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terça-feira, 12 de junho de 2012

A CRISE DE IDENTIDADE DO “ESCOLARIZADO”: Existirá uma filosofia africana?


É ainda comum, nesta altura dos acontecimentos, século XXI – 2012, para bem dizer, neste período que se distancia do tempo colonial administrativo europeu sobre o continente africano ouvirem-se questionamentos como:
- Existirá uma filosofia africana?
- As línguas africanas serão capazes de exprimir sentidos públicos?
Pois bem, estes questionamentos emergem até ao momento atual como resquícios do pensamento colonizado e a re-emergência do olhar africano para consigo mesmo, afinal a colonização europeia não só se manifestou na opressão, humilhação material e física nos colonizados e seus territórios, mas também no espírito, na forma de pensar e agir. É exatamente esta forma de pensar e agir que questiona a existência de si, do africano cuja mente está em ebulição no permeio da cultura e sua forma de existir africana e por outro, os princípios da escolarização formal ocidental a que foi/está submetido até então. Por outro lado, apesar de progredir na sua escolarização forçada em línguas e culturas ocidentais, tenta lançar um olhar mais globalizado e, perante o Outro, objeto de desejo, mas não alcançado, se coloca na crise de identidade. Não consegue enxergar a presença dele mesmo, nele mesmo.
Assim, importa se saber que o continente africano não tem uma filosofia, mas várias filosofias. As suas línguas são capazes de exprimirem sentidos públicos, aqueles sentidos ou discursos que mediam a justiça, as questões administrativas, a transmissão de conhecimentos, etc. Muitos países africanos existem como países estruturalmente conhecida hoje, ao estilo ocidental, recentemente nos meados do século XX. Entretanto, seus povos possuem saberes milenar. Os povos bantus já fundia o ferro antes dos europeus. Tem a medicina milenar, a mesma que curou os nossos antepassados até a nós mesmos. Tem a religiosidade específica. Resolve seus problemas dentro de seus valores. Tudo isso é no permeio de uma determinada filosofia de acordo com cada povo, estado, império ou grupo étnico.
Um povo sem filosofia pode ser um povo sem a mente, sem nenhuma prática, sem nenhuma atividade. Isso é impossível de existir.
Portanto, existe filosofia e muitas filosofias no continente africano, pois existem mais de centenas de povos, distribuídos junto com suas línguas e culturas. Assim sendo não é somente uma filosofia, mas várias filosofias, afinal todos têm a sua forma de pensar, de significar o seu meio.
Portanto, certas dúvidas deste gênero provêm da nossa constituição, dos sujeitos escolarizados ocidentalmente e em particular dos conhecimentos constituídos da visão iluminista em que os saberes circundam em torno do homem “superior” europeu-branco. Saberes contemporâneos da mesma Europa já saiu ha bastante tempo desses questionamentos eurocêntricos.

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