Itai Meque e Manuel de Araújo trocam
acusações no dia da cidade
Quarta, 22 Agosto 2012 00:00 Redacção
COSSA, Lourenço
A política quando é
acompanhada por interesses obscuros cega as pessoas que outrora foram
educadores e com credibilidade. A política mediante interesses de grupos
restritos, tribo, em uma sociedade faz com que determinadas pessoas idóneas percam
a credibilidade social.
Em um comício alusivo as
festividades dos setenta anos (70) da elevação à categoria da Cidade de
Quelimane, o governador da província da Zambézia, portanto, pertencente ao
partido do governo central, Frelimo promoveu rixa discursiva com o Presidente daquela
cidade municipal de Quelimane ∕ Prefeitura ao alertar os
munícipes a terem cuidado com a edilidade, pois segundo este governador, a
edilidade está a vender o município através de sua parceria com entidades
estrangeiras, ou seja, “Se os munícipes não fizerem algo, a cidade poderá ser
arrancada pelos cidadãos de outros países”; “quando a oferta é demais, o povo
desconfia. Munícipes fiquem de olhos bem abertos, porque podemos perder a nossa
cidade” Itai Meque, governador da Província da Zambézia.
Contextualizando o leitor,
sabe-se que o município de Quelimane faz parte de duas autarquias que estão nas
mãos de Presidente de um partido da oposição, o MDM e é governado por Manuel de
Araújo, um jovem académico que conseguiu no permeio de poucos fundos e muito
esforço vencer o partido governamental provincial e central de Moçambique, a
Frelimo nas eleições intercalares, acontecidos no quarto trimestre de 2011.
Perante a este discurso é
nos legítimo questionarmos que discurso é esse do governador da província de
Zambézia? Como pode um docente universitário da Educação de profissão proferir
palavras que reflete um não pensar e reflexão perante a sociedade?
Como seria se o Estado
moçambicano se isolasse neste mundo, não se permitindo estabelecer parcerias
que possam trazer o desenvolvimento, investimentos para seu país?
A resposta é simples,
perante as dificuldades e carências em infraestruturas e finanças, um Estado
sem parcerias seria inoperante e mergulharia e caos. Um caso concreto é
precisamente o Estado moçambicano que recebe financiamento externo anual em
forma de doações e empréstimos de países industrializados. O Orçamento do
Estado recebe aproximadamente 47 a 55% do dinheiro externo para funcionar e, no
entanto não é questionado ou acusado de vender o país.
Por outro lado, a sociedade
civil moçambicana critica o secretismo dos contratos governamentais de todos os
projetos de exploração de hidrocarbonetos, gás natural, carvão mineral, areias
pesadas e outros minérios com as empresas multinacionais estrangeiras. O governo
nunca dá ouvidos à mesma sociedade.
Seria legítimo, na nossa
ótica que povo moçambicano ou a sociedade civil questionasse ou colocasse o
governo central na parede pelo facto do Presidente da República ter decidido
conceder à Vale Moçambique ∕ Vale do Rio Doce, uma
empresa multinacional extrativista, a atribuição definitiva do Uso e
Aproveitamento e a concessão de todo o Corredor do Desenvolvimento de Norte à
Vale, exclusivamente depois de um jantar na casa do presidente desta empresa
Vale em junho durante o RIO + 20. Isso sim para nós trata-se de atentado a
integridade e soberania do país e ao Estado Moçambicano. Além de constituir
empecilho à concorrência e interesses dos pequenos investidores moçambicanos
que desenvolvem seus negócios no percurso daquela linha de transporte
ferroviária de mercadoria, isso sim mostra a venda de Moçambique, pois nenhum
de nós moçambicanos sabe ao certo em que circunstância se chegou a
"disponibilização" exclusiva da linha de transporte ferroviária de mercadorias
que a priori devia servir interesses mais amplos de muitas empresas que
exploram minérios no Norte do país na casa de um cidadão milionário brasileiro.
“Jantar em casa do presidente da Vale representa uma
promiscuidade ao mais alto nível de um governante. O que devia ter acontecido é
o presidente da Vale jantar na presidência da República à convite do Chefe do
Estado. Um Chefe do Estado deve saber que é representante do Estado e não dos
seus próprios interesses. Se quisesse jantar com o presidente da Vale, na sua
casa, Guebuza podia-o fazer durante as suas férias, não aproveitar uma viagem
do Estado para recepções anti-écticas” “MABUNDA, 2012).
A acrescentar a esta
situação há que lembrar ao eleitor que de fato o país está na mesa do bazar, no
Dumbanengue, mercado paralelo e não é de hoje. Em 2006, no princípio deste ano,
a Vale reclamava da falta de atenção do Estado moçambicano no permeio das
diversas companhias com haviam ganho a concessão para exploração dos mineiros.
Foi neste cenário que o Brasil, através de seu governo fez uma doação de alguns
milhares de dólares ∕ Reais ao Estado
“moçambicano” em uma oferta suspeita. Seguidamente, o que se viu foi o
desbloqueio de todos supostos empecilhos com o governo moçambicano. Certamente,
esta oferta não foi amplamente difundida na mídia brasileira, pois logicamente
desencadearia repúdio na população brasileira. Na verdade aquele montante se
destinava exclusivamente ao desbloqueio das “sensibilidades”, permitindo o
destaque desta empresa multinacional brasileira. Em nosso entendimento, esta
conjuntura constituiu o prenúncio do que pode se chamar a “promiscuidade” do
dirigente máximo do Estado moçambicano.
Em um período deste em que
muitos Estados e Governos estão ávidos pela proteção da sua indústria de modo a
projetar seu empresariado, a existência de Estados frágeis, corruptos é
recebida com desvelo, pois permite que seus interesses se ampliam em pouco
tempo e com menos gastos corrompendo um sujeito ou um grupinho de poder em
países como Moçambique. Uma “ofertazinha” ao orçamento do “Estado” garante a
drenagem de rios de divisa a seus países e a suas economias em detrimento de um
projeto amplo dos países portadores de matérias primas. É a lei da selva, os
mais fortes inteligentemente se dão bem, apesar da falta da ética destes e em
detrimento dos supostos fortes, menos inteligentes e sem o senso comum do
desenvolvimento das suas sociedades e países.
No Brasil e em muitos
países onde resida a ordem, esta prática desencadearia CPI, cassação e Desgaste
do Governo e do Presidente.
Perante a esta explanação
muitos dirão que esta situação é normal, tratando-se de Moçambique que está a
construir sua democracia. Nós não concordamos, pois não somos obrigados a
andarmos de calhambeque num período em que se anda de Toyota Hilux. Não somos
obrigados a estabelecermos a comunicação com nossos amigos usando o Nókia 2110
e 5110 enquanto que na atualidade circulam os Smartphone e Android. É
necessário se combater práticas prejudiciais ao desenvolvimento comum,
integrado de nosso país e fortalecer-se práticas políticas públicas que
funcionam por meio de agenda comum, sem diferenciação entre partidos e grupos.
Isto, certamente promoverá o desenvolvimento de nosso país e não de grupos
restritos.
MABUNDA,
Lázaro O QUE HÁ DE ERRADO NA RECANDIDATURA DE
GUEBUZA, À PRESIDÊNCIA DO PARTIDO? In: Jornal "O PAÍS"
– 06.08.2012
MEQUE, Itai. Itai Meque e Manuel de Araújo trocam acusações no dia da cidade.
In: Jornal “O PAÍS” – 22.08.2012

