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sexta-feira, 15 de junho de 2012

O NEOCOLONIALISMO DO BRASIL SOBRE MOÇAMBIQUE

Moçambique abra olho - Governante abra olho

Rio + 20: Conferência sobre o meio ambiente e Desenvolvimento Sustentável
Este evento que é quase global e promovido pelas nações unidas tratará de debater temas ligados ao desenvolvimento sustentável e meio ambiente nos países signatários. Sabe-se que este tipo de evento não reúne consensos, entretanto é porta que proporciona debater assuntos referentes ao desenvolvimento dos países e nações sem a agressão ao meio ambiente a partir da adoção de atitudes, comportamentos, tecnologias que respeitem o meio e energias renováveis.
No permeio deste momento eufórico e disfórico entre os defensores ferrenhos do meio ambiente, material eou simbólico e os que advogam o capital, dinheiro acima de tudo e que advogam que o meio ambiente não constitui nenhum empecilho para o desenvolvimento, há que se dar destaque aos debates paralelos presentes neste evento, afinal falar do meio ambiente não abrange apenas a terra, as plantasarvores ou a atmosfera, mas também os meios simbólicos como a integridade física, espiritual dos povos, das culturas que se encontram ou sentem ameaçadas com o advento do desenvolvimento e produção do capital pelas empresas multinacionais sem o respeito pelos direitos elementares das pessoas.
É no meio desta situação que na quinta feira dia 14 de junho, o CSP – Conlutas - Central Sindical e Popular do Brasil coloca em circulação a seguinte notícia:
- Moçambicano convidado para atividade dos Atingidos pela Vale, na Cúpula dos Povos, teve sua entrada no Brasil negada.
Lê-se na integra:

14062012
“Acabamos de receber a denúncia de que o moçambicano e membro da justiça Ambiental Vunjanhe teve sua entrada no Brasil negada. Nesta quarta-feira (13), no aeroporto de São Paulo. Companheiro teve no passaporte o carimbo de “proibido a entrada”, apesar de seu visto não apresentar nenhuma irregularidade. O ativista é jornalista e vinha de Maputo – capital de Moçambique – com a delegação dos Amigos da Terra, para participar da atividade dos Atingidos pela Vale, na Cúpula dos Povos, evento que começa de 15 a 23 de junho. A notícia é bastante grave, preocupante e revoltante. Esse fato lamentável é digno dos tempos da ditadura e de um estado de exceção”. Depois de ver seu passaporte confiscado pela Polícia Federal, este foi imediatamente introduzido na sala do embarque e horas antes do voo de volta foi lhe devolvido e carimbado com selo de Impedido da SINPI (Sistema Nacional dos Impedidos e Procurados) do Departamento da Polícia Federal.  

Contextualizando, a Vale ou a Vale do Rio Doce, cujo de doce nada tem, é uma empresa extrativista, multinacional brasileira com participações de diversos capitais brasileiras e de outras nações. Esta empresa está já presente em alguns países a desenvolver atividades econômicas extrativa de carvão, minério de ferro entre outros.
Nos últimos tempos, precisamente no começo da década de 2000 iniciou a exploração de carvão mineral na província de Tete - Moçambique e goza de incentivos fiscais concedidos pelo governo moçambicano.
A sua estada em Moçambique já desponta preocupação da sociedade civil e de alguns agentes governamentais preocupados pelo desenvolvimento de Moçambique e não de suas barrigas, ou seja, o mesmo problema que semeou no Brasil no estado de Minas Gerais vale de Jequitinhonha, continua suplantando e perpetuando em Moçambique e em outros países africanos. Desloca as populações de suas terras de origem sem os emolumentos devidos, constrói cabaninhas tipo cubículo para uma população habituada em morarviver nas suas terras dentro da liberdade e em zonas com solos férteis para não aráveis, criando, assim, o descontentamento generalizado nas populações. Para a concretização destes desvios e práticas pouco éticas amplia seu domínio nas instâncias governamentais corrompendo agentes do estado corruptos.
Estas atitudes visam essencialmente à colonização, o empobrecimento, a humilhação dos moçambicanos.
O agravante destas ações contra o desenvolvimento sustentável, imperialistas e colonizadoras mostra que o Brasil, o estado e governo brasileiro são coniventes com os atos maléficos da Vale – Moçambique e que de Moçambique não tem nada a não ser a destruição do meio ambiente tanto material como simbólico dos moçambicanos e de Moçambique. Nas relações bilaterais entre o Brasil e Moçambique devem todos ganhar e não apenas o Brasil.
Com a postura do banimento da entrada no Brasil do Jeremias Vunjanhe pela Polícia Federal do Brasil, a empresa extrativa Vale demostra que seus tentáculos são alargados e aponta sua influência na estrutura do estado e governamental brasileira, fato que exatamente se evidencia com o tratamento ditatorial, criminoso despido dos direitos fundamentais humanos do ativista e jornalista moçambicano de não entrar no Brasil para participar das atividades dos Atingidos pela Vale, na Cúpula dos Povos, evento ligado ao Rio + 20.
O que na verdade teme o governo brasileiro ao impedir a participação deste cidadão da CPLP?
Demostra que os interesses do Estado e empresa Vale ultrapassa as leis e os direitos humanos e perante a esta atitude qual é o pronunciamento do governo moçambicano?

Cossa, Lourenço

Um comentário:

  1. Mocambicano e um personagem que, infelzmente tem vivido estes atropelos deplomaticos com muita regularidade. Vou dar exemplo de dois casos:
    I- O Mocambicano que era contabilista da USAID, que foi oferecido uma bolsa de estudos para USA e quando desembarcou foi imediatamente preso e levado a cadeia para ser julgado nas terras do tio Sam por desvio de fundos da instituicao, embora tenha sido contratado em mocambique e nunca ter sido acusado no pais.

    II- Dois jornalista um deles a Joana, curiosamente, foi minha colega de faculdade, viram seus passaportes confiscados e borrados em Luanda, quando iam a uma conferencia em que a questao dos direitos humanos seria o epicentro.
    Agora temos essa do Rio+19, ja que excluiram um no aeroporto. O mais curioso e que a nossa deplomacia nao se mexe nestes casos, nao sei se e por medo de represalias dos donos do TACO.

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