COSSA,
Lourenço
O Deputado Federal e Pastor da Igreja Assembleia de
Deus - Brasil
Esta interpretação é a que serviu de sustentação dos
escravocratas e racistas americanos para perpetuar o racismo, a humilhação,
matança dos negros, exploração e colonização em todo mundo.
Estas interpretações equivocadas são proferidas por
um político brasileiro que lidera a Comissão dos Direitos Humanos, o que nos dá
a entender que trata-se de uma posição do Estado Brasileiro afinal, apesar das
manifestações de muitos movimentos sociais contra este político evangélico
apoiado pelos evangélicos cristãos, o governo central, a Presidente Dilma nunca
se manifestou.
Marco Feliciano é um político e suas declarações têm
impacto na sociedade brasileira, principalmente para a maioria dos evangélicos
fanáticos e fundamentalistas que defendem esse pastor deputado. Não tardará que
este fanático seja visto nas cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
(CPLP), órgão cuja maioria dos países são africanos. Estará lá a falar dos “direitos
humanos”.
Vejam na íntegra as declarações impressas na Folha
de São Paulo:
05/04/2013-03h00
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TAI NALON
RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA
RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA
Em defesa
protocolada no STF (Supremo Tribunal Federal), o deputado Marco Feliciano
(PSC-SP) reafirmou que paira sobre os africanos uma maldição divina e procurou
justificar a fala com uma afirmação que, publicamente, tem rechaçado: a de que
atrelou seu mandato parlamentar à sua crença religiosa.
O presidente
da Comissão de Direitos Humanos da Câmara é alvo de inquérito no STF por
preconceito e discriminação por uma declaração no microblog Twitter.
Em 2011, ele
escreveu que "a podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao
crime, à rejeição".
Na época,
Feliciano também postou que africanos são amaldiçoados pelo personagem bíblico
Noé. "Isso é fato", escreveu no microblog. O post depois foi
deletado.
Manifestantes
protestam contra Marco Feliciano do lado de fora da Comissão de Direitos
Humanos da Câmara dos Deputados em 3 de abril
As
declarações provocaram protestos que tomaram conta de redes sociais e das
sessões da comissão. A Procuradoria Geral da República o denunciou ao STF
--onde também responde a uma ação acusado de estelionato.
Feliciano é
acusado de induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia,
religião, sujeito a prisão de um a três anos e multa. Não existe tipificação
penal para homofobia.
Em sua
defesa no STF, protocolada no dia 21, Feliciano diz que não é homofóbico e
racista. Reafirma, porém, a sua interpretação de que há a maldição contra
africanos.
"Citando
a Bíblia [...], africanos descendem de Cão [ou Cam], filho de Noé. E, como
cristãos, cremos em bênçãos e, portanto, não podemos ignorar as
maldições", afirmou, na peça protocolada em seu nome pelo advogado Rafael
Novaes da Silva.
"Ao
comentar [no Twitter] acerca da 'maldição que acomete o continente africano',
diz sua defesa, o deputado quis afirmar que é "como se a humanidade
expiasse por um carma, nascido no momento em que Noé amaldiçoou o descendente
de Cão e toda sua descendência, representada por Canaã, o mais moço de seus
filhos, e que tinha acabado de vê-lo nu".
A defesa do
deputado diz ainda que há uma forma de "curar a maldição", entregando
"os seus caminhos ao Senhor". "Tem ocorrido isso no continente
africano. Milhares de africanos têm devotado sua vida a Deus e por isso o peso
da maldição tem sido retirado", diz o texto.
Historicamente,
interpretações distorcidas do trecho da Bíblia citado pelo pastor serviram como
justificativa para atitudes e manifestações racistas, como as dos proprietários
de escravos no Brasil e nos EUA no século 19.
Ao STF,
Feliciano não entra em detalhes sobre sua afirmação sobre os gays --diz apenas
que não há lei que criminalize sua conduta.
FÉ E MANDATO
O pastor
também afirma que seu mandato está atrelado à religião, embora tenha dito
durante a atual crise que sua crença não afeta sua atuação na Câmara. Usou esse
argumento para se manter na presidência da comissão.
Ao STF,
afirmou que suas manifestações no Twitter estão "ligadas ao exercício de
seu mandato". As estratégia é vincular as declarações à imunidade parlamentar.
Feliciano
foi eleito para a comissão em março. Após os protestos, o pastor conseguiu
aprovar requerimento fechando-as para o público.
Lembra-se
que a Bíblia Sagrada é um livro escrito pelo ser humano dentro de um contexto
cultural e político dado. Os valores nela impressa espelham as ansiedades e os valores
de um povo, o povo hebraico.
Os
valores escritos não podem ser encarados como a verdade absoluta, susceptíveis
de orientar a humanidade.
É
importante haver respeito entre os povos, entre as pessoas. As atitudes da intolerância
religiosa, racial devem ser condenadas.
As religiões
cristãs e islâmicas frequentemente são usadas pelas pessoas intolerantes e
perversas para perpetuar suas frustrações, interesses, ódio em relação a outros
povos e pessoas. Em relação ao cristianismo, ações da intolerância foram
protagonizadas pela Igreja Católica Romana, chegando a promover e a acobertar práticas
selvagens de tráfico de africanos, os transformando em escravos. Nessas práticas
nefastas foram cometidas humilhações, matanças, estupros.
Atualmente,
as igrejas evangélicas abraçaram com garra esta causa de extermínio cultural
dos africanos. São estas igrejas que dão sustentação aos discursos do pastor
político (deputado federal) brasileiro, Marco Feliciano, perpetuando valores
racistas que caracterizam a sociedade brasileira contra os afrodescendentes.
Se a Bíblia
Sagrada trouxesse a verdade absoluta e não refletisse um contexto histórico de
um povo e que na atualidade seus valores são condenados não constituiria nenhum
crime/prática abominável os cristãos/“os não amaldiçoados e ungidos de David”
perseguirem e matarem sem piedade pessoas que professam outras religiões,
afinal o livro “sagrado” permite isso – Deuteronômio 13:7. Não seria crime se
cristão heterossexual perseguisse e matasse sem piedade as pessoas
homossexuais, afinal a bíblia permite e ordena que se pratiquem, Levítica:
20:12.
Literalmente,
a Bíblia Sagrada não aponta estes sentidos defendidos e propalados por esse
pastor político brasileiro. A maldição parte da interpretação tendenciosa com
sua gênese nos pastores americanos que encenaram estes sentidos para justificar
práticas excludentes e racistas contra as pessoas traficadas e escravizadas pelos
europeus escravocratas.
Por outro
lado, seria uma presunção insinuar a existência de uma verdade, a da Bíblia. No
geral, muita coisa escrita neste livro está descontextualizada com o século 21.
Neste período há imperativos do respeito das diversidades culturais, dos povos
e culturas. Os direitos humanos devem ser respeitados.

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