Domingo dia quinze de abril de
dois mil e doze, somos brindados com a notícia do encontro de concertação
sócio-político do líder da oposição em Moçambique, o presidente da Resistência
Nacional de Moçambique (RENAMO) e o presidente da República de Moçambique e da
Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Volvidos poucos meses em que o
país apresentava sinais do despontar da instabilidade, quando forças policiais
atacaram a sede do maior partido da oposição, saldando um morto nas fileiras
policiais, a urgência deste encontro era aguardada pelos moçambicanos
preocupados com a estabilidade social-econômica e política do país.
Importa lembrar que Moçambique
esteve mergulhada na guerra civil durante 16 anos. Esta guerra que colocava
frente a frente o governo da FRELIMO e a RENAMO dizimou milhares e milhares de
vidas. A circulação de pessoas e bens estava interrompida, a destruição estava
por toda parte. O governo culpava a guerrilha liderada pelo líder da oposição
Afonso Dlakama de promover a guerra de desestabilização. A RENAMO culpava o
partido governamental de ser comunista, que perseguir as liberdades dos
moçambicanos, de eliminar todos moçambicanos que se opunham aos ideais
comunistas.
Destarte, o que se viveu foram as
atrocidades de ambos os lados. Felizmente a guerra civil terminou com acordo de
paz em 1992 e já fazem dezanove (19) anos e seis (6) meses que os moçambicanos
respiram a paz aparente. Significamos como paz aparente porque embora vivermos
a democracia e passarem 19 anos e 6 meses, o partido no poder continua a
perpetrar ações que colocam a instabilidade dos moçambicanos. Promove as
perseguições políticas e sociais. Em todas as instituições públicas a FRELIMO
introduziu suas células partidárias, promove uns em detrimento de outros.
Demite e despromove moçambicanos pertencentes aos partidos da oposição,
favorecendo moçambicanos filiados ao seu partido. Faz cobranças coercivas,
ilegais dos funcionários do estado para apetrechar o partido no poder.
O dialogo é importante para
qualquer sociedade. É necessário que as pessoas interajam constantemente, pois
isso demonstra preocupação para com questões sócio-político e econômico. A
interação destas individualidades promove a estabilidade, a busca de consensos
para com questões que apoquentam as sociedades Moçambicanas. Não devemos ser
ingênuos a ponto de pensarmos que em Moçambique, seus povos têm interesses
homogêneos. O país, Moçambique é composto pela diversidade étnica com interesses
particulares, de pessoas com diferentes visões e valores, afinal, não
esqueçamos que Moçambique como é conhecido é fruto da divisão fronteiriça
aleatória à constituição de seus povos. O colonialismo fez a sua divisão em
cima da mesa, não tomando em consideração a constituição étnica, político e
territorial dos povos nativos, mas sim segundo interesses competitivos junto com
seus pares colonizadores. Grupos étnicos com culturas particulares que
provavelmente eram rivais, inimigos foram incorporados num só território, num
só quintal.
Após as independências dos países
africanos, nenhum país considerou a geografia étnico-territorial de antes da
colonização político-administrativa, situação que provavelmente, quase meio
século depois continua promovendo as clivagens étnicas camufladas nas lutas
democráticas.
Em muitos países continuam a existir diferenciações de acesso aos
recursos indispensáveis para o desenvolvimento integrado dos indivíduos,
regiões, províncias e tribos. Este estar faz emergir sentimentos de exclusão e
consequentemente conflitos.
Entretanto, o erro persiste e
está consumado. Assim, resta-nos sabermos viver, respeitarmo-nos e darmo-nos
vez, promovermos o desenvolvimento integrado e diversificado para que uns não
se sintam excluídos. Promovermos o diálogo constante, a paz. Isso sim irá
colocar a estabilidade e desenvolvimento no país Moçambique. Axifeni (parabéns)
Presidente da oposição Afonso Dlakama e Presidente do governo de Moçambique
Armando Guebuza.
Algo a ressaltar, o diálogo entre
as lideranças do país deve ser constante e deve também estender-se a outros
lideres da oposição.
Antes de terminar, é pertinente
realçar a importância da não partidarização das instituições do Estado, como
escolas, ministérios, empresas públicas. A não partidarização destes sectores
pode promover a tolerância, a coesão social e político, algo importante na
construção de um Moçambique próspero.

A paz e muito preciosa. E muito importente lembrarmos dos 16 anos de guerra para sabermos preserva-la a todo o custo.
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