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sexta-feira, 18 de maio de 2012

OS POVOS DA AFRICA AUSTRAL QUEREM O DESENVOLVIMENTO


Em uma visita a Moçambique, o chefe da bancada parlamentar da MPLA, partido angolana que governa aquele país desde a independência nacional em 1975 proferiu as seguintes palavras:


O chefe da bancada parlamentar do Movimento Popular para a Libertação da Angola, Virgílio Pereira, disse ontem, em Nampula, que ha uma onda de gente que é contra o desenvolvimento.
"evidente que um país como Angola, com apenas dez anos de paz, pese embora tenha um crescimento econômico pujante, tenha, ainda um universo de cidadãos a viverem nos índices mais baixos da pobreza. E, sendo um país democrático, é natural que haja insatisfação e contestação". "Não é natural que a contestação seja feita ao arrepio da lei, e não é natural que se traga para Angola modelos de contestação que são tributários de outros países que tenham outras realidades". "A África Austral é um pouco surrealista, tanto surrealista que, até agora, não pegou em nenhum país". Virgílio Pereira In: Jornal o País 18/05/2012.


Perante a estas declarações surgem os seguintes questionamentos:
A quem se refere este deputado chefe da bancada parlamentar angolana como um contra o desenvolvimento de Angola e Moçambique? Ao povo angolano? Ao povo moçambicano?
O facto de um universo de cidadãos viverem na pobreza extrema, será isso normal? É normal que mais da metade destes povos sobrevivam dentro das carências excessivas e assistindo o esbanjamento de seu erário público e suas riquezas pelas elites governamentais cujo ele faz parte? Acha isso pouco relevante?
Tem sido comum se ouvir discursos críticos das elites governamentais contra todos elementos da sociedade civil que ousam em criticá-los do uso abusivo do poder e bens públicos em benefício próprio e por serem tolerantes com o aumento da pobreza nas populações de seus países. Alguns dirigentes africanos não aceitam a critica de serem corruptos e perante as críticas tentam confundir a opinião pública se fazendo vítimas ou criando suspense de haver quem não quer desenvolvimento de seus países ou contra seus governos, sobretudo internamente.
Quase a maioria dos países da Africa Austral a exemplo de Angola e Moçambique conquistaram sua independência administrativa e política nos meados da década de 70. Assim, estes países tem aproximadamente 37 anos. Contudo, as elites destes países, no geral elites políticas fazem parte das pessoas mais ricas do mundo e, em muitos casos deixam atras em termos de riqueza os ricos de países chamados industrializados com muitos anos de trabalho ou/e as associações que angariam e doam dinheiro para moverem as máquinas dos aparelhos estatais dos governos destas elites.
Que forma de contestação estes governantes queriam que fosse feita? De bajulá-los, elogiar o não-elogiável. Quem sofre de amnésia aqui é a elite, pois a história de nossos países está repleta de represálias, mortes, exclusão contra pessoas que têm opiniões diferentes. O povo não tem mais outra forma de reclamar dos desníveis sociais, da fome e pobreza a não ser a greve e que por sinal é direito constitucional, pelo menos em Moçambique e não provavelmente em Angola.
O povo angolano não quer mais a exclusão, a legitimação do direito único da elite governamental de apoderar-se das riquezas de seu país somente. Quer a inclusão. O povo angolano está cansado de ver estrangeiros a ficarem ricos em seu país enquanto ele está esquecido. Quer participar.
Há quanto tempo não se tem eleições municipais livres em Angola?
Aos governos de Angola e Moçambique coloquem em pratica políticas da inclusão social e econômico que esteja em prol de aproveitamento das oportunidades que suas regiões, localidades oferecem. Promovam cursos de capacitação constantes na agricultura ou agronegócio, nas potencialidades turísticas, na gestão de seus negócios, portanto, cursos acompanhados, monitorados de modo a produzirem efeitos positivos. Introduzam instrumentos de capacitação em suas línguas de modo a se sentirem parte do processo da construção de seus países e suas vidas.
As greves acontecidas em Angola e Moçambique em particular surtiu efeito sim. O governo moçambicano tomou nota do recado e razão pela qual introduziu emendas emergenciais “em cima de joelho”. Conhece muito bem o poder que o povo moçambicano tem.
Falar que a onda de greve sucedidas no magreb (primavera árabe) não pegou na África austral soa como deboche da elite africana contra seus povos.
Com certeza ainda/não pegou em nenhum país da África austral. Isso não implica que os povos desta parte do mundo ou de África sejam otários, ingênuos ou satisfeito com o que vocês governantes fazem e promovem, que é a exclusão deles. Não estão felizes com as vossas roubalheiras junto com os estrangeiros vossos cúmplices multinacionais. Não estão filiados com a impunidade e as vossas injustiças.  Não se sentem acomodados com vossos massacres, tortura e humilhação que a todo instante perpetuam e insistem em praticar.
 Um dia esse mesmo povo irá tomar atitude séria contra vocês. Em língua xizulo (zulo) diz-se: Intho I nga pheli ya hlola (algo que não termine é tabu).
Os povos africanos aspiram pela dignidade e não se saciam pelos discursos esperançosos que proferem a todo o momento na impressa midiática. Estes desejam o desenvolvimento sim, mas dentro da coesão social e econômica que os inclua, ou seja, para a maioria. Que não morram de fome, de desnutrição, das doenças endêmicas e epidêmicas ciclicamente, pois não são condenados. Sabem que seus países são ricos em termos de recursos naturais e eles estão vivos e despostos a trabalharem. Sabem que seus países e eles são empobrecidos.
Não gostam de serem excluídos na construção de seus paises. Não compartilham a vossa ideia de que angola e Moçambique são para os que lutaram pela independência. Os povos destes países não desvalorizam o combate pela independência e seus combatentes, mas os que combateram não devem esquecer que sem o querer e participação indireta deles nesta luta a ação dos combatentes não teria surtido nenhum efeito. Nenhuma luta tem sucesso sem o querer do povo à volta.
 Não os desvalorizam, mas não querem assumir a responsabilidade de pagar-vos por terem lutado. Reconhecerem-vos sim. Lutaram por que era vosso direito de lutar pelo país e, aliás, não vos mandou a lutar de modo a terem direito de cobrarem trocos e terem direito às suas riquezas, colocando-os na miséria.
Promovam políticas de inclusão e desenvolvimento integrado a todos os sectores da vida social e política em vossos países sem discriminação política, cultural, étnica que verão os povos angolanos e moçambicanos felizes.
Um africano feliz, sem fome não causa problema a ninguém. 
O africano não tem os valores democráticos como a necessidade de ser presidente. Não questiona o facto de ser governado. Questiona sim o descaso, a roubalheira, a impunidade, as injustiças. Fica enfurecido quando fecha a porta para ele ter acesso aos seus desejos, aos bens para sua sobrevivência. Cresce ai o descontentamento e ganha coragem e a tomada de atitude. Fica rebelde.
Vocês governantes devem parar de considerar povos africanos, não governantes como simples populações passivas. Estes devem ter a palavra na condução de seus destinos, de seus países. 

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