COSSA, L.
Os últimos anos têm sido marcados pela
integração econômica e identificações entre vários povos e etnias em um advento
nomeado como a internacionalização das economias. Um dos elementos dessa integração
é a economia se visualizando através da produção e consumo de bens. Todo este
processo é mediado pelos investimentos, oportunidades de negócios, demandando
assim os recursos humanos capacitados a empreender, ou seja, a se lançar no
mundo de negócios de forma criativa, inventiva e, sobretudo com trabalho e
ousadia.
Indicadores econômicos apontam que Moçambique
cresce anualmente acima dos 5 a 7 dígitos ao ano. Paralelamente a esta situação
econômica, o país tem sido a rota de grandes investimentos nas áreas da
indústria extrativa, onde grandes jazidas de hidrocarbonetos são descobertas e
anunciadas em pouco espaço de tempo, na agricultura, na indústria de
transformação. Devido à sua localização geográfica e passagem quase obrigatória
entre vários continentes, América, Europa, Ásia e Oceania, vários investidores o
situam como ponto estratégico na mobilidade dos negócios. As potencialidades
são imensas, tanto em suas terras que são férteis quanto nos seus povos.
É no permeio destas todas as potencialidades que se
fazem sentir que a nossa abordagem irá se centrar como forma de cutucar os
povos e governantes do país carinhosamente chamado Pérola do Índico para a
criação de mecanismos que conduzam os mesmos a detectarem e aproveitarem as oportunidades
dos negócios que Moçambique oferece através de práticas empreendedoras. Para
que o país aproveite as suas potencialidades é necessário a existência de
pessoas com capacidades para empreender, ou seja, pessoas capazes de fazerem,
segundo Joseph
Schmpeter, “as novas coisas acontecerem” (Joseph SCHMPETER, 1934
apud FERREIRA, 2010 p.25).
Para que isso aconteça um “sistema de
educação-ensino-formação de elevada qualidade e exigência é crucial para o
potencial inovador de um país. A educação em empreendedorismo também é
necessária para ajudar a alterar a cultura nacional e para formar pessoas com
capacidades efetivas para o empreendedorismo” (FERREIRA, 2010 p.7).
Nesta ordem das coisas há que dar palmatória às
políticas governamentais de desenvolvimento humano nas nações moçambicanas, uma
vez que se observa uma cultura quase exclusiva de espera pelo emprego e não ao
aproveitamento das potencialidades que o país tem em termos da realização do
bem-estar dos moçambicanos. Espera-se, por exemplo, que grandes latifundiários
estrangeiros venham e abram empresas e fazendas para empregar o nacional em
detrimento de se potencializar o nacional em tecnologias de produção eficiente
dentro da perspectiva de produtor rural, por exemplo. Espera-se que
estrangeiros com capacidades financeiras assinaláveis venham abrir estâncias
turísticas, lodges, para dar emprego e consequentemente possibilitar impostos
para a máquina governamental em detrimento de formar os nacionais, as povoações
ribeirinhas dos lagos, rios e praias em matérias ligadas ao turismo
sustentável, gestão de negócios de modo a não se colocar estes nacionais à
margem do capital. Lembra-se que um povo excluído de suas riquezas pode em
determinado momento se rebelar e ver estes investimentos e investidores como usurpadores
de suas riquezas e assim cultivarem o xenofobismo.
É pertinente a necessidade de se preparar ou formar
as populações ou comunidades rurais e citadinas em matéria da visão a detenção
e aproveitamento das oportunidades de negócio em Moçambique. Segundo Ferreira (op.cit),
a
percepção dos indivíduos em torno das suas capacidades, conhecimentos,
competências, habilidades, saber fazer para serem bem-sucedidos como
empreendedores influencia a criação de novas empresas.
Poderia afirmar, segundo minhas experiências nas
interações sociais, no convívio do dia-a-dia que em Moçambique observa-se o
comportamento social de não se olhar nas oportunidades de negócio que o país
oferece. Apesar de haver mudanças acentuadas na matéria do empreendedorismo, já
que o mercado de trabalho que mais absorve a mão de obra ou que proporciona o
emprego é o setor do mercado informal, com muitos moçambicanos a comercializar
bens comercializáveis, ainda visualizam-se políticas e comportamentos tímidos
de dar-se mais atenção à formação dos recursos humanos, na gestão eficiente, na
formação continuada em tecnologias de precisão, na produção de bens de consumo,
nos incentivos, fiscais, de importação de insumos de produção, na eliminação da
burocracia para os sujeitos se lançarem no mercado de trabalho ou no
empreendedorismo. Em um país como Moçambique é mais fácil comprar um carro,
seja da primeira mão ∕ carro zero do que um trator. Provavelmente esta
situação pode acomodar elementos da sociedade com potencialidade de serem
investidores.
Entretanto, ainda se observa a falta de atitudes
ousadas nos jovens e adultos. A formação escolar não projeta nos moçambicanos
atitudes criativas, imaginativas e inventivas. Há que se dar mais destaque ao
ensino que promova estas qualidades no currículo escolar. É necessário que se
administre conteúdos que façam com que os indivíduos observam seu meio com
outro olhar, que projete a intervenção em uma situação dada. Moçambique é um país
com muitas insuficiências que não são satisfeitas ainda e, “as
necessidades insatisfeitas são sempre bons espaços para o surgimento de novas
empresas empreendedoras” (op.cit, p.4)
Nas
interações cotidianas é fácil ver indivíduos a direcionarem suas práticas no
lazer, na bebedeira, na curtição, coleção de mulheres. Ainda que não sejam
todas as pessoas, já me acostumei de ver indivíduos com certas capacidades financeiras
como não submersas ao entretenimento acima referido ou não a nenhum e, que
quando abordados acerca do empreendedorismo a primeira reação é: Cadê finanças
para eu investir?
Podemos considerar esta reação como normal, pois se
trata de um assunto quase novo socialmente, afinal as pessoas cresceram e se
constituíram nos últimos cinquenta (50) anos, provavelmente, num sistema em que
o empregador é ou deve ser um mulungo∕branco. As pessoas esperam um
mulungo para abrir empresas para poderem trabalhar – fazer qualquer coisa patrão!
Uma particularidade que merece destaque no país
chamado Moçambique é a possibilidade de qualquer moçambicano poder adquirir a
terra, bastando formular e apresentar um projeto de negócio capaz de promover o
desenvolvimento do país sem custos exagerados como acontecem em outros cantos.
Oficialmente, a terra em Moçambique “é do Estado”, portanto, não é susceptível
de especulação e qualquer nacional que tenha capacidade de investir pode ser
investidor.
Moçambique está a crescer e é nesta situação que
demanda a formação dos recursos humanos com capacidades de explorarem suas potencialidades,
de aproveitar as oportunidades que se fazerem tanto, no turismo, na indústria
de transformação, no agronegócio, na prestação dos serviços, nas tecnologias de
informação, na indústria extrativa, etc. Moçambique é um país das
oportunidades.
É pertinente realçar que tais oportunidades
necessitam de indivíduos formados e com capacidades de detectarem tais
oportunidades, pessoas que possam se envolver no trabalho com determinação, com
capacidades de desenharem projetos exequíveis e bem elaborados, tendo em conta
o planejamento dos negócios, todos os procedimentos produtivos, do marketing,
do mercado, da gestão eficiente e todas as etapas produtivas. Moçambicanos
ousados e despostos para trabalharem.
Sabe-se que tais qualidades de saberes e atitudes,
ainda faltam. Esta falta não advém da incapacidade, na nossa natureza, mas sim
da formação enciclopédica característica do ensino em Moçambique. Falta a
formação virada para o empreendedorismo.
Empreendedorismo não como conhecimentos abstratos
somente, mas sim conhecimentos acoplados às atitudes, práticas sistematizadas,
tendo em consideração técnicas de gestão de negócios e conhecimento profundo do
local, do que acontece na região e à nível internacional de modo a sabermos
explorar as oportunidades de negócios presentes em Moçambique e nos países da
região. De acordo com o consultor do Sebrae-SP, Renato de Andrade, a parte técnica
é importante e pode ser aprendida. A atitude empreendedora, porém, ou “vem de
berço” ou uma pessoa precisa ter muita vontade para mudar, pois “empreender é
realizar visões. É preciso ser curioso, enfrentar riscos, conseguir prever
situações, ter metas bem definidas e uma boa rede de relacionamentos” (ANDRADE,
2006 – Estado de S.Paulo).
Localmente, se observa que existe aderência dos jovens
a cursos superiores de gestão, administração de empresas, finanças, mas com
objetivos virados para o ser-empregado-passivo e não para gestão da sua
empresa. Por vezes, consideram-se estes cursos empresariais desapartados do
carácter empreendedor ou que projetassem indivíduos preparados para terem olhos
e se lançarem nas oportunidades de negócios e empreender.
Recentemente, há quatro anos, o governo encenou a
introdução no currículo do Sistema Nacional de Educação da disciplina
transversal de empreendedorismo em regime de matérias extracurriculares, algo
que é de se desejar.
Contudo, a questão que se coloca é como esta
cadeira de disciplina curricular avançará com docentes pouco qualificados para
tal e sem uma estrutura que promova mudanças ou alteração dos ritos, da cultura
interna que é passiva e pró-empregado e que afeta o mesmo professor? Esperemos
para ver os resultados desta disciplina.
Sabe-se que este tipo de “incentivo” estrutural de
mudança comportamental tendente ao aproveitamento das oportunidades de negócios
não deverá se restringir, apenas na introdução no currículo escolar de uma
disciplina relacionada ao empreendedorismo, mas sim, se criar outras
instituições que deem suporte a provável desejo empreendedor.
Um ponto que considero vital seria, provavelmente,
a criação de instituições viradas para a orientação empresarial,
desenvolvimento e administração de cursos de baixo custo ou não pagas nas
províncias e distritos. Paralelamente, disponibilizar-se-ia profissionais que
acompanhassem, periodicamente, o desenvolvimento dos projetos dos pequenos e
grandes produtores, pois em muitos casos é fácil ter uma ideia e abrir o
negócio, mas é muito difícil manter o negócio. Em países como o Brasil, de
acordo com o Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), em cada 100
empresas abertas 35% deles não completam 1 ano de vida empresarial; 46% dos que
sobreviveram ao primeiro ano não completaram 2 anos de vida empresarial; e 56%
dos sobreviventes ao segundo ano desaparecem aos 3 anos de vida empresarial.
Desta forma, julgamos que uma população formada
dentro do espírito empreendedor no verdadeiro sentido, acima descrito é capaz
de se lançar nos negócios com poucas finanças. A história da humanidade está
cheia de exemplos de indivíduos ricos que começaram do nada e hoje estão no
pódio empresarial, ou seja, pessoas que tem a capacidade de criar uma empresa
do nada. (MANCUSO, 1974).
Um trabalho de casa para o governo, a máquina
legislativa é colocar à disposição, leis que facilitem e estimulem tais
práticas de empreendedorismo, bem como a criação das infraestruturas
necessárias, estradas para permitir a logística e as trocas comerciais e,
sobretudo a criação dos mecanismos fiscais que protejam os produtores para a
comercialização de seus produtos. O governo deve criar condições que o faça
arbitro para que haja negócios e comércio justo.
Considero
que é altura de moçambicanos, jovens e adultos ousarem e tomar conta do que
Moçambique possui. O tomar conta não significa abocanhar, atrapalharem pessoas
que querem trabalhar, mas empreender, aproveitar as potencialidades que o país
possui no agronegócio, prestação dos serviços, indústria, etc. Pedra a Pedra
construindo novo dia.
FERREIRA, Manuel Portugal.
Ser empreendedor, criar e moldar a nova empresa: exemplos e casos brasileiros ∕ Manuel
Portugal Ferreira, João Carvalho Santos, Fernando A. Ribeiro Serra. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Iniciando
Pequeno e grande negócio – Sebrae - ANDRADE, 2006 – Estado de S.Paulo.
Iniciando
Pequeno e grande negócio – Sebrae - MANCUSO, 1974

Alo Cossa. Muita for,ca. Mo,cambique precisa mesmo depesoas como voce.
ResponderExcluirSucesso! Abraços, Maria Ester.
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