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sábado, 25 de agosto de 2012

A POLÍTICA QUANDO ACOMPANHADA POR INTERESSES DE TRIBOS ∕ GRUPOS, PESSOAS IDÓNEAS PERDEM CREDIBILIDADE

Itai Meque e Manuel de Araújo trocam acusações no dia da cidade

Quarta, 22 Agosto 2012 00:00 Redacção
COSSA, Lourenço

A política quando é acompanhada por interesses obscuros cega as pessoas que outrora foram educadores e com credibilidade. A política mediante interesses de grupos restritos, tribo, em uma sociedade faz com que determinadas pessoas idóneas percam a credibilidade social.
Em um comício alusivo as festividades dos setenta anos (70) da elevação à categoria da Cidade de Quelimane, o governador da província da Zambézia, portanto, pertencente ao partido do governo central, Frelimo promoveu rixa discursiva com o Presidente daquela cidade municipal de Quelimane Prefeitura ao alertar os munícipes a terem cuidado com a edilidade, pois segundo este governador, a edilidade está a vender o município através de sua parceria com entidades estrangeiras, ou seja, “Se os munícipes não fizerem algo, a cidade poderá ser arrancada pelos cidadãos de outros países”; “quando a oferta é demais, o povo desconfia. Munícipes fiquem de olhos bem abertos, porque podemos perder a nossa cidade” Itai Meque, governador da Província da Zambézia.
Contextualizando o leitor, sabe-se que o município de Quelimane faz parte de duas autarquias que estão nas mãos de Presidente de um partido da oposição, o MDM e é governado por Manuel de Araújo, um jovem académico que conseguiu no permeio de poucos fundos e muito esforço vencer o partido governamental provincial e central de Moçambique, a Frelimo nas eleições intercalares, acontecidos no quarto trimestre de 2011.
Perante a este discurso é nos legítimo questionarmos que discurso é esse do governador da província de Zambézia? Como pode um docente universitário da Educação de profissão proferir palavras que reflete um não pensar e reflexão perante a sociedade?
Como seria se o Estado moçambicano se isolasse neste mundo, não se permitindo estabelecer parcerias que possam trazer o desenvolvimento, investimentos para seu país?
A resposta é simples, perante as dificuldades e carências em infraestruturas e finanças, um Estado sem parcerias seria inoperante e mergulharia e caos. Um caso concreto é precisamente o Estado moçambicano que recebe financiamento externo anual em forma de doações e empréstimos de países industrializados. O Orçamento do Estado recebe aproximadamente 47 a 55% do dinheiro externo para funcionar e, no entanto não é questionado ou acusado de vender o país.
Por outro lado, a sociedade civil moçambicana critica o secretismo dos contratos governamentais de todos os projetos de exploração de hidrocarbonetos, gás natural, carvão mineral, areias pesadas e outros minérios com as empresas multinacionais estrangeiras. O governo nunca dá ouvidos à mesma sociedade. 

Seria legítimo, na nossa ótica que povo moçambicano ou a sociedade civil questionasse ou colocasse o governo central na parede pelo facto do Presidente da República ter decidido conceder à Vale Moçambique Vale do Rio Doce, uma empresa multinacional extrativista, a atribuição definitiva do Uso e Aproveitamento e a concessão de todo o Corredor do Desenvolvimento de Norte à Vale, exclusivamente depois de um jantar na casa do presidente desta empresa Vale em junho durante o RIO + 20. Isso sim para nós trata-se de atentado a integridade e soberania do país e ao Estado Moçambicano. Além de constituir empecilho à concorrência e interesses dos pequenos investidores moçambicanos que desenvolvem seus negócios no percurso daquela linha de transporte ferroviária de mercadoria, isso sim mostra a venda de Moçambique, pois nenhum de nós moçambicanos sabe ao certo em que circunstância se chegou a "disponibilização" exclusiva da linha de transporte ferroviária de mercadorias que a priori devia servir interesses mais amplos de muitas empresas que exploram minérios no Norte do país na casa de um cidadão milionário brasileiro.
“Jantar em casa do presidente da Vale representa uma promiscuidade ao mais alto nível de um governante. O que devia ter acontecido é o presidente da Vale jantar na presidência da República à convite do Chefe do Estado. Um Chefe do Estado deve saber que é representante do Estado e não dos seus próprios interesses. Se quisesse jantar com o presidente da Vale, na sua casa, Guebuza podia-o fazer durante as suas férias, não aproveitar uma viagem do Estado para recepções anti-écticas” “MABUNDA, 2012).
A acrescentar a esta situação há que lembrar ao eleitor que de fato o país está na mesa do bazar, no Dumbanengue, mercado paralelo e não é de hoje. Em 2006, no princípio deste ano, a Vale reclamava da falta de atenção do Estado moçambicano no permeio das diversas companhias com haviam ganho a concessão para exploração dos mineiros. Foi neste cenário que o Brasil, através de seu governo fez uma doação de alguns milhares de dólares Reais ao Estado “moçambicano” em uma oferta suspeita. Seguidamente, o que se viu foi o desbloqueio de todos supostos empecilhos com o governo moçambicano. Certamente, esta oferta não foi amplamente difundida na mídia brasileira, pois logicamente desencadearia repúdio na população brasileira. Na verdade aquele montante se destinava exclusivamente ao desbloqueio das “sensibilidades”, permitindo o destaque desta empresa multinacional brasileira. Em nosso entendimento, esta conjuntura constituiu o prenúncio do que pode se chamar a “promiscuidade” do dirigente máximo do Estado moçambicano.
Em um período deste em que muitos Estados e Governos estão ávidos pela proteção da sua indústria de modo a projetar seu empresariado, a existência de Estados frágeis, corruptos é recebida com desvelo, pois permite que seus interesses se ampliam em pouco tempo e com menos gastos corrompendo um sujeito ou um grupinho de poder em países como Moçambique. Uma “ofertazinha” ao orçamento do “Estado” garante a drenagem de rios de divisa a seus países e a suas economias em detrimento de um projeto amplo dos países portadores de matérias primas. É a lei da selva, os mais fortes inteligentemente se dão bem, apesar da falta da ética destes e em detrimento dos supostos fortes, menos inteligentes e sem o senso comum do desenvolvimento das suas sociedades e países.
No Brasil e em muitos países onde resida a ordem, esta prática desencadearia CPI, cassação e Desgaste do Governo e do Presidente.
Perante a esta explanação muitos dirão que esta situação é normal, tratando-se de Moçambique que está a construir sua democracia. Nós não concordamos, pois não somos obrigados a andarmos de calhambeque num período em que se anda de Toyota Hilux. Não somos obrigados a estabelecermos a comunicação com nossos amigos usando o Nókia 2110 e 5110 enquanto que na atualidade circulam os Smartphone e Android. É necessário se combater práticas prejudiciais ao desenvolvimento comum, integrado de nosso país e fortalecer-se práticas políticas públicas que funcionam por meio de agenda comum, sem diferenciação entre partidos e grupos. Isto, certamente promoverá o desenvolvimento de nosso país e não de grupos restritos.
 
 
MABUNDA, Lázaro O QUE HÁ DE ERRADO NA RECANDIDATURA DE GUEBUZA, À PRESIDÊNCIA DO PARTIDO? In: Jornal "O PAÍS" – 06.08.2012
MEQUE, Itai. Itai Meque e Manuel de Araújo trocam acusações no dia da cidade. In: Jornal “O PAÍS” – 22.08.2012

Um comentário:


  1. A reacção do edil de Quelimane não foi, igualmente, das melhores. Cheirou a um incitamento à aversão tribal dos machuabos contra gente de outras latitudes na liderança, quando, a meu ver, devia ter aproveitado a gaff do governador para, de uma forma didáctica, chamar a si a razão...
    Itai Meque é docente universitário???
    Moiana

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