Os
jovens moçambicanos estão a significar o contexto político moçambicano sem
ressentimento. Isso é muito positivo. Depois das manifestações de 1 e 2 de
setembro, aparatos de controle dos cidadãos e jovens foram instaurados e nisto
jornais eletrônicos onde jovens expressam suas opiniões entraram na onda
governamental de obrigar que os internautas ou os utilizadores mostrassem o
rosto e suas identidades, como por exemplo, no facebook.
Projetava-se
a partir daí o apagamento das opiniões, dizeres, críticas contrárias ao sistema
pouco ético, à governação pouco transparente em Moçambique. Ao se registrar os
números dos telefones, pensava-se, provavelmente que as pessoas seriam
impedidas ou acuadas a dizerem o que pensam em público. Enganaram-se. Jovens
estão cada vez mais a dizer, a apontar o que está errado no sistema de
governação, o que não anda devidamente de acordo com as expectativas da
sociedade moçambicana.
Perderam
o medo de serem taxados de opositores e serem excluídos. Contrariam o
pensamento que refere quem opina e critica algo deslocado na sociedade e na
política como sendo da oposição. Alguns estão a mostrar que mesmo ainda,
acreditar nos princípios antes abraçados pela FRELIMO e agora atropelados por
interesses de um punhado de gente da mesma Frelimo, estes não recuam a dizer
que a situação de vida dos moçambicanos não esta devidamente boa. Insistem em
apontar que o país está sendo abocanhado.
Apontam
que a corrupção está a ofuscar lutas e sangue derramado pelos que acreditavam
em um Moçambique sem exclusão política e muito menos com a distribuição de
renda desajustada e deslocada com a população. Os jovens negam que têm amnésia,
que são preguiçosos, e apontam a corrupção, o descaso e roubalheira dos bens do
Estado e de todos moçambicanos como a causa da pobreza e empobrecimento do seu
país.
Não
recuam em apontar a incoerência do discurso político com a prática e, a
entrevista do Jornal Savana de 04/05/2012 com o Samora Machel Júnior, deputado
pela bancada da Frelimo mostra este desassossego dos jovens.
O
ato de dizer que isto ou aquilo está errado não outorga o sujeito a ser da
Renamo ou do MDM. Todos jovens, fiados aos Partidos Frelimo, Renamo, MDM, Pimo
ou não filiados a nenhum partido têm o dever e direito de quererem boas
condições, que os que governam tenham a ética, que não sejam corruptos, que
administrem com responsabilidade seus impostos, que não excluam nenhum
moçambicano em razão da cor partidária, crença, religião.
Todas
as políticas e políticos devem tomar nota das reivindicações dos jovens, pois
eles não estão para entretenimento discursivo oco. Avante jovens moçambicanos
de todas as crenças.

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