Processos eleitorais em Moçambique:
para quando consequências jurídicas às abstenções que se verifiq - SEGUNDA 14 MAIO 2012 00:00 ADELSON RAFAEL
Análise consistente e profunda acerca dos processos eleitorais em Moçambique
A
necessidade de consequências jurídicas às abstenções que se verificam nos atos
eleitorais em Moçambique é apontada como uma das maneiras de estancar o aumento
acentuado das abstenções em Moçambique. Dados das últimas eleições intercalares
ocorridas no final de 2011 e recentemente no primeiro trimestre de 2012 mostram
abstenções acima dos 70%. As populações participam na organização das eleições
inscrevendo-se para votar, mas no dia da votação estas não se fazem presente
nas urnas de voto.
É
no meio deste cenário das abstenções acentuadas que Adelson Rafael, analista da
situação político-social do Jornal O País elenca alguns prováveis fatores que
provavelmente contribuem para o afastamento dos cidadãos na vida política em
Moçambique. O analista chamou atenção acerca
do custo e beneficio uma matemática racional eleitoral que cidadãos efetuam
para trocar seu voto com o político, ou seja, o cidadão vai às urnas votar
mediante a visibilidade ou esperança do que provavelmente pode vir a ganhar se
votar neste ou naquele político/partido. Perante o cenário de descrédito total
que a política e os políticos conseguiram criar, situação que é fruto do fosso acentuado entre os governados e
governantes em termo de acesso aos bens indispensáveis para suas vidas, os
cidadãos preferem direcionarem suas ações da busca pela sobrevivência, nos seus
afazeres e lazer, dispensando o direito que eles têm de selecionar quem poderá
governá-los segundo seus interesses.
Mais
uma vez o texto expressa comportamento eleitoral no todo. No contexto de Moçambique,
importa agregar outros fatores que possivelmente podem contribuem para afugentar
o leitorado nos processos de votação.
Na
interação que faço com potenciais eleitores, jovens dos 18 a 45 anos
aproximadamente, o discurso em torno do processo eleitoral destes aponta para a
não necessidade de votar, já que "todos sabemos que queira sim queira não,
o partido no poder, a Frelimo irá ganhar". Perante a estes dizeres, que
reflexões podemos tirar?
Se
darmos uma olhada binoculizada às primeiras duas eleições, podemos verificar
que foram eleições bastante concorridas e de acordo com alguns sentidos que
circulam na sociedade moçambicana e internacional é que estas duas eleições
foram bastante fraudulentas em prol do partido no poder até ao momento, a
Frelimo.
Outra
observação que podemos fazer no permeio dos processos eleitorais é que as
eleições em Moçambique foram sempre caracterizado pela política do medo. As
populações são interpeladas por discursos inflamatórios e atos de violência
protagonizados pelas instituições estatais como a polícia, e outras entidades
criados pelo partido no poder. Pessoas pertencentes a outros partidos ou as que
têm opiniões próprias e divergentes na homogeneidade discursiva do
partido-governo sofrem represálias, paradas pela polícia a todo instante,
humilhadas, presas. Durante o processo de votação, membros de outros partidos
são presos aleatoriamente ou deslocados nas mesas de voto próximas às suas
residências.
Assim,
considera-se que todas estas ações contribuem, também para os altos índices das
abstenções que caracteriza o processo democrático de Moçambique. Estas ações
desencorajam os leitores, pois não se sentem defendidos pelo estado moçambicano.
Em outros patamares, estes acontecimentos são nomeados como prenúncio de fraude
eleitoral e em Moçambique constituem a normalidade.
No
permeio desta situação, a introdução de lei que aventa consequências jurídicas
às abstenções que se verificam nos atos eleitorais trariam outros cenários, mas,
possivelmente contribuiriam para aumentar o número de eleitores nos processos
de votação. Este tipo de intervenções constitucionais já é praticado em outros
países como Brasil e noutros países. Os cidadãos são sensibilizados e coagidos
a votarem. Em caso não se fazerem às mesas de votação são obrigados a
justificarem a sua ausência e caso não o fizerem sofrem penalidades diversas
como a sua vedação de participarem em concursos públicos e em outros serviços
de seu interesse.
Contudo,
este estar no contexto moçambicano acarretaria outros fenômenos na vida
política de Moçambique. Um cidadão que é coagido a votar, mesmo com a não
identificação com ações do partido no poder votaria de fato, mas com
comportamento de repulsa, de vingança às injustiças ou votaria em branco. De
uma forma ou de outra, esta situação não seria benéfico para o partido no poder
e logicamente, creio que esta lei ou emenda constitucional, suponhamos, prejudicaria
o governo que sempre se beneficiou com estas abstenções.
Se observarmos esta
questão encontraremos pouca diferença com a necessidade do voto secreto na
votação de pacotes importantes na Assembleia da República. O perigo do poder do
voto não controlado dos cidadãos e dos que sentem as injustiças sociais mesmo pertencendo
às fileiras do partido no poder. O perigo poderia ser eminente num processo
sempre contestado por algumas entidades da oposição, civis, não governamentais
e internacionais. Portanto, esta possibilidade de consequências jurídicas é
nula, suponhamos, no contexto atual da política em Moçambique.

Meu caro Xikhosa, Varios cenarios concorrem para este elevado nivel de abstencao. Se formos ver as ultimas intercalares, temos o caso do jurista Custodio Duma, conseituado na praca que foi detido pela policia por algumas horas por ter tirado fotografias a uma placa, isto ja mostra uma das razoes da abstencao. Nao quero assumir aqui, que o tipo da herarquia do partido no poder ordena este tipo de actos mas alguma tentativa de fazer ver aos chefes a nossa competencia, sobretudo numa situacao em que em que as camaras estao sobre nos como foi em Inhambane por vezes os excessos acontecem. Temos os famosos casos de desaparecimto de cadernos eleitorais, as grandes filas nas mesas de voto, os grandes deslocamentos para os locais de votacao nas zonas reconditas tambem fazem parte desta elevacao da abstencao. Para terminar quero me lembrar de um pronuciamento do Toddy Champmany,nao sei se esta correto o nome, que ja passou de Mocambique como represetante dos negocios da empaixada dos EUA, que a proposito da democracia dizia: Os EUA tem 250 anos de democracia, por isso nao se deve exigir o mesmo nivel de consciencia ao Mocambicano, nesta materia.Fim da citacao. Agora o que interessa neste momento e usar as experiencias seculares das outras sociedades para construcao de uma democracia sem imposicoes legais para participar dela. A educacao civica, nao deve acontecer apenas nas televisoes e radios apenas quando escrutinio bate a porta. Mais nao disse.
ResponderExcluirComentário útil e enriquecedora para este tema. Parabéns Simbinovas.
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