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sexta-feira, 29 de junho de 2012

VIDA DOS JOVENS NA CONTEMPORANEIDADE: Que desejos são esses?

Treze horas e trinta e sete minutos, estou a assistir o jornal Hoje da televisão Globo. Um tema que me desperta atenção por ser de vital importância nas sociedades urbanizadas e de consumo.
“Jovens de 18 a 25 anos estão cada vez mais se endividando”. No desenvolvimento desta matéria é realçado o crescimento do número de devedores jovens no Brasil.
Perante este assunto, me pus a refletir acerca da vida juvenil não só no Brasil, mas também em outros contextos socioculturais e políticos de outros países. Transportei-me para a realidade juvenil de Moçambique, meu país. O estabelecimento deste paralelismo é devido à proximidade dos hábitos juvenis que caracterizam este período do século XXI em quase muitos países e em todos os cantos do mundo. O Consumo.
Assim, com esta abordagem pretendi mostrar que as situações de consumo e seus desvios, motivo de preocupação aqui no Brasil têm similaridades com as dos jovens moçambicanos, embora com algumas pequenas diferenças, de acordo com a situação econômica, cultural.
Este tema não só é importante e instigante, ele desperta preocupação em torno da vida dos jovens e não só, da sociedade no todo.
O desejo do jovem de fazer a diferença, de ser aceite no seio de seu grupo ou circulo de amigos provoca a corrida pelo acúmulo de bens materiais, trajes diferenciados, sapatilhas de marcas famosas, joias, carros, alimentação e entrada em restaurantes e boates sem planejamento consoante ao poder financeiro, viagens, tratamentos de beleza como apliques, extensões, mechas caríssimas e perucas. Outros jovens estão na corrida pela obtenção da nova tecnologia de informação, celular mais avançado, game, tablet ímpar ou computador da última geração mesmo que o uso deste se restrinja apenas na aplicação básica elementar, escrever e acessar conteúdos que qualquer máquina tenha. O jovem preocupa-se em fazer a diferença junto de seu grupo ou circulo de amigos.
Contudo, o processo desse acúmulo costuma se mostrar através do consumo desenfreado sem planejamento, sem visibilidade na vida futura. O presente é desfrutado com vigor e sem ressentimento. O consumo da juventude contemporânea em muitos casos observa o processo de acúmulo dos bens materiais com cepticismo, daí que por vezes somos interpelados com notícias de jovens que acabam nas estatísticas do endividamento, da prostituição, dos crimes organizados, etc. Outros mancebos optam pelo endividamento, pelo mundo da criminalidade, prostituição, a promiscuidade nos relacionamentos entre outras atitudes de modo a alimentarem seus desejos desenfreados de consumo. A concupiscência faz o estilo de vida.
Adicionada a esta situação encontramos um estar juvenil que se constitui em casa. Pais ausentes na vida dos filhos ou que se abdicaram do papel de autoridade na vida dos filhos, envergando apenas o de amigo tentam suprir sua ausência ou autoridade a partir da satisfação material, financeiro aos filhos.
Existe a crescente troca de papeis familiares nas sociedades em via de desenvolvimento industrial. Enquanto recentemente filhos buscavam atenção dos pais, os ouvindo e respeitando no momento atual são exatamente os pais que estão ávidos pela atenção dos filhos. Os pais morrem de ansiedade em querer saber se o filho o ama ou não. Assim sendo, tentam satisfazer o filho e esquecem-se dos valores que eles receberam de seus pais e entulham os filhos do dinheiro e outros bens materiais.
A este respeito o pesquisador e filósofo Mario Sergio Cortella (2011) em seu livro “Não nascemos prontos”, denomina estes jovens por “geração Miojo”. De fato ninguém nasce pronto e se gasta com o tempo, mas sim, nascemos despidos de valores, ideologias. A nossa posição, posicionamento, os valores, adquirimos depois de nascermos a partir da interação com outras pessoas, com o nosso meio circundante. Em cada contato e interpelação tiramos algo.
Assim, a família, os amigos, conhecidos e a sociedade em geral constituem-nos. Neste estar todas gerações são feitas ou constituídas; inclusive a geração miojo, com compaciência ou sem paciência de esperar pela mobilidade natural das coisas.
Em torno deste panorama um fenómeno desperta atenção e reflexão em Moçambique. Nos meios urbanos onde coexistem a classe abastada e muitos carentes em recursos materiais e alimentares, jovens e alguns adultos aderem à prostituição, oferecendo serviços sexuais a indivíduos com poder aquisitivo do sexo masculino ou feminino.
Neste estar cresce relações homo afetiva, portanto, relações antes pouco visíveis.
A corrida pela obtenção de bens como motociclo, carro ou outros bens de consumo diferenciados e usualmente vistos com pessoas com poder aquisitivo acentuado catalisa relações afetivas que antes não existiam ou provavelmente abafadas antes. Na procura da moladinheiro vale tudo.
Jovens do sexo feminino com poder aquisitivo baixo, com salários baixíssimos ou sem renda desfilam pelas ruas, sectores institucionais da cidade enfeitadas com cabelos de apliques, extensões caríssimas e superiores a seus salários.
Dos jovens do sexo masculino, já se ouvem discursos como – “eu não sou feito, eu é quem faço”, como se isso não o envolvesse e não ter o prazer.
Esta situação que se diferencia em cada sociedade e país instiga um repensar apurado nos aspectos de consumo, na educação para a economia familiar e individual napela escola e na família.
Jovens optam por esta via devido, provavelmente à falta da separação entre o estado de ser que vivencia no lar, condição que advém do longo processo de vida de seus pais e a vida futura, autónoma que o jovem, filho deva viver. Não observando o processo, muitos querem viver a vida que vivenciava na sua família. Querem o estilo de vida que levavam junto da sua família, de seus pais.
Entretanto, seus pais construíram aquele estar ao longo dos anos e assim, sendo é legítimo que enfrentem desafio, construindo as suas vidas, que saibam que o ter dinheiro, bens é um processo árduo onde a formação, a criatividade, a inventividade, a imaginação e a ousadia fazem parte do processo. É claro, dentro de certos valores.
Cossa, Lourenço

Um comentário:

  1. Penso k a hipotese levantada faz sentido, olhando tambem para a pressao exercida sobre os nossos irmaos desprecavidos pelos Meios de Comunicacao para massa

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