. Proibiu-se a mídia de reportar qualquer coisa que mostraria a existência do diálogo.
Se houvesse diálogo nas estâncias governamentais, ter-se-ia deixado a transmissão em direto na mídia televisiva a apelação do ideólogo da Frelimo em favor do diálogo no seu do partido. Pelo contrário, quando este político criticava algumas anomalias no seio do coletivo partidário houve interrupção forçada a todos os jornalistas que cobriam o evento. Proibiu-se a mídia de reportar qualquer coisa que mostraria a existência do diálogo.
Se
existisse diálogo não se correria o risco de perseguir, excluir este líder da
oposição e militantes de todos partidos da oposição. Foi este partido que
obrigou o governo monopartidário a ir à mesa para dialogar e permitir a
democracia em Moçambique.
Entre
dito e não dito há que realçar que muita informação é inacessível para mídia e
para moçambicanos. Como é que informações dessa natureza podem vazar se nem
para um Zé ninguém pesquisador qualquer não consegue obter determinadas
informações ∕ dados importantes
para a área científica ∕ acadêmica que
provavelmente poderiam contribuir no esclarecer algumas questões e quiçá
desenvolver de Moçambique? Convidaria ao leitor a ver as entrelinhas do
pronunciamento do Ministro da Defesa aquando da sua saída do conselho de
ministro (http://www.verdade.co.mz/nacional/31777-ministro-da-defesa-diz-que-afonso-dlhakama-merece-proteccao).
O
seguinte excerto mostra a provável gravidade da questão:
- As forças armadas
não estão para matar pessoas que dialogam e que produzem debates, porém está
previsto na constituição da República que quem violar o território, por vias
externas ou internas, as forças da defesa podem responder. Mas até ao momento
não há motivos para tal. Agora, se de fato, Dlhakama sente-se ameaçado deve ir
às instituições próprias como esquadras e fazer a devida notificação porque ele
merece proteção.
Ministro da Defesa Filipe Nhussi - 30∕10∕2012.
O
Ministro manda aquele líder da oposição fazer queixa em qualquer esquadra
policial num cenário em que estes agentes do estado em grande medida cumprem
agendas partidárias do poder governamental numa total parcialidade política.
Este
discurso indica zonas de penumbra consistente. Toda decisão se delega ao
próprio líder da oposição. O governo fica isento de qualquer responsabilidade.
O ministro está a ameaçar e banalizar a figura política daquele que foi
responsável por dezesseis anos pela paragem do projeto monopartidária de
marxismo-Leninista adotada pelo governo inicialmente. É como quem quer dizer –
você não mete medo a ninguém. Isso quer dizer algo que nós cidadãos comuns não
sabemos nada do que está a acontecer na realidade e muito menos conseguimos ver
a olho nu.
Cenários
prováveis – Ensaio de invasão a possível reação deste partido em termos de seu
poder de fogo e a consequente decretação do Estado de Sítio. Assim, adeus às
eleições e prolonga-se a chefia atual na administração do país, perpetuando o
nepotismo, a corrupção e a delapidação dos recursos naturais e financeiros. O
segundo - assassinato do líder Dlhakama e abrir-se o cenário angolano em que o
presidente é Deus. É que decide o que e quem fazer isto ou aquilo.
Um
fato é que quando eclodir mais uma guerra civil não serão os filhos deste
punhado de gente agarrado ao poder que irá a guerrear no terreno e defender
seus os interesses. São filhos dos moçambicanos, aqueles cujo seus país são excluído
dos recursos de que Moçambique despõe. Não serão os familiares dos mesmos
políticos que teimam em excluir outros moçambicanos na construção de Moçambique
que sofrerão na carne e osso. É necessário de evitar o derramamento de sangue desnecessariamente.
Não queremos a angolanização de Moçambique.
Pedra,
pedra construindo novo dia, Milhões de braços, uma só força, Vamos vencer.

É triste ler que em Moçambique ter um cartão do partido no poder define em grande medida o sucesso e a empregabilidade nas instituições do Estado e de participação do Estado. Não é hora para guerra já que o país começa a se desenvolver novamente. Depois de tantos anos de guerra, imaginava um país tolerante e disposto ao diálogo e à justiça. Pois em qualquer guerra em qualquer lugar do mundo quem vai para o campo de batalha são os mais pobres e os mais necessitados, os filhos dos excluídos. Assim resta-me orar pelo país onde nasci e tanto amei. Que Deus possa mudar os corações duros dos homens. É também o que peço pelo país que adotei e amo. Que sirvam ao povo com benignidade.
ResponderExcluirMany different fonts!
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