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sábado, 13 de abril de 2013

O QUE DISSE SILAS MALAFAIA


 COSSA, Lourenço

Pastor político brasileiro da Igreja Assembleia de Deus, o Feliciano, recentemente nomeado para liderar a comissão dos direitos humanos afirma com base na interpretação da bíblia que os africanos são amaldiçoados e que para a sua cura devem se filiar ao cristianismo.

Em defesa protocolada no STF (Supremo Tribunal Federal), o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) reafirmou que paira sobre os africanos uma maldição divina.

Perante o repúdio da sociedade brasileira pró-direitos humanos e a pressão para que este deputado pastor/político saia da presidência da Comissão dos Direitos Humanos, surge evangélicos a apoia-lo e defendendo-o.

Uma dessas personagens é o pastor, também da Assembleia de Deus, o Silas Malafaia. Em seu programa de tv, este pastor refere:

 

- Por outra, querer dizer, por uma frase, [que proferiu] que alguém é racista e homofóbico, isso é piada... Isso é piada e de mau gosto. Eu não concordo com a ideia dele; é uma discussão teológica isso. Eu não concordo com essa vertente de onde vieram os negros, mas é uma vertente teológica, não tem nada de racismo. É uma discussão teológica que eu não concordo. Feliciano, não pode ser julgado por tais acusações. Ele nunca bateu ou matou um gay, e sua origem é negra.

 

O discurso do Pastor da Igreja de Assembleia de Deus perambula entre os valores que uma frase pode carregar ou não carregar. Contudo, o valor mínimo deste discurso reside na negação de que uma frase pode carregar consigo valores e, ser susceptível de provocar deslocamentos.

Malafaia nega o poder da frase e, certamente nega o força do verbo, o mesmo verbo que ele utiliza nas suas ações evangelizadora.

Ora, a história da humanidade é recheada pelos fatos em que o uso da frase criou mudanças e deslocamentos. De fato, a palavra, de forma isolada pode não conseguir atingir a tamanha proeza, mas inserida em um contexto, seu poder transformador ideológico é grandiosa.

É exatamente esse transformação ideológica que perpetua práticas, boas ou/e nefastas

O Malafaia, diz não concordar com essa vertente de onde vieram os negros, mas é uma vertente teológica. Não tem nada de racismo.

Que é uma vertente teológica todo mundo sabe. Mas se sabe também que essa vertente foi desenvolvida por um grupo de cristãos racistas americanos para justificar suas práticas excludentes. A Bíblia não refere em nenhum versículo que o Noé tinha a mulher africana. Ademais, naquela época histórica não havia muita integração entre povos distantes. Além do mais não existe nenhum dado histórico-científico-antropológico que aponta que os africanos foram geridos por brancos.

Por outro lado, as escrituras da arca não constituem a verdade absoluta. Elas pertencem a um contexto de crença localizada. Médio Oriente.

Retornando na discussão, como referimos, a discussão teológica proferida e defendida por aquele deputado/político evangélico da Assembleia de Deus e PSC tem a sua gênese nos Estados Unidos da América e era usada pelos pastores racistas daquele país nos séculos áureos do racismo. A emergência e a perpetuação desta vertente teológica em um país como Brasil onde o racismo ainda é prática política e social cria/perpetua de certa forma estereótipos, atitudes racistas.

Ademais, aquele pastor evangélico que apesar de ter a ascendência/origem não implica que suas palavras não podem fomentar ou cristalizar discursos e práticas racistas.

Cotidianamente, muitas políticas antirracistas são desenhadas e colocadas em hasta pública da justiça, mas ninguém no Brasil já foi alguma vez preso por ter praticado o racismo. Contudo, essas práticas estão vivas e sucedem a cada dia e a cada momento. As estatísticas são elucidativas, quanto a esse respeito, muita matança da população negra no Brasil, a polícia mata indiscriminadamente os negros. As repartições empregatícias excluem os negros, nas novelas, o negros aparece na maioria dos casos como porteiro ou empregado doméstico, etc. etc.

Se esta vertente surgiu com pastores racistas, como é que a mesma, se proferida por um Feliciano não será racista?

A pressão que se observa contra este pastor cuja seu discurso cristaliza práticas racistas não advém pelo fato de esse ser evangélico ou por manipulação dos petistas, mas sim pelo fato deste pastor/político não ser ponderado em seus discursos inflamatórios contra quem estiver em seu caminho de pensamento equivocado teológico.

Tem muitos evangélicos no Brasil e, estes pregam sua mensagem divina e nunca entraram em desavenças. Mas discursos que perpetuam a exclusão dos negros em um país onde o racismo ainda é prática cotidiana isso é intolerável.

Este pastor/político agride as pessoas. As suas convicções atentam contra a crença e estar de outras pessoas e, como uma pessoa dessa pode presidir uma Comissão dos Direitos Humanos?

Só em sociedades cínicas, um sujeito desse preside e tem espaço. O pior é que vi pela TV, negros evangélicos a defenderem aquele pastor/político racista, lá na Câmara dos Deputados.

É fato, a crença mexe com as estruturas complexas da psique humana. Uma pessoa que crê, com pensamento religioso, pratica sua fé sem crítica, pois um pensamento crítico é silenciado pelo sentimento de culpa, afinal o crente não quer se flagrar dentro do “pensamento diabólico”. É por esse motivo que se observa moldura humana a desembolsar rios de dinheiro para um indivíduo que o considera representante de Deus/Jesus Cristo.

Imagine se de fato o Jesus Cristo aparecesse em um templo/igreja, dessas que recolhem dinheiro para se reservar um espaço no céu e se dirigisse ao altar, ele com suas vestes/túnicas e proferisse: - Sigam-me, pois sou o caminho e a verdade? Eu acho que sairia desse templo/igreja à paulada, pois seria difícil o pastor renunciar as mordomias providenciadas pelos crentes.

 

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