Quando cursava a graduação na Universidade Federal de Minas Gerais em Belo Horizonte, Minas Gerais em 1997, eu e meus conterrâneos quando parávamos em frente do portão principal no Campus da Pampulha na avenida António Carlos, a presença ou a entrada de estudantes negros brasileiros era muito escasso. Era difícil termos colegas negros nacionais. Verificávamos a entrada em maior número estudantes estrangeiros africanos e esta situação deixava-nos perplexo - Como é que não visualizamos a presença dos Pelés que fazem a imagem de um Brasil que respeite as questões raciais no mundo afora?
Compreendemos que nas questões étnico raciais, uma coisa é o que se tenta mostrar os outros e a outra é a realidade concreta. Despertamos quando em situações diferentes, escapamos ser vigiado pela polícia logo que entravamos no campus universitário. Vivenciamos a realidade brasileira quando fomos apontado arma pelos policiais e sermos tipificados por favelados e logo de seguida o nosso sotaque os desmentirem e baixarem as suas armas.
Terminei minha graduação em 2000 e 2001 voltei para o meu país.
Na volta ao Brasil em 2005, para cursar o mestrado, vivenciava um cenário diferente. Via nos corredores das universidades pessoas nacionais negros, os chamados afro-descendentes, os brasileiros. A política de cotas raciais introduzida um ano antes em 2004 estava a possibilitar que os negros brasileiros entrassem no mundo das possibilidades e mostrava a possibilidade de nova configuração social, universitária e profissional.
Coragem a todos brasileiros que lutam incansavelmente para ver seu povo a ganhar, a desfrutar a notoriedade social e intelectual, apesar deles conviverem com outros brasileiros que incansavelmente se munem de teorias, artimanhas propagandísticas que projetem futuros irreais, falsas que desvalorizem suas lutas.
A política de cotas nas universidades brasileiras não é nova. Fora implementada nos meados do século XX para incluir filhos dos produtores rurais e promover o desenvolvimento rural. Contudo, para os negros torna-se polêmica, não é paradoxo?
O Governo brasileiro havia implementado a tal política, pois conhecia a realidade vigente na época das desigualidades de acesso às universidades entre as pessoas que viviam nas áreas urbanas e rurais.
É tempo do Brasil vencer seus medos. Medos que impossibilitaram a igualidade na distribuição de renda, da terra que somente era desfavorável aos negros numa altura em que os navios europeus repletos de pobres europeus que viviam à margem do mundo atracava nos portos brasileiros a procura de melhores condições. Estes tiveram tratamento melhor, tiveram acesso à escola, terras, menos os negros.
Esta situação alastrou-se até o século XXI, contudo camuflado nas questões da renda, finanças e na dita democracia racial.
A visibilidade de um futebolista ou um músico não pode medir a inclusão da maioria dos negros brasileiros excluídos até então.
Políticas
de gênero deviam ser estendidas a outros sectores de atividades profissionais
em particular nas instituições empregatícias, nos comerciais propagandísticos.
Por outro lado, os negros deveriam ter mais atitude e não permitirem a banalização da
história trágica de escravização, da selvajaria praticada contra eles e
representada nas novelas, mas brindadas, banalizadas com cenas amorosas da/o escravizador em
cenas românticas. Por acaso alguém pode me informar se alguma vez já viu um
filme com cenas de genocídio contra judeus nos campos de concentrações e brindados com cenas romântica de alemãs a
beijarem-se e ofuscarem situações chocantes e animalescas nazistas Acorda
Brasil.

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