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terça-feira, 14 de agosto de 2012

ACESSO AOS CÓDIGOS DAS CLASSES DOMINANTES versus COLONIZADORAS




É consensual entre muitos teóricos que as classes dominadas devem ter acesso aos códigos da cultura dominante. Contudo, há que referir que não se trata de ter acesso simplesmente, mas esse acesso deve ter um propósito definido e não para subjugar os dominados e despojá-los de suas línguas, culturas, identidades. A apropriação da língua estrangeira não deve servir como instrumento para eliminar a identidade dos colonizados, pois se isso acontecer estes mesmos povos depararão-se com muitos entraves para significar o mundo que os rodeia e consequentemente para se desenvolverem. A língua materna é um instrumento incontornável de desenvolvimento de um povo, comunidade, dado que permite a mobilidade dos sentidos, a abstração etc. Os teóricos já apontam que nenhum povo, criança conseguem se desenvolver de forma plena usando a língua segunda e, pior, em uma língua que foge dos padrões semânticos e sintáxicos da sua língua materna igualmente o que acontece em certos países africanos como Moçambique. As línguas europeias estão longe de possibilitar a escolarização plena e efetiva das comunidades africanas. Não digo que elas devem ser extintas e potencializar apenas as línguas africanas, mas sim, que devem conviver dentro da diversidade, afinal está é a realidade. O isolacionismo não faz parte deste momento histórico caracterizado pela circulação da informação em menos tempo ou com apenas um clic.
É fato que povos isolados de se fazerem, mostrarem-se e sentir o pulsar no mundo, das coisas, da informação fica fora do desenvolvimento. Sabendo isso porque não se potencializar as línguas africanas se as tecnologias de tradução estão mais avançadas? 
Porque os africanos veem apenas uma única forma e alternativa de se desenvolverem sufocando suas formas de significar o mundo?
Porque os africanos insistem em apropriar-se das teorias cartesianas da unidade apenas em uma língua, cultura, valores europeus em um momento histórico em que todo mundo enxergam a colocação no mercado sua cultura como fonte se atração?

2 comentários:

  1. Por isso sou contra o acordo ortográfico e a favor do português do Brasil enquanto língua independente da influência de Portugal. Em alemão, o português de cada uma das duas nações recebe nomes diferentes, sendo o português brasileiro chamado brasilianich, se não me engano. se lá fora já se adotou outro nome, porque não no Brasil?

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    1. É,todo povo tem direito de ter as suas especificidades. Mesmo os portugueses não estão de acordo com a incorporação de outros valores semânticos provenientes de outros falantes de português não lusitanos! E como é que os países podem aderir efetivamente no acordo?
      Está claro que este acordo é mais político do que literário, cultural.

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