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sexta-feira, 5 de abril de 2013

POLÍTICO RELIGIOSO RACISTA NA COMISSÃO DOS DIREITOS HUMANOS: Os africanos são amaldiçoados.


COSSA, Lourenço

 
O Deputado Federal e Pastor da Igreja Assembleia de Deus - Brasil

 
Pastor político brasileiro da Igreja Assembleia de Deus, o Feliciano, recentemente nomeado para liderar a comissão dos direitos humanos afirma com base na interpretação da bíblia que os africanos são amaldiçoados e que para a sua cura devem se filiar ao cristianismo.

Esta interpretação é a que serviu de sustentação dos escravocratas e racistas americanos para perpetuar o racismo, a humilhação, matança dos negros, exploração e colonização em todo mundo.

Estas interpretações equivocadas são proferidas por um político brasileiro que lidera a Comissão dos Direitos Humanos, o que nos dá a entender que trata-se de uma posição do Estado Brasileiro afinal, apesar das manifestações de muitos movimentos sociais contra este político evangélico apoiado pelos evangélicos cristãos, o governo central, a Presidente Dilma nunca se manifestou.

Marco Feliciano é um político e suas declarações têm impacto na sociedade brasileira, principalmente para a maioria dos evangélicos fanáticos e fundamentalistas que defendem esse pastor deputado. Não tardará que este fanático seja visto nas cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), órgão cuja maioria dos países são africanos. Estará lá a falar dos “direitos humanos”.

Vejam na íntegra as declarações impressas na Folha de São Paulo:


05/04/2013-03h00

 
                            Feliciano volta a afirmar que africanos são amaldiçoados

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TAI NALON
RUBENS VALENTE

DE BRASÍLIA


Em defesa protocolada no STF (Supremo Tribunal Federal), o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) reafirmou que paira sobre os africanos uma maldição divina e procurou justificar a fala com uma afirmação que, publicamente, tem rechaçado: a de que atrelou seu mandato parlamentar à sua crença religiosa.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara é alvo de inquérito no STF por preconceito e discriminação por uma declaração no microblog Twitter.

 

Em 2011, ele escreveu que "a podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição".

Na época, Feliciano também postou que africanos são amaldiçoados pelo personagem bíblico Noé. "Isso é fato", escreveu no microblog. O post depois foi deletado.

Manifestantes protestam contra Marco Feliciano do lado de fora da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados em 3 de abril

As declarações provocaram protestos que tomaram conta de redes sociais e das sessões da comissão. A Procuradoria Geral da República o denunciou ao STF --onde também responde a uma ação acusado de estelionato.

Feliciano é acusado de induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, sujeito a prisão de um a três anos e multa. Não existe tipificação penal para homofobia.

Em sua defesa no STF, protocolada no dia 21, Feliciano diz que não é homofóbico e racista. Reafirma, porém, a sua interpretação de que há a maldição contra africanos.

"Citando a Bíblia [...], africanos descendem de Cão [ou Cam], filho de Noé. E, como cristãos, cremos em bênçãos e, portanto, não podemos ignorar as maldições", afirmou, na peça protocolada em seu nome pelo advogado Rafael Novaes da Silva.

"Ao comentar [no Twitter] acerca da 'maldição que acomete o continente africano', diz sua defesa, o deputado quis afirmar que é "como se a humanidade expiasse por um carma, nascido no momento em que Noé amaldiçoou o descendente de Cão e toda sua descendência, representada por Canaã, o mais moço de seus filhos, e que tinha acabado de vê-lo nu".

A defesa do deputado diz ainda que há uma forma de "curar a maldição", entregando "os seus caminhos ao Senhor". "Tem ocorrido isso no continente africano. Milhares de africanos têm devotado sua vida a Deus e por isso o peso da maldição tem sido retirado", diz o texto.

Historicamente, interpretações distorcidas do trecho da Bíblia citado pelo pastor serviram como justificativa para atitudes e manifestações racistas, como as dos proprietários de escravos no Brasil e nos EUA no século 19.

Ao STF, Feliciano não entra em detalhes sobre sua afirmação sobre os gays --diz apenas que não há lei que criminalize sua conduta.


FÉ E MANDATO

O pastor também afirma que seu mandato está atrelado à religião, embora tenha dito durante a atual crise que sua crença não afeta sua atuação na Câmara. Usou esse argumento para se manter na presidência da comissão.

Ao STF, afirmou que suas manifestações no Twitter estão "ligadas ao exercício de seu mandato". As estratégia é vincular as declarações à imunidade parlamentar.

Feliciano foi eleito para a comissão em março. Após os protestos, o pastor conseguiu aprovar requerimento fechando-as para o público.
 

Lembra-se que a Bíblia Sagrada é um livro escrito pelo ser humano dentro de um contexto cultural e político dado. Os valores nela impressa espelham as ansiedades e os valores de um povo, o povo hebraico.

Os valores escritos não podem ser encarados como a verdade absoluta, susceptíveis de orientar a humanidade.

É importante haver respeito entre os povos, entre as pessoas. As atitudes da intolerância religiosa, racial devem ser condenadas.

As religiões cristãs e islâmicas frequentemente são usadas pelas pessoas intolerantes e perversas para perpetuar suas frustrações, interesses, ódio em relação a outros povos e pessoas. Em relação ao cristianismo, ações da intolerância foram protagonizadas pela Igreja Católica Romana, chegando a promover e a acobertar práticas selvagens de tráfico de africanos, os transformando em escravos. Nessas práticas nefastas foram cometidas humilhações, matanças, estupros.

Atualmente, as igrejas evangélicas abraçaram com garra esta causa de extermínio cultural dos africanos. São estas igrejas que dão sustentação aos discursos do pastor político (deputado federal) brasileiro, Marco Feliciano, perpetuando valores racistas que caracterizam a sociedade brasileira contra os afrodescendentes.    

Se a Bíblia Sagrada trouxesse a verdade absoluta e não refletisse um contexto histórico de um povo e que na atualidade seus valores são condenados não constituiria nenhum crime/prática abominável os cristãos/“os não amaldiçoados e ungidos de David” perseguirem e matarem sem piedade pessoas que professam outras religiões, afinal o livro “sagrado” permite isso – Deuteronômio 13:7. Não seria crime se cristão heterossexual perseguisse e matasse sem piedade as pessoas homossexuais, afinal a bíblia permite e ordena que se pratiquem, Levítica: 20:12.

Literalmente, a Bíblia Sagrada não aponta estes sentidos defendidos e propalados por esse pastor político brasileiro. A maldição parte da interpretação tendenciosa com sua gênese nos pastores americanos que encenaram estes sentidos para justificar práticas excludentes e racistas contra as pessoas traficadas e escravizadas pelos europeus escravocratas.

Por outro lado, seria uma presunção insinuar a existência de uma verdade, a da Bíblia. No geral, muita coisa escrita neste livro está descontextualizada com o século 21. Neste período há imperativos do respeito das diversidades culturais, dos povos e culturas. Os direitos humanos devem ser respeitados.

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