No
princípio de julho, sindicatos da função pública entraram com ações e recursos
judiciais na pretensão expressa de obrigar as prefeituras e outras agências
estatais a não divulgarem seus ordenados. Estas entidades justificam sua ação
ser para protelar e preservar a privacidade dos indivíduos, uma vez que segundo
eles, os funcionários estatais como polícias, educadores podem sofrer chacotas,
gozação da sociedade ou dos infratores e isso catalisar práticas de subornos.
Esta
justificativa contrasta com o saber cotidiano, pois todos os membros da
sociedade brasileira sabem que o policial e o professor recebem mal e por outro
lado, como é que a mesma sociedade exige a transparência do político e em contrapartida
não quer que seu salário fique exposto na transparência. Em nossa análise
singela constatamos a faca de dois gumes, por um lado o político deve declarar
seu salário, mas por outro, o cidadão deve viver às escondidas. Afinal quem é o
político? Será este um indivíduo que caiu do céu e não desta mesma sociedade?
Práticas
de transparência devem envolver toda a sociedade, presidentes, ministros, prefeitos,
secretários, deputados, senadores, vereadores, juristas, médicos, professores, até
o cidadão comum.
Só
para se ter uma ideia, a transparência através da divulgação de salários com os
respectivos nomes dos funcionários nas prefeituras e em outros órgãos públicos divulgadas
recentemente à sociedade brasileira fizeram emergir práticas de
superfaturamentos salariais. Em Brasília divulgou-se uma situação em que um
médico auferia aproximadamente R$ 70000,00 trabalhados em 15000 horas extras. O
leitor poderia questionar como um sujeito imortal poderia trabalhar 15000 horas
por semana ou por mês?
A
transparência vê exatamente para prevenir casos desta natureza, portanto, corruptas
aqui no Brasil como em nossos países.
Lembro-me
do antigo ministro das Obras Públicas e Habitação, o Felício Zacarias e o ainda
atual ministro das Finanças que tiveram a coragem de divulgar na mídia, em
público os seus bens e propor para quem quiser ver seu capital e comparar em
todas suas ações executivas ministeriais, atitude que não caiu no bom agrado
nos restantes políticos em Moçambique.
COSSA,
L.

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