Entre
os defensores dos cães∕cachorros de raça Pitt Bull
e os contra esta espécie de raça canina registramos aqui algumas impressões em
torno deste assunto com propósito de confrontarmos os discursos dos que se
opõem e dos que estão a favor.
Não
é para menos, a mídia tem nos brindado constantemente com notícias de
acontecimentos de agressividade e morte de humanos e de outros animais, todos
causados por esta espécie de cães de raça Pitt Bulls, portanto, notícias
chocantes atribuídas a estes caninos.
Para
nos debruçarmos acerca deste assunto recorreremos nos recortes discursivos das
entrevistas feitas a um dos amantes destes cachorros, estas tiradas de um
jornal da praça, o Correio do Povo do dia 15 de abril de 2012. Buscaremos
constatar os sentidos que permeiam os discursos que apontam a mansidão ou
agressividade destes animais e assim, colocar a disposição dos leitores sentidos
que possam contribuir na leitura binoculizada do leitor.
American
Pit Bull Terrier nome provavelmente científico, mais conhecido como Pitt Bull é
o animal doméstico que suscita elogios por quem o cria. Estes elogios provem da
vigorosidade, presença e agressividade, ou seja, a sensação de segurança que os
criadores sentem com a presença desta espécie de cachorro e suas vidas. Alguns
donos desta raça afirmam o criarem, simplesmente por tratar-se de um cachorro,
um animal de estimação como outro qualquer e não o atribuem sentidos de
agressividade usualmente presente no meio social. De acordo com a médica
veterinária mencionada acima, Pitt Bull não é considerado cão de guarda nas
normas internacionais, mas sim de desporto (caça) ou companhia.
Paralelamente,
temos outros sentidos que colocam no Pitti Bull categorias de monstruosidade,
um animal não propício de ser criado por humanos, pois além de agredir os
estranhos e seu ambiente familiar, costuma atacar crianças, portanto, filhos de
seus donos. Estes sentidos encontram cenário favorável para estas atribuições
dado que a mídia usualmente reporta casos de agressividade contra crianças,
seguida de morte e agressividade para com outros cachorros.
As
exibições públicas de Pitt Bull mostram um animal obstinado a aniquilar tudo
que o interpela, menos o som forte de uma explosão ou fogo de artifício em que
o animal procura espaço para se esconder, contudo, algo raro de se ver. Pode-se
admitir que determinadas pessoas aceitam ter medo desta espécie de cão e sentem-se
inseguras quando no caminho cruzam-se com um indivíduo a passear com o
cachorro. Por outro lado, há que referir que o mesmo indivíduo que passeia na
rua com Pitt Bull sente-se confortável, seguro, pois sabe que está portando uma
arma em potencial.
Entretanto,
para darmos maior compreensão do assunto trouxemos recortes discursivos de uma
médica veterinária de nome Ana Paula Bina da Silveira (APBS). Estes recortes
foram extraídos no jornal Correio do Povo do dia 15 de abril de 2012 de Porto
Alegre no Estado do Rio Grande do Sul – Brasil.
Excertos:
APBS - Pitt Bull é um
animal como qualquer cachorro, e, tal, segue o seu instinto, agindo de modo
atávico. Esta raça é agressiva com
outros animais, não com pessoas. Os Pitt Bulls puros não são agressivos. Os
casos de ataques a seres humanos são perpetrados por cães mestiços.
A criação e o adestramento
fazem a diferença. Se o cão for criado para ser agressivo, ele agirá desta
maneira. É um animal com muita força. Nas mãos erradas, pode se transformar em
uma arma em potencial. A raça não é
agressiva com seres humanos. As pessoas insistem no erro de acharem que o
cachorro pensa como ser humano. O cão
não vai racionalizar que a criança, que ele está vendo é filha do seu dono.
O Pitt Bull é um cão de caça, e, para
ele, aquela criança é uma caça. O
cão vai atacar, pois a paciência dele é muito curta.
Ao
revirarmos estes dizeres da médica veterinária encontramos a oposição do
pensamento que se centra na mansidão e a violência. Mansidão para os criadores
e amantes desta raça canina, dado os atributos visíveis presentes no Pitt Bull
neste segmento social. Por outro lado a violência sentida pelos detratores do
cachorro manso na visão dos donos e criadores.
Perante
a estes dois pontos em oposição, somos tentados a contrapor seis excertos que suscitam
vários questionamentos. A APBS afirma que esta
raça é agressiva com outros animais, não com pessoas, ou seja, a raça Pitt
Bull não é agressiva com seres humanos, mas
ao mesmo tempo afirma que o cão não vai
racionalizar que a criança, que ele está vendo é filha do seu dono. A
médica acrescenta realçando que O Pitt
Bull é um cão de caça, e, para ele, aquela criança é uma caça. O cão vai
atacar, pois a paciência dele é muito curta. Perante a estes excertos nos
saltam sentidos que apontam a contradição. A referida profissional e criadora
deste tipo de cachorro afirma que o Pitt Bull não é agressivo com pessoas, com seres humanos, mas por outro lado,
para o mesmo cão de caça a criança é uma
caça, ou seja, vai atacar, pois a paciência dele é muito curta.
Uma
questão emerge. Seres humanos (provavelmente adultos, jovens) e crianças são
categorias diferentes?
Será
que as crianças saem da categoria humana e se enquadram na categoria dos outros animais? Que animais?
Abordar
este tipo de assunto é complexo, pois envolve cultura, valores das pessoas,
estados de pertença, a intimidade e certamente questionamentos que possam ser
mencionados suscitarão discórdia, filiação. Tanto os criadores de Pitt Bulls
como os que se sentem inseguros com a presença desta raça de cachorro têm direito
de partilhar os mesmos espaços sociais. Há que se estabelecerem regras
convivência para que os seres humanos, crianças como adulto se sintam seguros nos
espaços públicos, pois como a médica referiu, Nas mãos erradas, pode se transformar em uma arma em potencial. Os
seres humanos, crianças, jovens e adultos não são obrigados a acionarem seus
sistemas de defesa perante o medo por estes animais de caça que segue o seu instinto, agindo de modo atávico.
Ninguém é obrigado na rua ou em sua casa a aturar a paciência desta raça de
cachorro quando este invade sua casa para atacar seus animais e nenhuma família
é obrigada a entender a perda de seu filho devido ao ataque desta espécie de
cão.
