Treze
horas e trinta e sete minutos, estou a assistir o jornal Hoje da televisão
Globo. Um tema que me desperta atenção por ser de vital importância nas
sociedades urbanizadas e de consumo.
“Jovens
de 18 a 25 anos estão cada vez mais se endividando”. No desenvolvimento desta
matéria é realçado o crescimento do número de devedores jovens no Brasil.
Perante
este assunto, me pus a refletir acerca da vida juvenil não só no Brasil, mas também
em outros contextos socioculturais e políticos de outros países. Transportei-me
para a realidade juvenil de Moçambique, meu país. O estabelecimento deste
paralelismo é devido à proximidade dos hábitos juvenis que caracterizam este
período do século XXI em quase muitos países e em todos os cantos do mundo. O
Consumo.
Assim,
com esta abordagem pretendi mostrar que as situações de consumo e seus desvios,
motivo de preocupação aqui no Brasil têm similaridades com as dos jovens moçambicanos,
embora com algumas pequenas diferenças, de acordo com a situação econômica,
cultural.
Este
tema não só é importante e instigante, ele desperta preocupação em torno da
vida dos jovens e não só, da sociedade no todo.
O
desejo do jovem de fazer a diferença, de ser aceite no seio de seu grupo ou
circulo de amigos provoca a corrida pelo acúmulo de bens materiais, trajes
diferenciados, sapatilhas de marcas famosas, joias, carros, alimentação e entrada
em restaurantes e boates sem planejamento consoante ao poder financeiro,
viagens, tratamentos de beleza como apliques, extensões, mechas caríssimas e
perucas. Outros jovens estão na corrida pela obtenção da nova tecnologia de
informação, celular mais avançado, game, tablet ímpar ou computador da última
geração mesmo que o uso deste se restrinja apenas na aplicação básica
elementar, escrever e acessar conteúdos que qualquer máquina tenha. O jovem
preocupa-se em fazer a diferença junto de seu grupo ou circulo de amigos.
Contudo,
o processo desse acúmulo costuma se mostrar através do consumo desenfreado sem
planejamento, sem visibilidade na vida futura. O presente é desfrutado com
vigor e sem ressentimento. O consumo da juventude contemporânea em muitos casos
observa o processo de acúmulo dos bens materiais com cepticismo, daí que por
vezes somos interpelados com notícias de jovens que acabam nas estatísticas do
endividamento, da prostituição, dos crimes organizados, etc. Outros mancebos
optam pelo endividamento, pelo mundo da criminalidade, prostituição, a
promiscuidade nos relacionamentos entre outras atitudes de modo a alimentarem
seus desejos desenfreados de consumo. A concupiscência faz o estilo de vida.
Adicionada
a esta situação encontramos um estar juvenil que se constitui em casa. Pais
ausentes na vida dos filhos ou que se abdicaram do papel de autoridade na vida
dos filhos, envergando apenas o de amigo tentam suprir sua ausência ou
autoridade a partir da satisfação material, financeiro aos filhos.
Existe
a crescente troca de papeis familiares nas sociedades em via de desenvolvimento
industrial. Enquanto recentemente filhos buscavam atenção dos pais, os ouvindo
e respeitando no momento atual são exatamente os pais que estão ávidos pela
atenção dos filhos. Os pais morrem de ansiedade em querer saber se o filho o
ama ou não. Assim sendo, tentam satisfazer o filho e esquecem-se dos valores
que eles receberam de seus pais e entulham os filhos do dinheiro e outros bens
materiais.
A
este respeito o pesquisador e filósofo Mario Sergio Cortella (2011) em seu
livro “Não nascemos prontos”, denomina estes jovens por “geração Miojo”. De
fato ninguém nasce pronto e se gasta com o tempo, mas sim, nascemos despidos de
valores, ideologias. A nossa posição, posicionamento, os valores, adquirimos depois
de nascermos a partir da interação com outras pessoas, com o nosso meio
circundante. Em cada contato e interpelação tiramos algo.
Assim,
a família, os amigos, conhecidos e a sociedade em geral constituem-nos. Neste estar todas gerações são feitas ou constituídas; inclusive a geração miojo, com compaciência ou sem paciência de esperar pela mobilidade natural das coisas.
Em
torno deste panorama um fenómeno desperta atenção e reflexão em Moçambique. Nos
meios urbanos onde coexistem a classe abastada e muitos carentes em recursos
materiais e alimentares, jovens e alguns adultos aderem à prostituição,
oferecendo serviços sexuais a indivíduos com poder aquisitivo do sexo masculino
ou feminino.
Neste
estar cresce relações homo afetiva, portanto, relações antes pouco visíveis.
A
corrida pela obtenção de bens como motociclo, carro ou outros bens de consumo
diferenciados e usualmente vistos com pessoas com poder aquisitivo acentuado
catalisa relações afetivas que antes não existiam ou provavelmente abafadas
antes. Na procura da mola∕dinheiro vale tudo.
Jovens
do sexo feminino com poder aquisitivo baixo, com salários baixíssimos ou sem
renda desfilam pelas ruas, sectores institucionais da cidade enfeitadas com
cabelos de apliques, extensões caríssimas e superiores a seus salários.
Dos
jovens do sexo masculino, já se ouvem discursos como – “eu não sou feito, eu é
quem faço”, como se isso não o envolvesse e não ter o prazer.
Esta
situação que se diferencia em cada sociedade e país instiga um repensar apurado
nos aspectos de consumo, na educação para a economia familiar e individual na∕pela
escola e na família.
Jovens
optam por esta via devido, provavelmente à falta da separação entre o estado de
ser que vivencia no lar, condição que advém do longo processo de vida de seus
pais e a vida futura, autónoma que o jovem, filho deva viver. Não observando o
processo, muitos querem viver a vida que vivenciava na sua família. Querem o
estilo de vida que levavam junto da sua família, de seus pais.
Entretanto,
seus pais construíram aquele estar ao longo dos anos e assim, sendo é legítimo
que enfrentem desafio, construindo as suas vidas, que saibam que o ter
dinheiro, bens é um processo árduo onde a formação, a criatividade, a
inventividade, a imaginação e a ousadia fazem parte do processo. É claro,
dentro de certos valores.
Cossa,
Lourenço

Penso k a hipotese levantada faz sentido, olhando tambem para a pressao exercida sobre os nossos irmaos desprecavidos pelos Meios de Comunicacao para massa
ResponderExcluir