Powered By Blogger

quarta-feira, 21 de março de 2012

A EXCLUSÃO RACIAL E SOCIAL NO DISCURSO E NA PRÁTICA


Dia 21 de março, estava a assistir o programa de notícias da televisão Record, Fala Brasil e me deparo com a notícia referente a um grupo de criminoso de aproximadamente sete (7) integrantes, um (1) homem e seis (6) mulheres. O grupo que se intitula Gang das Loiras rouba, sequestra e com os cartões de crédito das vítimas fazem compras gigantescas em lojas, supermercados e em shoppings.
Um detalhe me chama atenção em torno da descrição do grupo, esta feita pela repórter da TV Record.
Segundo a repórter:
- o grupo é composto por sujeitos de classe média alta, portanto, pessoas com poder aquisitivo acentuado, um homem e seis mulheres, todas loiras de boa aparência, bem vestidas, pessoas das quais não se projeta suspeitas.
Ora vejamos estes dizeres e tentemos abstrair os sentidos aqui presentes. Primeiramente, é interessante questionarmos, o que é uma boa aparência neste caso deste grupo de meliantes?
Que podemos entender por boa aparência incisivamente vincada pela repórter?
É do conhecimento de todas as pessoas, negros brasileiros e não só que, um sujeito de raça negra quando está no meio social, a interpelação com pessoas da raça branca suscita desconforto, preocupação e repulsa. As mulheres escondem as bolsas; nas lojas, os seguranças ou as atendentes o colam, monitorando-o até sair.
Nos autocarros (ônibus), em um acento (duplo) do lado ocupado por um não loiro (negro), supostamente não de boa aparência é preenchida depois que não resta nenhum lugar vazio. Existem casos em que mesmo não havendo mais espaço para se sentar, sujeitos brancos optam em ficar de pé. A impressão que nos toma é de se tratar de simples comportamento involuntário, livre de anomalia, afinal as pessoas estão livre de escolher entre sentar e não sentar.
Num outro cenário, em um passeiocalçada sem muita movimentação de repente uma pessoa branca, provavelmente de “boa aparência” e maioria dos casos idosa vê uma pessoa, provavelmente não de boa aparência, um homem negro, a atitude de inquietação, medo deixa se escapar. Se a estrada não estiver movimentada por carros atravessa para outra calçadapasseio paralela.
Quem não se lembra da agressão, violência e prisão de um indivíduo de raça negra em num estacionamento de um supermercado de São Paulo?
Este indivíduo se encontrava em seu carro tipo ecosport  junto com sua filha (criança), a espera da esposa que estava dentro do estabelecimento. De repente se viu abordado com violência e tirado do carro, chamboqueado (batido com cassetete) pelos seguranças e em cumplicidade com um polícia que se fez ao local. A sua culpa era de ter furtado o seu próprio carro. Os sujeitos de não boa aparência são suspeitos e motivos de perseguição quando tiver bens que apontam o poder aquisitivo. Em Porto alegre, no início do ano de 2012, dois estudantes congoleses foram apontados arma de fogo e imobilizado no autocarro por, simplesmente possuírem sapatilhas de marca Adidas, portanto, caros para sua não boa aparência. A policial da Polícia Militar de Porto Alegre os apontou a arma, mobilizou aparato policial para apreender os estudantes africanos.
Na luta pela procura de emprego, a boa aparência é tida como a mais preponderante e à frente das capacidades, a formação que o indivíduo possa ter. As repartições públicas e privadas estão repletas pelos sujeitos de “boa aparência”, pessoas acima de qualquer suspeitas. Neste cenário, o mais interessante é que a esmagadora maioria de funcionário das empresas e instituições públicas e privadas no Brasil é composta por indivíduos de raça branca, exceto nas funções mais subalterna, neste caso, funcionáriosas que fazem a limpeza e segurança. Em alguns casos, mesmo nestas tarefas subalterna, em instituições de grande gabarito valorado, as tidas como de prestígio, no cenário em que o salário é acentuado são desempenhadas pelos indivíduos de raça branca.
É facto que inexistem pessoas de raça branca, loiros na coleta de lixo, loiros garis. Se existirem é em número bastante reduzida, com percentagem menor, ou seja, poucas pessoas.
Pessoas não loiras e, sobretudo negras, não de boa aparência permanecem em grande número fora do mercado de trabalho e fora da escolarização superior. Estas pessoas, usualmente frequentam as escolas públicas, estas isenta de investimentos acentuados em infraestruturas pedagógicas que elevem a qualidade da sua formaçãoescolarização deste grupo racial. Esta situação é alimentada pela falta de políticas consistentes de integração racial e leis que podemos significa-las como familiares e subjetivas que abrem espaço para muitas interpretações nos órgãos da justiça e, consequentemente não punem e nem responsabiliza ninguém pelos atos da exclusão racial e social.  
Perante aos cenários acima descritos podemos constatar que em países onde as bases sociais foram construídas nos alicerces da discriminação racial, na exclusão social e a violência social, o estar e ser branco, o pertencimento a uma categoria social projeta vantagens sociais em detrimento de outras raças. À primeira vista, estes indivíduos, pessoas das quais não se projeta suspeitas carregam consigo a aparência inofensiva e desarma os seus pares, portanto, de boa aparência e não só, algo oposto aos não de boa aparência e, em muitos casos de raça negra, estes alvos de todos os tipos de descriminação, exclusão racial e social.

Nota:
- As palavras racial e social não tem o tratamento igualitário neste texto. Exclusão racial é uma coisa e a exclusão social é outra, apesar de caminharem de mãos dadas.
- Informação importante: última semana de abril de 2012, o supremo tribunal Federal aprovou a constitucionalidade das cotas raciais para entrada nas instituições de ensino superior do Brasil

Nenhum comentário:

Postar um comentário