É consensual entre muitos teóricos que as classes dominadas devem
ter acesso aos códigos da cultura dominante. Contudo, há que referir que não se
trata de ter acesso simplesmente, mas esse acesso deve ter um propósito
definido e não para subjugar os dominados e despojá-los de suas línguas,
culturas, identidades. A apropriação da língua estrangeira não deve servir como
instrumento para eliminar a identidade dos colonizados, pois se isso acontecer
estes mesmos povos depararão-se com muitos entraves para significar o mundo que
os rodeia e consequentemente para se desenvolverem. A língua materna é um
instrumento incontornável de desenvolvimento de um povo, comunidade, dado que
permite a mobilidade dos sentidos, a abstração etc. Os teóricos já apontam que
nenhum povo, criança conseguem se desenvolver de forma plena usando a língua
segunda e, pior, em uma língua que foge dos padrões semânticos e sintáxicos da
sua língua materna igualmente o que acontece em certos países africanos como
Moçambique. As línguas europeias estão longe de possibilitar a escolarização
plena e efetiva das comunidades africanas. Não digo que elas devem ser extintas
e potencializar apenas as línguas africanas, mas sim, que devem conviver dentro
da diversidade, afinal está é a realidade. O isolacionismo não faz parte deste
momento histórico caracterizado pela circulação da informação em menos tempo ou
com apenas um clic.
É fato que povos isolados de se
fazerem, mostrarem-se e sentir o pulsar no mundo, das coisas, da informação
fica fora do desenvolvimento. Sabendo isso porque não se potencializar as
línguas africanas se as tecnologias de tradução estão mais avançadas?
Porque os africanos veem apenas
uma única forma e alternativa de se desenvolverem sufocando suas formas de
significar o mundo?
Porque os africanos insistem em
apropriar-se das teorias cartesianas da unidade apenas em uma língua, cultura,
valores europeus em um momento histórico em que todo mundo enxergam a colocação
no mercado sua cultura como fonte se atração?

Por isso sou contra o acordo ortográfico e a favor do português do Brasil enquanto língua independente da influência de Portugal. Em alemão, o português de cada uma das duas nações recebe nomes diferentes, sendo o português brasileiro chamado brasilianich, se não me engano. se lá fora já se adotou outro nome, porque não no Brasil?
ResponderExcluirÉ,todo povo tem direito de ter as suas especificidades. Mesmo os portugueses não estão de acordo com a incorporação de outros valores semânticos provenientes de outros falantes de português não lusitanos! E como é que os países podem aderir efetivamente no acordo?
ExcluirEstá claro que este acordo é mais político do que literário, cultural.