É
ainda comum, nesta altura dos acontecimentos, século XXI – 2012, para bem dizer,
neste período que se distancia do tempo colonial administrativo europeu sobre o
continente africano ouvirem-se questionamentos como:
-
Existirá uma filosofia africana?
-
As línguas africanas serão capazes de exprimir sentidos públicos?
Pois
bem, estes questionamentos emergem até ao momento atual como resquícios do
pensamento colonizado e a re-emergência do olhar africano para consigo mesmo,
afinal a colonização europeia não só se manifestou na opressão, humilhação
material e física nos colonizados e seus territórios, mas também no espírito,
na forma de pensar e agir. É exatamente esta forma de pensar e agir que
questiona a existência de si, do africano cuja mente está em ebulição no
permeio da cultura e sua forma de existir africana e por outro, os princípios
da escolarização formal ocidental a que foi/está submetido até então. Por outro
lado, apesar de progredir na sua escolarização forçada em línguas e culturas
ocidentais, tenta lançar um olhar mais globalizado e, perante o Outro, objeto
de desejo, mas não alcançado, se coloca na crise de identidade. Não consegue enxergar
a presença dele mesmo, nele mesmo.
Assim,
importa se saber que o continente africano não tem uma filosofia, mas várias
filosofias. As suas línguas são capazes de exprimirem sentidos públicos,
aqueles sentidos ou discursos que mediam a justiça, as questões
administrativas, a transmissão de conhecimentos, etc. Muitos países africanos
existem como países estruturalmente conhecida hoje, ao estilo ocidental,
recentemente nos meados do século XX. Entretanto, seus povos possuem saberes
milenar. Os povos bantus já fundia o ferro antes dos europeus. Tem a medicina milenar,
a mesma que curou os nossos antepassados até a nós mesmos. Tem a religiosidade
específica. Resolve seus problemas dentro de seus valores. Tudo isso é no
permeio de uma determinada filosofia de acordo com cada povo, estado, império
ou grupo étnico.
Um
povo sem filosofia pode ser um povo sem a mente, sem nenhuma prática, sem
nenhuma atividade. Isso é impossível de existir.
Portanto,
existe filosofia e muitas filosofias no continente africano, pois existem mais
de centenas de povos, distribuídos junto com suas línguas e culturas. Assim
sendo não é somente uma filosofia, mas várias filosofias, afinal todos têm a
sua forma de pensar, de significar o seu meio.
Portanto,
certas dúvidas deste gênero provêm da nossa constituição, dos sujeitos
escolarizados ocidentalmente e em particular dos conhecimentos constituídos da
visão iluminista em que os saberes circundam em torno do homem “superior”
europeu-branco. Saberes contemporâneos da mesma Europa já saiu ha bastante
tempo desses questionamentos eurocêntricos.

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