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sábado, 28 de abril de 2012

VALE A PENA OUVIR & LER DIREITO: A polêmica existente em torno dos cães da raça Pitt Bull


Entre os defensores dos cãescachorros de raça Pitt Bull e os contra esta espécie de raça canina registramos aqui algumas impressões em torno deste assunto com propósito de confrontarmos os discursos dos que se opõem e dos que estão a favor.
Não é para menos, a mídia tem nos brindado constantemente com notícias de acontecimentos de agressividade e morte de humanos e de outros animais, todos causados por esta espécie de cães de raça Pitt Bulls, portanto, notícias chocantes atribuídas a estes caninos.
Para nos debruçarmos acerca deste assunto recorreremos nos recortes discursivos das entrevistas feitas a um dos amantes destes cachorros, estas tiradas de um jornal da praça, o Correio do Povo do dia 15 de abril de 2012. Buscaremos constatar os sentidos que permeiam os discursos que apontam a mansidão ou agressividade destes animais e assim, colocar a disposição dos leitores sentidos que possam contribuir na leitura binoculizada do leitor.
American Pit Bull Terrier nome provavelmente científico, mais conhecido como Pitt Bull é o animal doméstico que suscita elogios por quem o cria. Estes elogios provem da vigorosidade, presença e agressividade, ou seja, a sensação de segurança que os criadores sentem com a presença desta espécie de cachorro e suas vidas. Alguns donos desta raça afirmam o criarem, simplesmente por tratar-se de um cachorro, um animal de estimação como outro qualquer e não o atribuem sentidos de agressividade usualmente presente no meio social. De acordo com a médica veterinária mencionada acima, Pitt Bull não é considerado cão de guarda nas normas internacionais, mas sim de desporto (caça) ou companhia.
Paralelamente, temos outros sentidos que colocam no Pitti Bull categorias de monstruosidade, um animal não propício de ser criado por humanos, pois além de agredir os estranhos e seu ambiente familiar, costuma atacar crianças, portanto, filhos de seus donos. Estes sentidos encontram cenário favorável para estas atribuições dado que a mídia usualmente reporta casos de agressividade contra crianças, seguida de morte e agressividade para com outros cachorros.
As exibições públicas de Pitt Bull mostram um animal obstinado a aniquilar tudo que o interpela, menos o som forte de uma explosão ou fogo de artifício em que o animal procura espaço para se esconder, contudo, algo raro de se ver. Pode-se admitir que determinadas pessoas aceitam ter medo desta espécie de cão e sentem-se inseguras quando no caminho cruzam-se com um indivíduo a passear com o cachorro. Por outro lado, há que referir que o mesmo indivíduo que passeia na rua com Pitt Bull sente-se confortável, seguro, pois sabe que está portando uma arma em potencial.
Entretanto, para darmos maior compreensão do assunto trouxemos recortes discursivos de uma médica veterinária de nome Ana Paula Bina da Silveira (APBS). Estes recortes foram extraídos no jornal Correio do Povo do dia 15 de abril de 2012 de Porto Alegre no Estado do Rio Grande do Sul – Brasil.

Excertos:
APBS - Pitt Bull é um animal como qualquer cachorro, e, tal, segue o seu instinto, agindo de modo atávico. Esta raça é agressiva com outros animais, não com pessoas. Os Pitt Bulls puros não são agressivos. Os casos de ataques a seres humanos são perpetrados por cães mestiços.
A criação e o adestramento fazem a diferença. Se o cão for criado para ser agressivo, ele agirá desta maneira. É um animal com muita força. Nas mãos erradas, pode se transformar em uma arma em potencial. A raça não é agressiva com seres humanos. As pessoas insistem no erro de acharem que o cachorro pensa como ser humano. O cão não vai racionalizar que a criança, que ele está vendo é filha do seu dono. O Pitt Bull é um cão de caça, e, para ele, aquela criança é uma caça. O cão vai atacar, pois a paciência dele é muito curta.

Ao revirarmos estes dizeres da médica veterinária encontramos a oposição do pensamento que se centra na mansidão e a violência. Mansidão para os criadores e amantes desta raça canina, dado os atributos visíveis presentes no Pitt Bull neste segmento social. Por outro lado a violência sentida pelos detratores do cachorro manso na visão dos donos e criadores.
Perante a estes dois pontos em oposição, somos tentados a contrapor seis excertos que suscitam vários questionamentos. A APBS afirma que esta raça é agressiva com outros animais, não com pessoas, ou seja, a raça Pitt Bull não é agressiva com seres humanos, mas ao mesmo tempo afirma que o cão não vai racionalizar que a criança, que ele está vendo é filha do seu dono. A médica acrescenta realçando que O Pitt Bull é um cão de caça, e, para ele, aquela criança é uma caça. O cão vai atacar, pois a paciência dele é muito curta. Perante a estes excertos nos saltam sentidos que apontam a contradição. A referida profissional e criadora deste tipo de cachorro afirma que o Pitt Bull não é agressivo com pessoas, com seres humanos, mas por outro lado, para o mesmo cão de caça a criança é uma caça, ou seja, vai atacar, pois a paciência dele é muito curta.
Uma questão emerge. Seres humanos (provavelmente adultos, jovens) e crianças são categorias diferentes?
Será que as crianças saem da categoria humana e se enquadram na categoria dos outros animais? Que animais?
Abordar este tipo de assunto é complexo, pois envolve cultura, valores das pessoas, estados de pertença, a intimidade e certamente questionamentos que possam ser mencionados suscitarão discórdia, filiação. Tanto os criadores de Pitt Bulls como os que se sentem inseguros com a presença desta raça de cachorro têm direito de partilhar os mesmos espaços sociais. Há que se estabelecerem regras convivência para que os seres humanos, crianças como adulto se sintam seguros nos espaços públicos, pois como a médica referiu, Nas mãos erradas, pode se transformar em uma arma em potencial. Os seres humanos, crianças, jovens e adultos não são obrigados a acionarem seus sistemas de defesa perante o medo por estes animais de caça que segue o seu instinto, agindo de modo atávico. Ninguém é obrigado na rua ou em sua casa a aturar a paciência desta raça de cachorro quando este invade sua casa para atacar seus animais e nenhuma família é obrigada a entender a perda de seu filho devido ao ataque desta espécie de cão.

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