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sexta-feira, 11 de maio de 2012

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL RIO + 20: Junho de 2012


Em junho acontecerá, na cidade do Rio de Janeiro de 2012 a conferência das Nações Unidas denominada Rio + 20. Esta conferência mundial debaterá o desenvolvimento sustentável, ou seja, um desenvolvimento que respeite e que não agride o meio ambiente.
Entretanto, sabe-se que a economia de países industrializados se desenvolve até hoje com a emissão de gases tóxicos, nocivos, com a emissão em grande quantidade de poluentes à atmosfera, gerando a agressão ao meio ambiente e consequentemente as mudanças climatéricas. A não reposição florestal ou a reserva legal das matas nativas é quase inexistente em países industrializados, ou seja, os chamados desenvolvidos. Lixos espaciais frutos de tal desenvolvimento industrial podem cair a qualquer momento nas nossas cabeças.
Assim, entre o poluir e não poluir existem interesses econômicos, industriais de governos e estados, interesses de pessoas e entidades privadas, portanto, interesses esses que envolvem o poder.
De outro lado, mesmo em economias de países menos industrializados ou industrializados persistem na agressão do meio ambiente. Em muitos casos, esta agressão é caracterizada pelos desmatamentos aleatórios e sem planejamento integrado com a reposição florestal, a extração maciça, aleatória dos recursos naturais sem se respeitar o meio ambiente ou sem o uso das tecnologias de custos baixos e eficazes que possam agredi-lo.
O sector agrícola familiar caracterizada pela não assistência em tecnologias agrícola, portanto, sem informação acerca da produtividade eficiente fazem queimadas descontroladas e desnecessárias na preparação da terra para a agricultura, situação que para além de emissão de gases poluentes empobrece o solo, baixando a produtividade.
Deste modo, urge se questionar, de que forma as economias em desenvolvimento podem contribuir para a preservação do meio ambiente sem que seus povos usufruam das tecnologias que promovam o desenvolvimento sustentável?
A transferência das tecnologias de ponta, as tecnologias que auxiliam na produção com eficácia e que possam elevar as carências econômicas e industriais para países em desenvolvimento sucedem mediante os interesses políticos, econômicos expansionistas ocidentais ou de países industrializados. Estes impõem políticas, culturas e valores menos práticos, desigualitários e chocam, interferem no estar social dos países menos industrializados, tratamento que cria deslocamento, resistência.
No entanto, entre as adversidades inerentes ao poder e interesses adversos é obvio que para um desenvolvimento coerente e duradouro para países em desenvolvimento e que respeite o meio ambiente é salutar, pois promove saúde pública e economia renovável e douradora.
Enquanto, em países industrializados existe um sistema produtivo eficiente do sector familiar e de grande escala que produz produtos alimentares que abastecem seus povos, indo até a utilização destes alimentos para a produção de energia como biodiesel para mover os meios de transporte e outras máquinas, o meio rural de Moçambique é povoado pela massa esmagadora de agricultores familiares que produzem alimentos em pequena escala. Estas populações não têm acesso às novas tecnologias de produção de alimentos. Sua agricultura provém de práticas transmitidas de geração a geração. Em muitos casos esta agricultura não acompanha o desenvolvimento tecnológico de baixo custo e eficiente para a produção de alimentos em boa quantidade de forma a suprir a falta de alimentação nas populações.
Assim, a agricultura das zonas rurais é sequeiro e é feita com desmatamento das florestas para o cultivo da terra. Esta prática é acompanhada pela queima do capim e como consequência a queima dos nutrientes presentes na terra.
Outra questão é que as sementes utilizadas para sementeira provem em muitos casos de várias safras, tendo sofridas todas as intempéries climatéricas das estiagens sucessivas e evidentemente produzirá menos. A evaporação da humidade resultante da queima ou da limpeza da cama de nutrientes que habita a superfície do espaço de cultivo é imediata. Como consequência, as sementeiras ou as plantas em estágio de crescimento sofrem com o sol tropical, resultando na baixíssima safra ou quase nada se colhe. Nesta situação, a fome, a pobreza persiste e instala-se quase ininterruptamenteciclicamente no meio rural.
De outro lado, é recorrente os desmatamentos para a extração da lenha, carvão vegetal para o abastecimento das zonas urbanas. Muitas famílias das zonas periféricas das grandes cidades e mesmo nas cidades cozem seus alimentos recorrendo a energia do carvão vegetal ou lenha extraído no campo.
Distritos como Changalane, Mahubo, Manhiça, Xicualacuala e muitos outros de todo país são desmatados sem nenhuma reposição florestal para o abastecimento das grandes cidades como Maputo.
Países como a China têm leis duras e intolerantes para os casos de desmatamento em seus territórios, mas em contrapartida promovem desmatamentos avassaladores em países como Moçambique. Torras de madeiras saem dos portos do norte do país sem serem processadas e sem reposição florestal nos locais desmatadas e, pior, sem que o país e as populações locais usufruam dessa exploração e abate indiscriminada das florestas. Contudo, sabe-se que alguns dirigentes ligados ao poder ou governo intermediam esta exploração nefasta ao meio ambiente.
A expansão dos grandes centros urbanos é notória. Contudo, esta expansão não é feita mediante a um plano que respeite o meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Novos espaços urbanos não possuem nenhuma reserva da mata nativa nem reflorestada, não têm nenhum jardim ou parque. Rios ou nascentes são destruídos para a implantação de casas ou outras infraestruturas. Nas zonas onde têm manguezais, por exemplo, perto das grandes cidades como é o caso da cidade de Maputo há proliferação de construções residenciais, a partir do derrube destas plantas que contribuem para a reprodução das diferentes espécies marinhas.
O governo-estado moçambicano não consegue acompanhar a ânsia pelo desenvolvimento material de seu povo. As populações e em conluio com alguns dirigentes locais partilham, parcelam e vendem a terra e constroem suas casas sem uma projeção planificada que respeite o meio ambiente e as noções básicas de planejamento urbano.
Nesta conferência de junho, o Rio + 20 resta se saber que ações e compromissos práticos urgentes são que os dirigentes das nações do mundo, os mais e menos industrializados irão tratar, ratificar e implementar para o desenvolvimento sustentável em seus países e em outros países. 

3 comentários:

  1. Bom!E' de louvar essa vossa grande iniciativa a respeito das mudanças climáticas que acontecem dia pois dia no mundo e particularmente em Moçambique.
    o Governo moçambicano pouco se preocupa com o meio ambiente, os próprios dirigentes deste Pais e' são os promotores da degradação/desmatamento das nossas florestas e a população nem chega a se beneficiar de tais feitos.
    Espero que nesta conferencia das Nações Unidas traga-nos algumas soluções aplausível.

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    1. É. esperamos que os dirigentes mundiais tragam na manga soluções práticas e viáveis que possam mitigar as mudanças climatéricas em evolução no mundo. Entretanto, do lado externo aos Moçambicanos não virão algo alguma de palpável. É importante que o governo central, municipal, distrital e das localidades, a sociedade civil (este pouco atuante e dependente dos discursos governista), jovens e estudantes moçambicanos sejam protagonistas em torno das mudanças de postura perante ao meio ambiente. Se estes sectores sociais e políticos atuarem e terem postura divulgando e denunciando, certamente causaram reação, provavelmente positiva do governo, pois discursos existem, mas falta a prática, a seriedade e o comprometimento.

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  2. Era espectavel estarmos a poluir noutras vertentes, nomeadamente no processamento industrial das nossas materias-primas... e nao nas queimadas e abate indiscriminado das arvores para fazer lenha ou carvao. Eh urgente combater-se esta poluicao de subsistencia, porem, mostrando e ensinando alternativas as pessoas q dependem desses meios. O MICOA, MITUR, MINAG e MEC, principalmente devem desempenhar o seu papel educativo.
    Abraco de Moiana

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