Powered By Blogger

sexta-feira, 1 de junho de 2012

GREVE SIM, VANDALISMO NÃO: Queremos nossos direitos.

Recebi e-mail que avisava acerca da possibilidade da realização de uma greve que objetiva reclamar ou repudiar acerca do alto custo de vida em Moçambique. Lembra-se que greves de gênero já aconteceram no país e foram exatamente orientadas e realizadas com base nas mobilizações via circulação dos smstorpedos e e-mails. Pessoas sem rostos, cansados com as carências e aumento de preços dos bens necessários para suas vidas enviam sms e constituem uma rede complexa, desencadeando um levante popular para reclamar o custo de vida nas cidades de Maputo, a capital do país e Matola com replicas na província de Gaza.
Manifestações populares desta natureza aconteceram no dia 5 de fevereiro de 2008 e nos dias 3, 4 de setembro de 2010.
Estas manifestações são caracterizadas pelas depredações das infraestruturas privadas na maioria das vezes e também publica em menor escala. Lojas são saqueadas, queimadas, carros são depredados e queimados, pelas estradas são queimados os pneus, colocadas barricadas, a população mune-se de paus e pedras, fósforos e isqueiros, a polícia dispara indiscriminadamente contra a população usando balas letais e nisso, são mortas as crianças e jovens, portanto, as cidades se transformam em campos de batalhas: de um lado as populações e de outro as forças policiais armadas até aos dentes.
A questão é, por que as greves são caracterizadas pelas manifestações depredatórias e sem lideranças?
Lembra-se que constitucionalmente todos os cidadãos em Moçambique têm direito a fazer greve ou de se manifestar pacificamente, desde o momento que solicitem formalmente a sua realização na entidade constitucionalmente responsável.
Contudo, há que realçar que o governo moçambicano controla tudo e todos. O sector público não tem direito de se manifestar publicamente ou de fazer a greve. Os Sindicatos das empresas públicas e privadas não são entidades livres do poder político governamental. Estes são controlados e ligados ao governo e para piorar, a preocupação de seus elementos é a ascensão ao poder governamental, fazendo parte do mesmo sistema político, o mesmo cuja população, os trabalhadores reclamam de privá-los das condições básicas para sua sobrevivência.
Já houveram greves legais, autorizadas, mas impedidas de se fazerem às ruas. Já houve prisões nas greves pacíficas, aquelas cujos cidadãos circulam pelas ruas e avenidas pronunciando palavras de ordem e empunhando cartazes e dísticos, reclamando seus direitos. Nos anos anteriores, os professores fizeram greve e foram barbaramente reprimidos e tiveram a lição de nunca mais fazerem coisa igual. A greve dos magermanes, moçambicanos que trabalharam na extinta República Democrática Alemã (RDA) e que suas economias e fundos de pensões pagas pelo governo alemão ao governo moçambicano para encaminhar aos respectivos donos nunca foram depositados aos beneficiários, já custou à vida ou a integridade física de alguns destes compatriotas.  Outras greves reprimidas violentamente são dos desmobilizados e de outras entidades dos trabalhadores. São muitas pessoas que foram mortas ou presas arbitrariamente por reclamar seus direitos em Moçambique.
É nesta ordem das coisas ou situação que o pacato cidadão, não enxergando a luz verde no fundo de túnel ou se vendo desprotegido pelo sistema e privado seu direito as condições básicas como alimentos, transporte e a greve opta pelo vandalismo, portanto, algo não benéfico para ele e para o país, pois destrói tudo, bens dos cidadãos comuns e infraestruturas públicas. Para piorar é que este tipo de manifestação pública coloca retrocesso na vida de pessoas comuns, civis que nada tem a ver com o custo de vida. Estraga o carro de um civil, saqueia loja de uma pessoa que também está a lutar para sobreviver e, nisso, nenhum elemento do poder é diretamente atingido pelas arruaças do vandalismo.
Isto pode ser o desespero de moçambicanos que não veem alternativa viável para reclamar seus direitos básicos de sobrevivência. Eles enxergam aquele ato ser o mais apropriado para obrigar o governo a se mexer, a fazer qualquer coisa em favor deles.
Há necessidade de se criar uma nova consciência politica e social nos cidadão em Moçambique. O moçambicano deve saber que os problemas do custo de vida que o afeta não provem das ações de um Chapeiro (dono ou condutor de mini-autocarro de transporte de passageiro) e muito menos dos legistas do Xikheleni, Mahlazine, Komponi, Chamaculo, mas sim, das ações políticas governamentais que o coloca fora do sistema, da participação efetiva no desenvolvimento de seu país, ou seja, de ações políticas-econômicas que o empurra cada vez mais para a pobreza. Os dados recentes apontam que cada vez mais, agudiza-se o fosso entre os ricos e pobres e pior! Está aumentar o número dos pobres em Moçambique. Os índices numéricos de desenvolvimento econômico do país são altos e chegam a oscilar nos 5 a 7 dígitos anuais.  Contudo, estes valores numéricos de desenvolvimento econômico não se refletem na vida da maioria dos moçambicanos.
Há dois meses, a antiga primeira ministra das finanças na governação do ex-presidente Joaquim Chissano, Luísa Diogo concedeu uma entrevista em um jornal da praça, apontando a pobreza acentuada e a exclusão de muitos moçambicanos. Esta figura política de Moçambique vincou que a incidência desta situação poderia provocar a instabilidade no país.
Pois é, uma população que se sente ameada constantemente, com direitos limitados e existentes só no papel e nos discursos, mas não na prática é capaz de tudo. Vandalismo, a criminalidade, a anarquia são os sinais inequívocos de esse estar.
Urge se potencializar uma sociedade civil livre das garras e ansiedade de pertencimento ao sistema político vigente, uma sociedade civil não alienada e pouco manipulada, com voz na definição dos destinos do país. Só assim é que a população poderá usufruir de seus direitos consagrados na constituição, condições básicas para sua vida, lucidez nas suas lutas, conquistas e não ao vandalismo.
A educação para a cidadania (cidadãos críticos, participativos, inventivos, reflexivos e, sobretudo criativos) é uma das chaves para a paz e harmonia social.

Nenhum comentário:

Postar um comentário